Arquivo de Outubro, 2012

31
Out
12

MESTRE DA CULINÁRIA DETIDO PELA PJ

O chef internacional de cozinha,Michel da Costa, 67 anos, foi ontem detido por inspetores da Polícia Judiciária, que deram cumprimento a um mandado europeu emitido por França. As autoridades francesas acusam Michel e um cidadão francês de “pertencerem a uma organização criminosa”. Há muito que as «broncas» se multiplicavam na vida deste mestre da culinária a quem foi atribuída a primeira estrela do Guia Michelin, distinção que transmitiu ao filho, o também chef Olivier da Costa.

De acordo com uma fonte judicial, o chefe de cozinha é suspeito de “vários crimes de natureza fiscal e branqueamento de capitais e será o Tribunal da Relação de Lisboa a decidir se o pedido de extradição é cumprido.

Michel, nascido em Marrocos, quando este era um protetorado francês, e naturalizado português, já teve vários programas de TV, geriu um ateliê de cozinha e, em Março de 2011, foi acusado de burla por vários alunos, os quais alegaram que se sentiram enganados, uma vez que pagaram mais de oito mil euros por um curso sem condições. Mais: acusaram a empresa gerida pelo Mestre de passar facturas ilegais com IVA a zero por cento. O coordenador do curso, Luis Alves, também se sentiu enganado e avançou com um  pedido de insolvência da empresa do chef, tendo deixado a escola alegando que Michel lhe ficou a dever 17 mil euros e por ser ele muitas vezes a pagar as contas de água, luz e gás, para evitar que fossem cortados.

Com Michel, foi também detido um cidadão francês suspeito dos mesmos crimes: fraude fiscal e branqueamento, cometidos entre 2005 e 2007.

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29
Out
12

MISTÉRIOS DO BILDERBERG: TEIXEIRA DOS SANTOS NUMA DAS REUNIÕES ANUAIS QUE ANTECEDEU O RESGASTE A PORTUGAL

Pois é verdade…há muito que o jornalismo deixou de lado uma das suas regras mais sagradas: a independência moral, política e económica. O desencadear da crise também propiciou este estado lamentável dos media, que apenas apostam na sobrevivência, «conspurcando-se» de todas as maneiras e feitios…até vendendo a alma ao Diabo…Não admira que ninguém tenha reportado a presença de Teixeira dos Santos numa das reuniões anuais do Grupo Bilderberg… onde provavelmente tenha sido decidido que Portugal iria pedir o resgaste financeiro

 Gradualmente, se vai fazendo história do papel do Grupo Bilderberg no desenvolvimento da actual crise. Este grupo, que tem como figura de proa em Portugal, Francisco  Pinto Balsemão, tem  beneficiado de uma estranha apatia dos media portugueses, os quais, raramente reportam noticias sobre as suas actividades. Não admira que alguns jornalistas portugueses, como foi o caso de Clara Ferreira Alves ou Nicolau Santos – dois colaboradores de há longos anos do «Expresso» – tenham sido convidados para reuniões anuais. O jornalista Frederico Duarte Carvalho, é uma excepção à «regra» de silêncio estabelecida. Há muitos anos que tem denunciado as actividades nefastas dos Bilderberg à escala mundial e agora, na sua página do Facebook, revela que o antigo ministro das Finanças do governo de José Sócrates, Teixeira dos Sabntos, também participou numa reunião do Grupo em 2010 – estávamos no início das negociações do resgaste financeiro a Portugal que trouxe até nós a «troika».

Vejamos o que escreveu Frederico Duarte Carvalho: « Encontrei há dias ao descer a Avenida da Liberdade uma pessoa que trabalhou no anterior governo liderado por José Sócrates. Não era um ex-ministro, mas é um alguém que seguiu de perto muitos dos principais acontecimentos que estiveram na origem do resgate económico da Troika. A dada altura falamos do papel de Teixeira dos Santos, o antigo ministro das Finanças, e a zanga com o primeiro-ministro José Sócrates sobre se Portugal deveria ou não pedir o resgate. Ele disse: “José Sócrates, digam o que disserem dele, é acima de tudo um político”, tendo-me garantido que não havia na sua cabeça qualquer intenção de pedir a intervenção da Troika, afinal aquilo que agora nos condiciona e serve para todas as desculpas de maus orçamentos ou defesa da parte do PSD/CDS para as críticas do PS. Então, respondi: “Olha lá, um ano antes, em Junho de 2010, estive perto de Barcelona, em Sitges, onde houve o encontro anual do Grupo Bilderberg. E o Teixeira dos Santos esteve lá. Não será que foi ali que ele recebeu as instruções?”. E o meu interlocutor diz de seguida: “Se um dia fosse a escrever um livro com o que sei… Isto mudava muita coisa”… E não se disse muito mais. Na despedida, fiquei com a certeza de que não é ele que precisa de escrever um livro. Se o fizesse, iria revelar factos que seriam uma traição. É claro que podemos discutir a quem deve ele a lealdade. Se aos governantes, se ao povo. Mas, antes dessa discussão, eu sei bem quem anda a trair o povo: são os jornalistas que não noticiam tudo o que é relevante e não informam, com lealdade, os leitores que neles depositam a sua confiança. Pensei: “Mas, para além de mim e uns poucos activistas portugueses, é que foram a Barcelona em 2010 e noticiaram a presença de Teixeira dos Santos numa das mais discretas reuniões de alto nível internacional”? A resposta veio rápida: ninguém. Depois surpreende-se de haver crise no jornalismo. O leitor não é estúpido e sabe que os jornalistas não andam a trabalhar para os leitores. Há muito que andam a trabalhar para as migalhas que o poder político lhes vai dando…».

Pois é verdade…há muito que o jornalismo deixou de lado uma das suas regras mais sagradas: a independência moral, política e económica que o fazia veicular notícias doessem a quem doessem. O desencadear da crise também propiciou este estado lamentável dos media, que apenas apostam na sobrevivência, «conspurcando-se» de todas as maneiras e feitios…até vendendo a alma ao Diabo…

29
Out
12

DADO COMO MORTO A TIRO SURGE NO PRÓPRIO VELÓRIO

Este brasileiro virou uma celebridade  e até teve honras de reportagem da BBC: Gilberto Araújo Santos, um lavador de carros, natural de Alagoinhas, nos arredores de Salvador, Bahia, chegou a ser velado pela família mas afinal, o «morto» era outro. Gilberto entrou no velório são e salvo, e provocou uma grande confusão e até desmaios .«Foi uma confusão! Uns ficaram espantados em me ver, outros correram para me abraçar. Teve gente desmaiando, outras passando mal», contou, rindo. Agora virou uma estrela da TV, há quem o queira contratar para fazer publicidade. «As pessoas chamam e eu atendo. Estou encarando tudo de forma natural, afinal não é todos os dias que morremos e ressuscitamos em seguida», sublinha ironicamente Gilberto.

Um caso caricato que começou no dia em que familiares do «morto-vivo» tomaram conhecimento que Gilberto  tinha sido baleado. No hospital, dois irmãos reconheceram o  cadáver: «O corpo era igual ao do meu irmão, até o pé era idêntico, a roupa que o defunto usava era, curiosamente, igual à que viram ele vestir no sábado», contou o irmão José Santos. Gilberto foi encontrado por um amigo que o avisou que o seu corpo estava ser velado por familiares. Correu primeiro para casa da mãe, Marina Santana, a primeira pessoa a ficar em estado de choque com a presença do filho que julgava morto.

Quanto ao morto real, foi já reconhecido por familiares. Tratava-se também de um lavador de carros, Genivaldo Gama, e foi assassinado por dois homens que seguiam numa motocicleta. Uma série de coincidências que originaram esta história do «outro mundo»…

24
Out
12

Quem nos acode…?

O juiz mandou soltar o violador de uma criança de seis anos. Como contou o Correio da Manhã, o menino de seis anos estava à guarda da vizinha, dado os pais estarem ambos a trabalhar, na noite de 10 de Setembro, quando foi violado pelo filho da dona da casa, um padeiro de 28 anos, que atacou a criança na cama onde dormia. A vítima denunciou o crime ao pai no dia seguinte; o Instituto de Medicina Legal confirma as lesões anais que são compatíveis com a violação – mas o juiz decidiu libertar o suspeito, apesar do testemunho do menor ter sido considerado credível pelo Ministério Público e pela PJ. O caso ocorreu perto de Alenquer.

“Dá mais trabalho fundamentar a prisão preventiva e custa menos mandá-lo para casa” – como muito bem escreveu Manuel Catarino. “E o suspeito lá saiu em liberdade com a obrigação de se apresentar três vezes por semana no posto da GNR – fraco consolo para a família da criança que, naturalmente, esperava outra decisão de acordo com o direito das vítimas”.

“O meritíssimo tinha tudo para tomar outra decisão: os relatórios do Instituto de Medicina Legal, o depoimento da criança considerado credível e os argumentos do Ministério Público para que o suspeito ficasse em prisão preventiva – mas preferiu ir pelo caminho mais fácil: libertou o pedófilo”.

“A criança, cujo testemunho será essencial para o julgamento, corre vários riscos: além do perigo de voltar a ser abusada, pode ainda ser coagida pelo suspeito. O juiz apenas protegeu os direitos do arguido”, conclui Manuel Catarino sobre este escandaloso caso de inoperância (ou preguiça) da nossa justiça.

Se proteger os arguidos é fácil e defender as vítimas dá trabalho, que vai o cidadão fazer quando for gravemente ofendido, agredido e prejudicado? Ou alguém da sua família? Confia na justiça e investe num advogado para defender os seus direitos ou pega numa quantia (muito mais pequena…) e contrata uns ‘profissionais’ da justiça rápida e expedita…? O Estado tem a obrigação de defender as vítimas dos crimes e de castigar os criminosos, se não o faz como vão os cidadãos resolver os seus assuntos? Ou seja, quem nos defende?

É também possível fazer uma outra leitura destes casos e da sua multiplicação: o Estado decidiu privatizar a justiça e os cidadãos que se arranjem… Mas, nesse caso, digam-no, fechem o ministério da Justiça e despeçam tudo, desde a ministra até aos contínuos dos tribunais, passando pelos juízes. E vamos tratar disto de forma privada… Como já se suspeitava, Portugal é cada dia mais um ‘hollow state‘, um estado vazio e falhado.

23
Out
12

DOCUMENTOS INÉDITOS SOBRE OS OFFSHORES DA FAMÍLIA SÓCRATES

 Não sei se é para branquear a actual (des) governação PSD/PP. Não sei se é para facilitar a aceitação dos sacrifícios, mas chegaram-me estes documentos sobre os offshores da família do antigo primeiro-ministro Sócrates. Para mim são todos uma corja. Portugal precisa de uma limpeza.E anda esta senhor a gozar o sol parisiense à custa da «massa» que abichou durante os anos em que ajudou a mergulhar Portugal numa profunda crise da qual lava agora as mãos. Pudera! Com tanto dinheiro em paraísos fiscais…alcançou ele próprio o seu próprio paraíso!E ninguém investiga a forma como esta família se tornou, num curto espaço de tempo, milionária. Os documentos falam por si…aqui há uns anos, os skinheads de Mário Machado também andaram a divulgar documentos sobre estes offshores pelos jornais. Creio que só jornal O Crime  teve a coragem de os publicar…e Mário Machado acabou preso, se bem que por outros motivos mais graves, logo que os documentos vieram a lume…não fosse rebentarem mais novidades constantes em «paraísos»…mas elas acabaram por vir à tona. Ora reparem:

1–Com esta assinatura da Sra D.Fernanda é criada uma Sociedade ou Conta

Offshore.Agora basta movimentá-la em qualquer cidade do Mundo com um vulgar

cartao….O dinheiro depositado não recebe juros, pelo contrario, tem encargos.

O montante pode ir para um banco alemão que empresta a Portugal a 5% ou

mais…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2–CONTRATO com a Mãe de Sócrates

3–Nomes dos Sócios (olhem bem, falta um mas nem é necessário, basta o tal

cartao)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4–À sorte, um dos extratos da conta (o montante é em EUROS)

“O exemplo convence-nos mais do que as palavras.                                                            

Nada é tão contagioso como o exemplo.”

18
Out
12

Não cometeu fraude fiscal porque as Finanças dizem que “nada deve ao fisco”, diz Isaltino

Isaltino Morais, apesar de já condenado a 2 anos de prisão, diz que quer provar que não cometeu qualquer crime de fraude fiscal. E por isso lá vai mais uma acção judicial para apurar se de facto houve crime de fraude fiscal, pelo qual foi condenado, depois de ter receber uma certidão comprovativa de que o autarca “nada deve ao fisco”.

A certidão do serviço das Finanças de Oeiras diz que Isaltino “tem a sua situação tributária regularizada” e que nos anos de 2000, 2001 e 2002 “nunca correu termos nas Finanças qualquer processo referente a fraude fiscal”, o que não deixa de ser uma curiosa argumentação, quando é sabido que muitos dos que são condenados por fraude, o são precisamente por terem conseguido enganar as Finanças.

Aqui fica a história contada no início da semana CM:

Fonte ligada ao processo adiantou à agência Lusa que a defesa do autarca decidiu, no Verão, fazer uma “análise profunda de todo o processo”, à qual chegou à conclusão que “não havia nenhuma prova das Finanças que sustente a condenação por fraude fiscal”. Assim, informou hoje a defesa, no dia 12 de Setembro foi intentada no Tribunal Administrativo e Tributário de Sintra uma acção de impugnação para liquidação fiscal com o objectivo de apurar se o autarca tem dívidas ao fisco.

“Sendo inequívoco que Isaltino Morais só foi condenado por crimes fiscais [dois anos de prisão por três crimes], a ausência de intervenção dos serviços de Finanças (apesar da sua imprescindibilidade reiteradamente assinalada) constitui nulidade que terá de ser apurada no âmbito do processo de impugnação judicial tributária”, sustenta a defesa.

Isaltino Morais foi condenado em 2009 a sete anos de prisão e à perda de mandato autárquico por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para ato ilícito e branqueamento de capitais.

Em cúmulo jurídico, pelos três crimes de fraude fiscal e um de branqueamento de capitais, a Relação decidiu condenar Isaltino Morais a uma pena de dois anos de prisão.

Agora, segundo a defesa, os novos argumentos invalidam a condenação do presidente da Câmara de Oeiras pelos crimes de fraude fiscal e afirma que “ninguém pode ser condenado por alegada fraude fiscal sem previamente os serviços competentes apurarem da existência dos alegados valores em dívida”.

Uma notícia do jornal ‘Expresso’ dava conta de que “o Supremo Tribunal de Justiça deu razão ao Ministério Público e rejeitou o recurso apresentado por Isaltino Morais para evitar a sua prisão”.Sobre este assunto, a defesa do autarca disse ainda não ter sido notificada, bem como o arguido, e sublinhou que “se estiver a correr um processo de impugnação judicial ou tiver lugar oposição à execução, nos termos do Código de Procedimento e de Processo Tributário, em que se discuta situação tributária de cuja definição dependa a qualificação criminal dos factos imputados, o processo penal tributário suspende-se até que transitem em julgado as respectivas sentenças”.

15
Out
12

OS SEGREDOS DO OPUS DEI

Obra de Deus controla várias entidades que têm um património superior a 80 milhões de euros. Está ligada a uma financeira de capitais de risco e conta com cerca de 1500 seguidores em Portugal.

Jovens com pouco mais de 14 anos e oriundos de famílias abastadas são a base de recrutamento. São educados para se tornarem santos e difundir “a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para o encontro com Deus, o serviço aos outros e o melhoramento da sociedade”. Estamos a falar da Opus Dei, a “secreta” e polémica organização da Igreja Católica, que em Portugal tem cerca de 1500 seguidores, na sua maioria mulheres e casados. A forma de atingir tais fins e o vasto património que as várias entidades ligadas à Obra de Deus possuem é que levanta muitas dúvidas sobre os verdadeiros objectivos da instituição.

A alimentar estas dúvidas está o facto de se desconhecerem quem são e que cargos ocupam os referidos “seguidores” na sociedade portuguesa, sendo certo que deles fazem parte nomes sonantes como Ramalho Eanes, ex-presidente da República, e a sua mulher, o conhecido bancário Jardim Gonçalves, o conselheiro de Estado e ex-ministro da Segurança Social, Bagão Félix, e o antigo presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, para dar apenas alguns exemplos.
Oficialmente, o Opus Dei não tem nada em seu nome. Está tudo nas mãos de várias instituições que têm ligações evidentes à organização. A principal é a Fundação Maria António Barreiro, fundada após a morte desta mulher, em meados da década de 80 do século passado, e que deixou, em testamento, a sua gigantesca fortuna nas mãos do ex- advogado do BCP, José Afonso Gil, um membro da Opus Dei e que é o presidente vitalício da instituição, da qual fazem ainda parte, Francisco Oliveira Dias, ex-presidente da Assembleia da República, e Carlos Câmara Pestana, vice-presidente do BPI e presidente do Banco Itaú, mais dois destacados membros do Opus Dei.

 METADE DE UM QUARTEIRÃO EM LISBOA

Da fortuna deixada por Maria Antónia Barreiro e que deu origem à fundação ligada ao Opus Dei faziam parte 50% do quarteirão onde funciona a Pastelaria Suíça, no Rossio, em pleno coração de Lisboa, que foi vendido pouco depois da morte da benemérita. O negócio terá rendido cerca de 10 milhões de euros em valores actuais. A herança incluía ainda mais 18 prédios espalhados por Lisboa, jóias, depósitos a prazo em vários bancos e títulos do tesouro. A sua fortuna tem sido usada em obras do Opus Dei desde então e a Fundação tem um património superior a 41 milhões de euros. Em seu nome estão quase uma centena de imóveis espalhados pelas freguesias de Penha de França, S. Sebastião da Pedreira, Olivais e S. Domingos de Benfica. Só em Marvila, a fundação tem 10 prédios, nove lojas e nove armazéns, sendo que um deles vale cerca de 500 mil euros. A instituição é igualmente proprietária de mais de metade da Rua Fernando Palha, na zona Oriental de Lisboa

Em nome da Fundação Maria Antónia Barreiro está um terreno junto à Universidade Católica, em Lisboa, onde nasceu a residência universitária Montes Claros e o Oratório S. Josemaria Escrivá, o santo fundador do Opus Dei. Ao lado foi construída a Associação de Estudos Superiores de Empresas (AESE), igualmente controlada pela organização católica. O Centro de Orientação Familiar, que promove acções de formação para casais, a funcionar num prédio da Rua do Possolo, ao lado da residência do presidente da República, Cavaco Silva, é também da Fundação e na sua criação esteve envolvido o conhecido banqueiro Jardim Gonçalves, que também foi um dos fundadores da AESE. Aliás, das 23 pessoas que fundaram a associação de estudos, 18 eram membros da Obra, entre os quais Carvalho Cardoso, ex-presidente do clube Belenenses, colaborador de António Champalimaud e antigo gestor da Mundial Confiança, Osvaldo Aguiar, que era o administrador do governo do Opus Dei, Silvério Martins, fundador do CDS e ex-administrador do Banco Pinto de Magalhães e da Rádio Renascença, e José Fonseca Pires, responsável pelas actividades dos membros da Obra casados (no Opus Dei, os membros casados são chamados supranumerários e os solteiros numerários) e presidente da Sociedade Lusitana da Cultura. 

UMA FINANCEIRA?
A Opus Dei tem igualmente ao seu serviço a Cooperativa de Fomento de Iniciativas Culturais (Cofic), entidade que financia o governo da Obra e que possui quatro imóveis localizados em Viseu e dois em Coimbra, cujo valor ronda os dois milhões de euros. A cooperativa tem 18 imóveis registados em seu nome, entre os quais está a Quinta do Paço do Lumiar, com mais de 10 mil metros quadrados, onde funciona a sede do Opus Dei e vive o líder da organização em Portugal, o vigário regional José Rafael Espírito Santo. Só esta quinta, com o seu sumptuoso palacete, está avaliada em cerca de 20 milhões de euros. O director-geral da AESE, José Ramalho Fontes, também vive numa vivenda em Linda-a-Velha registada no nome da Cofic e que está avaliada em mais de três milhões de euros.

A cooperativa é ainda dona de um prédio no Campo Grande, onde funciona o Clube Xénon, vocacionado para organizar actividades para rapazes e que é um dos principais pontos de captação de novos membros para a Obra. O prédio foi uma doação da ISCAL, Sociedade Imobiliária Civil, administrada por três membros do Opus, que também deixou uma quinta em Vila Nova de Gaia, onde a organização construiu um edifício para acolher os participantes nos seus retiros espirituais. Um complexo igual foi construído em Almançor, no Alentejo, em terrenos doados à cooperativa por Alfredo Cunhal, tio do fundador do PCP, Álvaro Cunhal.

Mas o investimento onde o Opus Dei aparece envolvido e que provoca mais estranheza é a Naves, uma sociedade de capitais de risco. Na verdade, quem entrou no negócio foi a AESE, que comprou 11,76% dos 1,3 milhões de euros de capital social da sociedade financeira, tornando-se na sua principal accionista. A Naves funciona na própria escola superior, na Calçada da Palma de baixo, em Lisboa. A naves tem activos superiores a um milhão de euros e participações na imobiliária In Time (de Gaia) e na Várzea da Rainha Impressores, um empresa que é presidida por Zita Seabra, que também dirige a editora Althêia, responsável pela publicação, no ano passado, de uma biografia do fundador do Opus, Josemaria Escrivá.

A Escola Profissional Vale do Rio, em Oeiras, o Centro de Actividades Culturais do campo Grande, o Colégio Universitário da Boavista e o Clube Vega, no Porto, são outras instituições ligadas ao Opus Dei, que também tem o Hotel 3 Pastorinhos, localizado a escassos 50 metros do Santuário de Fátima. O Opus prevê construir em breve, através da Fundação Maria Antónia Barreiro, uma residência universitária feminina no Campo Grande e um centro para tratar doentes paliativos. Investimentos superiores a seis milhões de euros.

 CHAMADA À SANTIDADE
Mas desengane-se quem pensa que o Opus Dei é uma organização com um vasto património financeiro e imobiliário. Oficialmente, a Obra de Deus só é proprietária de três jazigos. O resto está em nome de cooperativas, fundações, associações e empresas controladas pelo Opus Dei através de seguidores que ocupam cargos nos respectivos órgãos sociais.

“O Opus Dei é uma instituição legítima, existente ao abrigo do Direito Concordatário, que pertence à organização da Igreja, e por isso também sujeita ao escrutínio das normais instâncias judiciais. A missão do Opus Dei é evangelizadora. Tal como todas as outras instituições da Igreja, cada uma à sua maneira, procura que cada pessoa se abra a Deus, aprenda a encontrá-lo na vida diária, integrando-se na vida da Igreja. A actividade do Opus Dei resume-se na formação dos fiéis da prelatura para que desenvolvam – cada um no lugar que tem na Igreja e no mundo – uma actividade apostólica multiforme, promovendo em seu redor o ideal da chamada universal à santidade”, explicou, a “o Crime”, o assessor de Imprensa do Opus Dei, Pedro Gil.

Segundo o porta-voz da Obra, “os projectos de evangelização que as pessoas do Opus Dei realizam com outras pessoas, e para os quais solicitam a atenção pastoral da prelatura, são projectos autónomos, com responsáveis próprios e gestão independente. Por isso, as informações que lhes dizem respeito devem-lhe ser solicitadas.”
Pedro Gil salientou ainda ao nosso jornal que cada um dos membros integrantes da prelatura (é assim que também se designa o Opus) faz face às suas necessidades económicas pessoais e familiares por meio do trabalho profissional habitual. “Além de se sustentarem pessoalmente, os fiéis do Opus Dei e os cooperadores cobrem os gastos inerentes às necessidades pastorais da prelatura. Estes gastos reduzem-se, basicamente, aos do sustento e formação dos sacerdotes da prelatura, às despesas referentes à sede da cúria prelatícia, bem como às dos governos regionais ou das delegações e às esmolas que a prelatura concede. Como é natural, os fiéis do Opus Dei ajudam também igrejas, paróquias, etc”, concluiu o assessor do Opus Dei em Portugal.

UMA “MADRINHA” CHAMADA IRMÃ LÚCIA
José Balaguer Escrivá foi o 465.º santo canonizado pelo falecido Papa João Paulo II e a vinda para o nosso país da organização que fundou terá sido decidida após conhecer a vidente.

Tudo terá começado com um encontro com Lúcia, a vidente de Fátima, quando esta se encontrava no Convento das Doroteias de Tuy, em Espanha. A antiga pastorinha, diz o site na Internet do Opus Dei, terá conhecido o fundador do Opus Dei, Josemaria Balaguer Escrivá, em 1945. Só que Josemaría Balaguer não tinha com ele o passaporte e era preciso que alguém abrisse as fronteiras ao pai da Obra de Deus (Opus Dei, em latim). A solução terá sido um telefonema da irmã para Portugal e Balaguer conseguiu o visto para entrar no nosso país, visitar Fátima e encontrar-se com altos dignitários da Igreja Católica, incluindo o cardeal Cerejeira.

“S. Josemaria conheceu a Irmã Lúcia em Fevereiro de 1945. Tinha ido a Tuy, em Espanha, encontrar-se com o bispo, o seu amigo D. José López Ortiz. A Irmã Lúcia, vidente de Fátima, encontrava-se então num convento em Tuy. O bispo quis que S. Josemaria a conhecesse. A conversa foi providencial uma vez que a Irmã Lúcia pediu insistentemente ao Fundador que fosse a Portugal, para poder assim apressar os começos do trabalho do Opus Dei em terras portuguesas. A viagem está nos seus planos apostólicos, mas não naquele momento, entre outras coisas porque não tinha passaporte. Mas isso não foi um obstáculo pois, com um telefonema para Lisboa, a Irmã Lúcia obteve para S. Josemaria, e para os que o acompanhavam, a autorização necessária. Assim, a pedido da Irmã Lúcia, a viagem que o fundador e Álvaro del Portillo tinham iniciado no dia 29 de Janeiro em Espanha, conheceria um imprevisto prolongamento em solo português”, lê-se no site do Opus Dei.

No ano seguinte, em Coimbra, a organização lançava os alicerces e abria a primeira casa naquela cidade, baptizada de Montes Claros. Rodeada de um enorme secretismo, só na década de 70 é que Jardim Gonçalves, administrador de um enorme império financeiro privado, deu a cara pela Obra. Ao antigo presidente do BCP, seguiram-se figuras como Adelino Amaro da Costa, um dos fundadores do CDS e uma das vítimas de Camarate (que abandonou em litígio a Obra para se casar) ou João Bosco Mota Amaral, ex-presidente da Assembleia da República. O mesmo fizeram figuras internacionais como Lech Walesa, antigo chefe de Estado da Polónia e ex-dirigente do Solidariedade, movimento sindical apoiado pela banca do Opus Dei, Giulio Andreotti, que foi primeiro-ministro italiano em várias ocasiões, Louis Freeh, antigo director do FBI, Joaquín Navarro Valls, psiquiatra e ex-porta-voz do Vaticano, Jacques Santer, ex-Presidente da Comissão Europeia, o espanhol Gil Robles, presidente do Parlamento Europeu entre 1994 e 1999, e Juan Antonio Samaranch, ex-presidente do Comité Olímpico Internacional.
Pedro Gil, assessor de Imprensa do Opus Dei, neha qualquer elitismo e lembra a presença da Obra em meios menos favorecidos, tendo membros taxistas, cozinheiras ou mulheres-a-dias. Desde o início da implantação do Opus Dei em Portugal que a Obra não tem tido vida fácil nos meios eclesiásticos. Seja pela desconfiança da hierarquia, seja pela dificuldade em fazerem-se aceitar junto da opinião pública e de penetrar em meios tão sensíveis como a Universidade Católica ou a administração de paróquias. Pelo contrário, no Vaticano sobem de dia para dia os “infiltrados” do Opus Dei, lobby que condicionou as movimentações dos cardeais no conclave para a eleição do novo Papa. Hoje, sabe-se que o polaco Karol Wojtyla deve o papado à estratégia conservadora dirigida pelo cardeal austríaco Koening, simpatizante da Obra, suspeitando-se que o mesmo terá acontecido com o actual Papa.

A “MÁQUINA DA SANTIDADE”
O Opus Dei não apresenta grandes alterações nos diferentes países onde se instalou. A “máquina de santidade” concebida em 1928 por Josemaria Escrivá, assume-se como inovadora a pré-conciliar a intervenção activa dos cristãos correntes no interior da Igreja Católica, dominada pelos eclesiásticos. Escrivá diz-se possuído de uma “inspiração divina” e fundou em Madrid uma organização que tem como objectivo “ser o caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos”. Segundo Escrivá, qualquer ser humano podia ser profissional da santidade, excepto as mulheres, mas em 1930 deu a mão à palmatória e abriu as portas da santidade ao sexo esquecido na candidatura aos altares. O Opus Dei é agora uma Prelatura, ou seja, uma diocese sem território, erigida em 1982 por João Paulo II.

A Obra impõe um “plano de vida” aos seus membros que são obrigados, diariamente, a meia hora de oração mental, de manhã e à noite, assistência à missa, visita ao Santíssimo Sacramento (sacrário sobre o altar onde se guardam as hóstias consagradas), leitura de textos bíblicos e de outros livros de espiritualidade, recitação do rosário (três terços), do Angelus (oração mariana do meio dia), diversas jaculatórias (interjeições religiosas como Santa Maria Mãe de Deus), e do exame de consciência à noite, onde se incluem perguntas sobre as preces da Obra e o espírito de proselitismo. É ainda obrigatória a confissão semanal, um dia de recolhimento em cada mês e um retiro espiritual todos os anos, com a duração de três a cinco dias. Estes últimos actos devem ser cumpridos no interior da obra e a confissão não pode ser feita a qualquer padre que não pertença à instituição. Também lhes é pedida a subvenção da Obra que passa pela entrega de quantias monetárias, em tudo semelhante ao dízimo.

Os numerários e agregados são outra categoria de membros do Opus Dei, porventura os de mais difícil reprodução. Além de lhes serem feitas as mesmas exigências que aos supranumerários (seguidores casados), conhecem imposições que os aproximam de figuras claustrais sem hábito, como o celibato apostólico, a permanência nos centros da Obra, e a mortificação corporal, que passa pelos tradicionais jejuns e abstinências e, aos sábados, pela auto flagelação e uso de cilícios – espécie de cinto áspero, de corda ou arame, aplicado sobre a pele. Aos numerários não lhes é consentido celebrar com as famílias as festas do Natal, Páscoa e Ano Novo. Há uma vigilância sobre os quartos, a correspondência, e o acesso a espectáculos públicos. Todos os proventos – intelectuais ou outros – são entregues à Obra, que por sua vez apenas lhes dá dinheiro para despesas mínimas. Os agregados não têm normalmente formação universitária nem vivem nas casas da Obra mas assumem os mesmos compromissos.

Além dos castigos corporais e da confissão, outra tarefa semanal é o encontro com o director espiritual, papel atribuído a um leigo designado pela estrutura. Se for caso disso, é proposta a “correcção fraterna”, que não passa de uma punição ou acto de contrição exigidos pelo director espiritual e que é um dos métodos de controlo das consciências no interior da Obra de Balaguer. Segundo testemunhos de dissidentes que circulam na Internet, estes métodos têm produzido enormes estragos no tecido mental dos membros.

 PADRES ESPECIAIS

Não é qualquer sacerdote que pode fazer parte do Opus Dei. Dentro dos numerários e agregados do sexo masculino que são escolhidos pelo Prelado criado por Josemaria Escrivá, os padres da Obra têm de pertencer à Sociedade Sacerdotal de Santa Cruz, criada pelo santo em Espanha, em 1943. A criação desta sociedade provocou uma onda de intrigas nos meios eclesiásticos espanhóis e do próprio Vaticano. A todos, excepto aos agregados, é exigido o doutoramento em ciências teológicas e civis e obediência exclusiva ao Prelado da Obra. Podem pertencer à Sociedade Sacerdotal padres associados diocesanos que desejem receber a formação tipo Opus. Esta é uma forma de difusão da Obra mas que não consente o contrário.
D. Alberto Cosme do Amaral, bispo emérito de Leiria, foi, antes de receber o episcopado, o primeiro padre diocesano a associar-se às estruturas da organização em Portugal. São cerca de meia centena os padres portugueses da Prelatura, cifrando-se a nível mundial nos 1800, incluindo diáconos. Dispersos pelos centros do Opus Dei, os padres fazem serviço de confissões e dão apoio aos tribunais diocesanos. 

COOPERADORES FAMOSOS

O Opus Dei tem a particularidade de designar como cooperadores homens e mulheres que não estando incorporados na Prelatura podem pertencer a diferentes confissões e religiões, designadamente protestantes, judeus, muçulmanos ou budistas, agnósticos e ateus. Não será entretanto fácil convencer quaisquer destes elementos a propiciar à Prelatura amor com obras ao Papa e aos bispos. Mas são mais vastas as actividades dos cooperadores no campo educativo ou de promoção social e cultural. A ajuda económica que possa vir destas pessoas é retribuída em indulgências, em tudo parecidas com as que foram “inventadas” pelo protestante Martinho Lutero, em orações, retiros e círculos. Em Portugal, Narana Coissoró, hindu, antigo vice-presidente da Assembleia da República, possui este estatuto.

A página do Opus Dei na Internet envia regularmente informação sobre as actividades da Obra, sendo mais de 50 mil o número de portugueses que recebem a newsletter elaborada pelos serviços de comunicação da organização no nosso país, embora os cooperadores sejam menos de quatro mil.

Os cooperadores colaboram nas actividades da obra e espalham o espírito da organização. Entre eles, estão nomes bem conhecidos da sociedade portuguesa, como Bagão Félix, os casais Eanes e Nogueira Pinto, Maria Barroso, Freitas do Amaral, Arlindo Cunha e Rui Machete.

 A LISTA NEGRA

A canonização e santificação de Josemaria Escrivá produziu uma das mais eficazes operações de marketing levadas a efeito sobretudo pela transmissão televisiva das cerimónias litúrgicas, realizadas no Vaticano. Mas a exposição mediática trouxe, por outro lado, a visibilidade das fragilidades. Amante mais do rigor do Direito Canónico que da investigação teológica, o Opus Dei mantém o tom conservador da eclesiologia dos anos 30 e, em matéria de liberdade de pensamento e consciência, continua a guardar o Index abolido pelo Vaticano II. Entre outras são lançadas à fogueira do Opus Dei as obras de Lutero, Lessing, Kant, Hegel, Brecht e Hans Kung, que são consideradas “mero lixo”.

“Os fiéis do Opus Dei são cidadãos que gozam dos mesmos direitos e têm as mesmas obrigações que os restantes cidadãos, seus iguais. Na actuação política, económica, cultural, etc., agem com liberdade e responsabilidade pessoais, sem envolver a Igreja ou o Opus Dei nas suas decisões, e sem apresentar esse modo de agir como o único compatível com a fé. Esta atitude exige respeitar a liberdade e as opiniões alheias”, assegura a “o Crime” Pedro Gil, assessor de Imprensa do Opus Dei em Portugal, não negando, no entanto, que são dadas “meras indicações sobre o que é boa ou má leitura».

Por Carlos Tomás ( jornal «o Crime»)