Arquivo de Fevereiro, 2013

23
Fev
13

NOVO PATRÃO DE SÓCRATES PERTENCEU À «MÁFIA DOS VAMPIROS» E GANHOU MILHÕES EM CONTRATOS ILEGAIS

SOCO anterior líder do Partido Socialista arranjou novo tacho numa empresa francesa, com sede na Suíça, envolvida nos negócios escuros do “Mensalão”, tendo lesado o Estado brasileiro em 800 milhões de euros. Em Portugal, durante o consulado de Sócrates, ganhou milhões em ajustes directos, ou seja, sem concursos públicos, à margem da lei detectados pelo Tribunal de Contas, um órgão que se tem mostrado impotente para processar as tropelias cometidas pelos titulares dos órgãos de soberania e empresas públicas…

 José Sócrates, parece continuar em “boas companhias”. Depois de desmontada a sua vida de luxo em Paris (França), incompatível com os rendimentos que declarou ao Fisco, foi apanhado outra vez numa situação nebulosa.

Regressado ao trabalho em janeiro último, depois de ter frequentado uma universidade da capital francesa, José Sócrates é agora presidente do Conselho Consultivo para a América Latina da Octapharma, uma multinacional francesa, sedeada na Suíça, com filiais em 37 países, incluindo Portugal. A empresa farmacêutica esteve envolvida num caso de corrupção, no Brasil, que ficou conhecido como a “Máfia dos Vampiros”.

NEGÓCIOS COM SANGUE HUMANO

Esta “máfia” esteve envolvida num esquema em que várias empresas de produtos derivados de sangue humano foram consideradas suspeitas de atuar em cartel, cobrando preços muito acima dos valores reais de mercado, o que originou o desvio de 800 milhões de euros dos cofres públicos.

A “Máfia dos Vampiros”, que envolvia altos funcionários do Ministério da Saúde brasileiro, deputados e o tesoureiro dos Partido dos Trabalhadores (PT) – Delúbio Soares, já condenado -, era uma das componentes do escândalo do “Mensalão”, um mediático caso de financiamento do partido de Lula da Silva, o ex-Presidente do Brasil que, no entanto, sempre negou ter conhecimento das tramoias dos seus camaradas.

Descoberto em 2004, o esquema escandalizou a sociedade brasileira, e o Ministério Público proibiu mesmo qualquer negócio entre as empresas envolvidas e os poderes públicos, no âmbito da investigação de um processo complexo que, ainda hoje, decorre nos tribunais, mas ainda sem fim à vista.

 

AJUSTES DIRECTOS LEONINOS

Curiosamente,por cá, a Octopharma facturou, por ajuste directo, cerca de seis milhões de euros a hospitais públicos portugueses na altura em que Sócrates foi primeiro ministro. Entre 2005 e 2011,o Hospital Ciurry Cabral e os centros hospitalares de Setúbal e Coimbra foram os principais clientes da multinacional suiça, com aquisições de plasma do sangue e derivados. O Portal da Despesa Pública que contem registos de todas as aquisições efectuadas pelas entidades afectas ao Estado, revela que a Octapharma realizou os maiores volumes de negócios com o Estado em 2010 e 2011: 1,01 milhões de euros e 1,9 milhões, respectivamente. Antes desses anos que culminaram a governação socialista, a facturação era bastante mais diminuta: mais de 595 mil euros em 2009, pouco mais de 35 mil euros em 2008 e um total de 2,4 milhões de euros registado como «sem data de contrato «e que dirá respeito ao período entre 2005 e 2007.O Tribunal de Contas investigou o fornecimento de plasma da Octapharma ao centro hospitalar de Setúbal. Em causa está um conjunto de ajustes directos, só no ano de 2009, no valor de mais de um milhão e meio de euros, tendo «furado» os procedimentos legais previstos na lei portuguesa que prevêm que apenas os contratos superiores a 350 mil euros devam ser remetidos para fiscalização prévia do Tribunal de Contas, o que em nenhum dos casos aconteceu.O curioso,é que apesar de recriminar e apurar os excessos cometidos pelos titulares de cargos públicos,deswconhecem-se as posteriores tramitações desencadeadas pelo tribunal de Contas no sentido de penalizar os excessos cometidos pelos titulares de cargos públicos.Ou seja, é uma espécie de máscara judicial criada como pilar da democracia…para enganar o povão, pois as suas denúncias não têm quaisquer efeitos práticos em termos judiciais…ou pelo menos, os processos arrastam-se durante anos e os prevaricadores ficam impunes.

A viver um período sabático no meio do maior dos luxos em Paris, Sócrates parece ter sido agora premiado pelos seus bons ofícios na intermediação nos fabulosos lucros obtidos em Portugal pela multinacional suíça farmacêutiva, um caso que deveria ser alvo de uma investigação por parte da procuradoria Gderal da República, agora em tempo de mudança desde que começou a «limpeza» geral de gente até então afecta ao PS e que muito silenciava e protegia as golpadas que caracterizaram o «consulado» de Sócrates, como foi o caso do processo do sucateiro de Aveiro, «amigo de peito» de Armando Vara ou mesmo de gente quer ficou intocável no escândalo Caso Pia, que «inocentou» figuras e figurões do partido da rosa.

15
Fev
13

CAMARATE : A ARMA E OS DOCUMENTOS DE AMARO DA COSTA DESAPARECERAM NOS DESTROÇOS DO CESSNA

O eurodeputado do CDS e presidente da VIII comissão de inquérito à tragédia de Camarate, Nuno Melo, afirmou esta quinta-feira que o ministro da Defesa, o centrista Adelino Amaro da Costa, “andava armado”, mas  a arma nunca foi encontrada, nem mesmo entre os destroços da queda do avião que o vitimou e ao primeiro-ministro, Sá Carneiro, a 4 de dezembro de 1980.

Na X comissão de inquérito, Nuno Melo explicou a sequência dos factos apurados na comissão a que presidiu e destacou uma cronologia: no início de 1980, a tutela de armamento regressa à esfera do ministro da Defesa, depois de ter estado nas mãos das chefias militares, designadamente, do diretor nacional de armamento.

Ao CM, Nuno Melo recordou que Amaro da Costa inviabilizou, então, várias operações de negócios com armamento: em Abril de 1980 para a Guatemala e em Agosto  para a Indónesia.

Mais, a “2 de dezembro pede informações com urgência sobre a venda de armas ao Irão”. Depois, a 4  de dezembro de 1980, ou seja, dois dias depois, um Cessna que transportava o ministro e o primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, cai no aeroporto da Portela. Ambos morreram, além de familiares e membros dos gabinete e tripulação.

A 5 de dezembro de 1980, lembra Nuno Melo, há registo, num livro com documentos classificados, dá –se conta que as operações com negociações de armamento voltam às  mãos do diretor nacional de armamento. Por fim, há ainda registos de 9 de dezembro e 21 de janeiro de 1981 da operação com o Irão.

Por isso, Nuno Melo sustenta que devem ser feitas diligências para ouvir chefias militares da época, responsáveis de armamento e também políticos para averiguar tudo que se passou em torno do Fundo do Ultramar.

A tese de que o móbil do crime que vitimou  Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa se relacionou com o tráfic9o de armas não é nova. Já em Junho de 1991,estevesem entrevista ao jornalista José Leite publicada no  semanário «o Diabo», José Esteves, o autor confesso e que deverá prestar depoimento nesta x Comissão de <inquérito, revelou que o tráfico de armas estava na origem do atentado de Camarate,citando já os nomes de Lee Rodrigues ( o homem que disfarçado de piloto da aviação entrou no aeroporto de Lisboa para colocar a bomba no Cessna),em Fernando Farinha Simões e no ex-agente da PJ, Vitor Pereira, actualmente «desaparecido» em combate, que terá sido um dos primeiros a chegar junto aos destroços do avião de onde se terá se apossado de uma mala contendo documentos importantes – provavelmente, aqueles que Sá Carneiro tencionava usar no comício no Porto da candidatura do general Soares Carneiro sobre o envolvimento de militares no negócio de venda de armas ao Irão. E com esses documentos também a arma que o então ministro da Defesa usava, desapareceu.

10
Fev
13

PORTUGUSES EXPLORADOS NA SUIÇA…SÓ AÍ?

zurique-na-suica-8Um deputado português denunciou a exploração de portugueses que chegam aos magotes a terras suiças, fugindo à miséria que grassa em Portugal, buscando em terras helvéticas modos de sobrevivência – quando se sabe, e nós mesmo já o pudemos constatar, que alguns desses emigrantes deparam com estas situações relatadas por Paulo Pisco, o tal político, tornando-se sem abrigo nas ruas geladas de Genebra quando as promessas com que os aliciaram não são cumpridas.

Pisco deveria era também referir-se ao que se passa por cá…onde à conta da crise, patrões exploram trabalhadores, chantageando-os com a possibilidade de, se não trabalharem a baixo custo ou com horários exagerados, a roçar a escravatura, os lançarem no desemprego, fechando as empresas.Os tribunais de Trabalho não funcionam – ainda recentemente se suprimiu uma secção no Tribunal de Trabalho de Lisboa levando à acumulação de centenas de processos,com julgamentos marcados para daqui a 4 ou 5 anos ,com o Governo passiano,ultra liberal ( ou de capitalismo desenfreado) a fechar os olhos a estas situações,enquanto as listas de desempregados vão engrossando… 

Na conclusão de uma visita à Suíça, em que se reuniu com representantes de sindicatos e outros membros da comunidade, o deputado socialista Paulo Pisco disse  que há «intermediários» a tirar partido do aumento da imigração portuguesa para a Suíça, retendo parte do salário dos contratados.

«Muitos recebem infinitamente abaixo daquilo que as convenções de trabalho na Suíça obrigam»,referiu o deputado.

Enquanto o salário estipulado nas convenções varia entre 25 a 35 francos suíços por hora, nalguns casos o vencimento real dos trabalhadores é de «menos de 10 euros» (12,3 francos) e até «menos de cinco euros» (6,1 francos).

«É uma situação de exploração laboral clara, que provoca um dumping salarial e cria problemas de natureza social. É uma infração a todas as regras e leis do Estado suíço e não é aceitável que este tipo de situações ocorra», adiantou Paulo Pisco.

Nalguns casos, são empresas de portugueses a «atravessar dificuldades», que contratam conterrâneos e acabam por explorá-los, noutros os responsáveis são «intermediários com patrões suíços ou que eles próprios tem negócios», de acordo com as denúncias que têm chegado aos sindicatos.

A construção é o sector onde se verificam mais destes casos, mas também há relatos noutros serviços, como a restauração, segundo o deputado socialista.

Pisco exortou o governo a abordar as autoridades suíças para que sejam criadas «comissões mistas com inspeções do trabalho, colaboração entre autoridades policiais, para que este tipo de redes de exploração de portugueses pudesse vir a ser desmantelado».

Além de serem negativos para as pessoas afetadas, estes casos prejudicam também «a imagem da comunidade» e «embaraçosa para Portugal», envolvendo violação das leis por portugueses.

Um ano depois de ter constatado in loco os «indícios» da situação, «não há uma resposta por parte das autoridades portuguesas, a nível consular».

«O Consulado não tem capacidade de resposta, não tem funcionários suficientes (…) não sai do seu edifício, não tem uma preocupação de natureza social para que este tipo de problemas possa ser resolvido. É importante que as autoridades mudem um bocado de atitude», afirma Pisco.

Segundo o deputado socialista, a criação recente de grupos mistos permitiu solucionar questões semelhantes na Espanha e Holanda.

Em Nauchatel, Genebra ou Zurique, «todos os portugueses falam» da exploração de trabalhadores, uma «situação excessivamente presente».

Segundo o deputado socialista, o mais recente fluxo migratório para a Suíça inclui parte substancial de diplomados, como arquitetos ou engenheiros, que muitas vezes acabam a trabalhar na «restauração, limpeza ou agricultura».

04
Fev
13

ULRICH, A MULHER E OS AMIGOS QUE SÃO PARA AS OCASIÕES….

                                                                                                   Fernando-UlrichUma investigação feita ao passado familiar de Ulrich deixou-nos com a resposta do “ao aguenta, aguenta”. A esposa de Ulrich estava numa carreira de jornalista quando entrou para o PSD onde desempenhava funções, desde 1979, na gestão do Gabinete de Comunicação desse mesmo partido.

Em 2011 integrou um gabinete semelhante, mas na Presidência da República, conforme se pode comprovar por  esta informação do Dário da República 

Esposa de Fernando Ulrich trabalha no Governo desde 2011, e também “aguenta”

No final do ano passado, Ulrich informou os Portugueses que Portugal “aguenta” mais austeridade. Há alguns dias, afirmou que “se os Gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os Portugueses não aguentariam porquê”.E,mais recentemente, também se «notabilizou« ao referir que se os «sem abrigo« aguentam o povo português também…
O presidente do Banco que teve lucros em 2012 na ordem dos 249 milhões de Euros e que a esposa trabalha no Governo com um ordenado acima da média dos Portugueses, não pode comparar os Portugueses em dificuldades com a vida que lhe pode acontecer, pois não há comparação possível.E vale a pena lembrar que o banco dirigido por este senhor se tem também destacado a «ajudar» o governo na compra da dívida pública a juros aliciantes e com eventual choruda rentabilidade a prazo – é caso para dizer,os amigos são para as ocasiões…

04
Fev
13

A ESTRATÉGIA JÁ VEM DE LONGE….

CORTEDiálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:

Colbert: – Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino: – Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado… é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: – Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criámos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: – Criando outros.
Colbert: – Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: – Sim, é impossível.
Colbert: – E sobre os ricos?
Mazarino: – Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: – Então como faremos?
Mazarino: – Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer, e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!

02
Fev
13

NA MORTE DE JAIME NEVES: «ERA UM FASCISTA? POBRE GENTE NÉSCIA…»

 imagem-jaime-neves-antiga                                                                                                   Conheci Jaime Neves no dia 25 de Abril de 1974: estive na sua “Chaimite” que comandou o cerco quartel-general da Legião Portuguesa, em Lisboa. Por isso testemunho, tendo estado fisicamente nos lugares, que Jaime Neves foi um dos “capitães de Abril” e afirmo que aos capitães de Abril devo não ter sido preso pela PIDE/DGS pela terceira vez: eu seria um dos sessenta detidos a 28 de Abril, nas chamadas prisões preventivas do Primeiro de Maio. A bernarda evitou-o.

Conto: estive no Largo do Carmo, onde assisti à rendição de Marcelo Caetano, cercado pelas tropas comandadas por Salgueiro Maia. Fora acordado às cinco da manhã por um telefonema do António Fradique Caldeira: “ouve a rádio”. Saltei da cama e corri para a Calçada dos Barbadinhos (aí morava então), passei diante do quartel de Sapadores e deparei com o bom do Lamego – com quem estivera preso em Peniche – em pleno encontro clandestino. Coisas! Dei-lhe um encontrão com um braço: “Vai já para casa. Está a decorrer um golpe de Estado!”, avisei-o. E segui para a Baixa lisboeta.

Civil empedernido, temia que as ruas fossem tomadas pelos ultras de Kaúlza de Arriaga – havia rumores de que ele preparava um movimento militar. Fiquei tranquilo quando me apercebi de que a sedição era de sinal contrário. E nela mergulhei de cabeça: afinal, andara, três dias antes, a distribuir, à sorrelfa, comunicados de um apelidado Movimento das Forças Armadas que me tinham chegado às mãos – “Imaginem um governo com o Spínola, o Mário Soares, o Sá Carneiro, o Álvaro Cunhal…”. Era um delírio surrealista! Por causa dessas e doutras, muita gente se convenceu de que eu estive envolvido na Abrilada. Não estive, nada tive a ver com “aquilo”.

Na Baixa, no Rossio e já com o primo da minha mulher, o Tó, deparei com a coluna de Jaime Neves, que seguia para a Legião. Cavalguei-lhe para a carlinga do “Chaimite”… e ficámos amigos desde então. Não fui trabalhar nesse dia para a redação da Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, que ficava na Rua António Maria Cardoso, mesmo em frente da sede da PIDE! Mais tarde soube do desespero do Peixoto, o “patrão”, que lá se metera, convencido de podia assistir à capitulação da polícia política salazarista. “Tirem-me daqui!”, caguinchou  ele ao telefone, quando começaram os tiros. Coitado: era tio do José Luís Feronha, que fora meu companheiro na Cadeia de Peniche, meu colega no “Comércio do Funchal” e razão pela qual acabara por transformar a Enciclopédia num antro de subversão – com o Joaquim Pinto de Andrade, o Ilídio Machado, o David de Carvalho (chefe de redação e uma espécie de “patriarca” do anarco-sindicalismo) e outros.

Voltei a encontrar-me com o Jaime Neves pouco depois do 11 de Março, desabafando das dúvidas que me assaltavam. Eu liderara então – respondendo a um apelo da AOC – a barricada em Sacavém, às portas onde alguém disse ter sido encontrada uma carrinha funerária carregada de armas! Nada mais falso. Essa carrinha nunca existiu. Indignado com a mentira, dirigi-me à redação do “O Século”, que propagou a aldrabice: “estão a considerar-me charlatão?”, interpelei um camarada, militante do Partido Comunista. “Que eu tinha que compreender as necessidades da propaganda…”, explicou-me ele. Resolvi romper com aquela “esquerda”: não era esse o meu caminho. Para mim, só a verdade seria revolucionária.

E narrei o episódio ao Jaime Neves, que se indignou com a atoarda reles. Apoiou-me: “vai em frente”. Foi essa a razão de começarmos a virar as costas ao PREC: tínhamos de travar “aquela coisa”, mesmo que tivéssemos que vender a alma ao diabo. Anos mais tarde, consideraram-me (erradamente) ex-comando. Eu fiz a campanha eleitoral do general Soares Carneiro. Fui eu quem, num restaurante em Setúbal, lhe transmitiu a notícia da morte de Francisco Sá Carneiro: “Aconteceu uma desgraça, meu general. O Cessna caiu”. Ele primeiro não acreditou. Mas logo depois veio a confirmação dada por um telefonema para o Dr. Carlos Macedo. As lágrimas rolavam-me cara abaixo. “O que se passa? O que se passa?”, perguntavam-me. Eu, nada. Batiam-me amigavelmente no dorso: “Um comando não chora”. Fiquei com a fama.

Jaime Neves riu-se dela: “Então, agora és comando?”. Eu nunca fizera tropa… considerado “indigno” do serviço militar pelo tribunal plenário de S. João Novo, no Porto, que me condenou a três anos e meio de prisão mais medidas de segurança (foram, ao todo, cinco anos) por “atividades subversivas contra a segurança do Estado”… eu era contra a guerra colonial, a favor das independências dos territórios africanos.

Encontrávamo-nos de quando em vez, Jaime Neves e eu, sempre que ia a Lisboa. Até que mandei às malvas a RDP, cansado e magoado pelas canalhices políticas de administradores que devem responder publicamente pelas pulhices que cometeram, zarpei de Portugal definitivamente. Até que Jaime Neves faleceu. Gente sem memória, considerou-o fascista. Pobre gente, néscia, desconhecedora das coisas…  

Nuno Rebocho