Arquivo de Fevereiro, 2012

29
Fev
12

IGREJA GASTA MILHÕES EM PROJECTO MILIONÁRIO DE COMBATE À PEDOFILIA

Onde se recordam casos de abusos envolvendo elementos e instituições da Igreja em Portugal. À baila, ressalta uma reportagem  sobre o «silêncio das sotainas» no Seminário de Beja e a história de um capelão do Santuário Fátima preso no Basil por algemar um  jovem, forçando-o a práticas sexuais

Passou praticamente despercebido: a Igreja Católica apresentou durante uma conferência realizada em Roma, no passado dia 9, um projecto milionário que tem por objectivo o recurso à internet no combate à pedofilia.

Através de uma página na internet, em várias línguas, são apresentados vários conselhos e faz-se acesso a pesquisas sobre pedofilia e como reagir a um assédio.Foi também criado o site  “Centro para a Proteção Infantil”, com a colaboração de universidades e instituições médicas em alemão, inglês, francês, espanhol e italiano.

O objectivo visa ajudar clérigos a erradicarem a pedofilia de suas igrejas em todo mundo e a protegerem os menores de potenciais abusos. Durante a conferência, o padre François-Xavier Dumortier esclareceu que o projecto teve um custo de 1,2 milhão de euros (1,6 milhão de dólares). Brendan Geary, da ordem dos Irmãos Maristas referiu que a Igreja iria começar a ouvir as vítimas e escutar suas experiências. «Asseguramos que a Igreja tenha os mais elevados padrões para a protecção das crianças», acentuou.

A lógica desta iniciativa parece relacionar-se como uma resposta dada pela Igreja Católica às crescentes denúncias de abusos de menores cometidos por padres.Uma associação de vítimas de abusos  chegou mesmo a acusar este evento de ser apenas uma espécie de fachada promocional e que o Vaticano deveria entregar ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, toda a documentação que possuir sobre os abusos, informou a Reuters.

A associação reforçou a acusação que membros do alto clero da igreja acobertam crimes de pedofilia, a fim de proteger a imagem da igreja. Segundo os dados que consultámos, entre 2001 e 2011 foram promovidas cerca de 3 mil acusações a  padres pedófilos. O próprio  Papa, Bento XVI foi acusado em Março de 2003 de ter  acolhido um padre pedófilo quando era arcebispo de Munique, para que fosse tratado num hospital psiquiátrico

Bento XVI chegou a reconhecer, em declarações durante audiência com bispos americanos que visitaram o Vaticano no final do ano passado, que a pedofilia é um «flagelo» para a sociedade e que as décadas de escândalos de membros do clero abusando de crianças deixou os católicos aturdidos.

Estima-se que o valor das indenizações e o custo ligado às investigações,   julgamentos e aos tratamentos das vítimas tenha levado a Igreja Católica a desembolsar 2 bilhões de dólares,

Uma comissão investigadora independente da Holanda, a Deetman, divulgou este mês  que milhares de menores foram vítimas de abusos sexuais em instituições da igreja católica no país entre 1945 e 2010.A instituição afirma que a pesquisa foi realizada com 34 mil holandeses, católicos ou não, após 1,8 mil reclamações de abusos por parte dos religiosos. Com os resultados apurados, estimam que entre 10 e 20 mil menores tenham sido vítimas.O número equivale a estimativa que uma em cada cinco crianças holandesas sofreram algum tipo de abuso sexual.De acordo com o relatório, os casos eram “conhecidos pelas ordens religiosas e pelas dioceses da Igreja Católica holandesa”, que não “tomou atitudes adequadas” e aconteciam em escolas, seminários e até orfanatos católicos.Foram identificados 800 padres, pastores e outras pessoas ligadas à Igreja como suspeitos de cometerem abusos. Pelo menos 105 delas ainda estão vivas, mas não está claro se ainda ocupam cargos na Igreja.

Padre pedófilo preso no Brasil foi capelão em Fátima

Em Portugal, a sensação que existe é muitos casos de abusos envolvendo elementos e instituições ligadas à Igreja estão no segredo dos  deuses, ou seja, confinados aos locais onde os abusos são praticados.Em muitos casos, os crimes ocorrem em lugarejos recônditos onde a denúncia esbarra com a vergonha social demonstrada pela vítima e os seus familiares que vêm na Igreja  e o seu «serventuário»figuras  intocáveis.Mas um dos maiores escândalos ocorreu em 2010, quando se soube que um padre estrangeiro detido no Brasil por ter algemado e obrigado um adolescente a práticas sexuais foi capelão durante um ano no Santuário de Fátima. A informação foi confirmada pela Diocese de Leiria-Fátima,.

Marcin Strachanowski, 44 anos, foi detido no Brasil, por determinação de um Tribunal de Bangu, no Rio de Janeiro, acusado de ter algemado um jovem de 16 anos a uma cama, obrigando-o a praticar sexo oral, depois de o despir, na casa paroquial da Igreja do Divino Espírito Santo de Realejo.

O silêncio das sotainas

Um caso relatado pelo jornalista Alte Pinho no semanário «o Crime» levou-o à descoberta da cumplicidade de sectores da Igreja Católica Apostólica Romana com as perversões, desejos e práticas abjectas de «gente de boas famílias» tendo por palco o Seminário de Beja Foi num período que se seguiu ao 25 de Abril – mas onde já o poder do latifúndio havia regressado, após o sobressalto do PREC, ainda mais arrogante, à planície alentejana -, mas que criou marcas indeléveis nos locais onde ocorreram e nas memórias das vítimas.

Segundo o jornalista, durante anos o Seminário de Beja escondeu vícios privados e ostentou públicas virtudes. Senhores muito beatos da região estenderam a sua «caridade» à inocência e à miséria de meninos pobres que ficaram marcados para toda a vida. O manto protector das sotainas, ainda na altura da investigação – decorridos tantos anos das iniquidades -, foi cúmplice de silêncios imemoriais. A religiosidade do povo alentejano, aos poucos e timidamente, procurava resgatar Cristo da ignomínia de seus ardentes devotos.

Transcrevemos o escrito, brilhante e desassombrado de Alte Pinho baseado em dados colhidos no local. Um caso mergulhado no esquecimento e que bem poderia ter dado lugar a uma história escandalosa com contornos semelhantes ao processo Casa Pia…ou não tivesse a instituição em causa grandes poderes na sociedade portuguesa…

«A cidade recebeu-nos prazenteira e simpática à nossa circunstância de forasteiros. O povo alentejano é caloroso, sendo a sua abertura reconhecida por todos os que demandam a essas bandas. Há, no entanto, alguns «códigos» que devem ser respeitados e a sua intimidade dificilmente é exposta à curiosidade dos forasteiros, principalmente quando se trate de jornalistas. Há alguns esqueletos guardados no armário que a patine do tempo teima em fazer esquecer. E há uma mágoa guardada, bem escondida na vergonha sentida e marcada – como ferrete – do passado.

«O latifúndio não foi, para os alentejanos, um mero sistema de desigualdade e injustiça na distribuição de propriedade a sul do Tejo. Foi mais que isso. Constituiu um punhal cravado na honra de cada homem e de cada mulher que, juntamente com a terra, eram propriedade de senhores poderosos. Não muitos decénios atrás, ao senhor da terra assistia uma espécie de direito ancestral a «tirar o cabaço» às raparigas. Para além da força de trabalho extenuada à jorna de sol a sol, a entrega tinha de ser total: a virgindade das moçoilas também havia de ser parte do inventário, da arrogância e da vaidade do agrário.

«E importa falar desses tempos para que se perceba toda a lógica de silêncios e cumplicidades que medra, ainda hoje, em terra alentejana. Uma terra e um povo de grande religiosidade, ao contrário do que possa parecerem pela redutora análise política de movimentos sociais e influências ideológicas. Ao mesmo tempo, uma sólida consciência anticlerical perpassa a mente da maior parte das gentes, fruto de uma memória histórica que cola o clero à sombra das benesses doa poderosos e à guarda conveniente e afagadora dos poderes públicos. Salvo raras excepções, os padres não são benquistos das gentes alentejanas.

«Em fim-de-semana tórrido de quase vinte anos atrás, Filipe (nome fictício) deixa as vetustas paredes do seminário para, com a alegria da sua puberdade inocente, ir passar o dia a casa de um benemérito, pessoa muito ligada à Igreja e à caridade, assim uma espécie de protector de órfãos e desvalidos… Na herdade, a poucos quilómetros de Beja, quem vai para a aldeia de S. Brissos, esperam-no iguarias e senhores simpáticos… Apesar de lhe tocarem “nas partes” e lhe darem beijos repenicados e insistentes, o miúdo nunca nessa altura percebeu ser ele – e não os pratos servidos no repasto – a iguaria.

«Só tomei consciência de tudo quando, já adolescente, me apercebi que o carinho e afecto dos adultos não deve ter expressões dessas nas crianças», disse-nos Filipe. Ainda hoje, largado o seminário «por inexistência de vocação», casado e pai de filhos, este homem tem dificuldade em lidar com os seus medos, com esse lado obscuro de um passado que lhe roubou a inocência. Nunca mais passou junto à herdade, que entretanto mudou de proprietários, e dificilmente nas suas idas a Beja consegue olhar, sem que uma lágrima lhe aflore o rosto, as paredes de uma sobriedade ostensiva em que se ergue o Seminário Diocesano de Nossa Senhora de Fátima (assim se chama com todas as letras, em rigor da verdade). É que, dentro dessas mesmas paredes, desses muros de silêncio cúmplice, foi também alvo da rapina libidinosa de quem usava «em vão o nome do Senhor» …

Na cidade comentava-se na altura – e, ao que sabemos, ainda hoje -, esse passado negro da instituição secular e recordam-se os silêncios dos vários poderes. E ainda se falava das actividades de um sacerdote, responsável por uma instituição de acolhimento de estudantes, que continuava – qual predador -, pesem embora os escândalos de pedofilia que, à época, assolavam a capital, a perseguir jovens e a seduzir meninos a troco de prendas, comprando a sua inocência e a sua pobreza. Todos sabiam, todos calavam, todos eram cúmplices voluntários ou involuntários. A começar pelas autoridades, a quem essas actividades não eram alheias, mas que cobarde e criminosamente continuavam a olhar para o lado.

Pedro (nome fictício) também conheceu a herdade e, como Filipe, saltitou a sua inocência no regaço dos senhores. Confrontado com factos, datas, locais e práticas que só quer esquecer, reagiu com um choro compulsivo e quase silencioso, ao mesmo tempo que seu corpo se via possuído de um tremor antigo feito de vergonha e de dor. Continua ligado às coisas da Igreja, não seguiu o sacerdócio porque, por altura da adolescência, a sexualidade despertou abrupta e vivificada – regeneradora mesmo – nos amores clandestinos de uma senhora mal casada. Separações consumadas – a dela com o marido, a dele com o passado -, partilhavam um pequeno apartamento na margem sul do Tejo, mesmo ali em frente ao elefante branco que foi a Lisnave. Pedro não fala, mas procura resgatar Cristo dessa ignomínia despudorada de sacerdotes que escondem velhos segredos pecaminosos na franja das sotainas…

O então – à época da nossa investigação – reitor do seminário de Beja, padre Manuel Rosário, disse-nos: “Há dez anos atrás encontrava-me no estrangeiro”. Curiosamente, ao contrário de parte substancial do povo da velha urbe alentejana, desconhecia “por completo o assunto”… E esta posição, ao mesmo tempo cautelosa e contraditória, ilustrou a mundivivência da cidade e os silêncios que lhe subjazem. Em privado, longe de um comprometedor gravador ou de uma inconveniente máquina fotográfica, todos eram unânimes em ratificar histórias de abusos e vilanias. Mas calavam em público – numa cumplicidade negligente – o que era de seu foro privado, de conversas em família, ou em tertúlias de cafés da baixa.

A cidade de Beja, palco de tantas irreverências revolucionárias, calava-se à ignomínia maior do rasgar das inocências e do desflorar das alegrias soltas desses filhos do povo que nunca foram meninos. Pior do que a instituição latifundiária, causadora de tanta fome e de tanta dor, é essa memória antiga que todos – os das esquerdas e os das direitas – teimam em esconder nos armários.

A sociedade alentejana, cremos, só se livrará do espectro lúgubre dos esqueletos que transporta na sua história quando, algum dia, se libertar do silêncio cúmplice de seus vícios privados. Vai para dez anos – quando com eles falamos -, Filipe e Pedro foram os primeiros heróis dessa missão histórica…».

28
Fev
12

O ESTADO DA NOSSA INSEGURANÇA MALTRATA E DESARMA POLÍCIAS

 

Três notícias no ‘Correio da Manhã’ de ontem, segunda-feira, dizem tudo e fazem uma síntese perfeita do estado a que chegou o Estado da nossa (in)segurança. Do estado de degradação e avançado desmantelamento dos aparelhos da segurança pública. Da nossa segurança. Que o Estado é suposto garantir mas que os políticos (com a cumplicidade da generalidade dos media) têm estúpida e criminosamente maltratado e desarticulado.

Refere um dos artigos publicados pelo «CM» que nos últimos 20 anos morreram em serviço 30 elementos da PSP e, em média, por dia, três polícias são agredidos. Um outro texto, aborda a ocorrência que vitimou dois agentes da PSP: no primeiro caso, um policial que abordou uma dupla suspeita de roubos de gás e combustível evitou a custo ser gravemente colhido pelos fugitivos. Numa outra situação, um chefe da PSP foi atropelado por um condutor alcoolizado quando seguia de bicicleta. Por último, uma questão grave social que tem lugar na GNR:  militares sem dinheiro para pagar a água e luz e a pedir comida aos familiares, devido aos cortes nas remunerações na Função Pública e ao aumento generalizado do custo de vida, fazem disparar os empréstimos nos Serviços Sociais. Só no passado mês de Janeiro foram solicitados financiamentos num total de um milhão de euros.

São factores que levam à desmotivação das autoridades, ao aumento dos suicídios entre esta classe, uma política que põe em causa uma das normas constitucionais mais sagradas: o de se garantir  a segurança e justiça. Se o Estado se mostra incapaz de garantir aos cidadãos este seu compromisso – porque, à cause da troika que obriga a cortes radicais e ceguetas de dinheiros públicos – negligenciando dotar as forças de segurança com os meios necessários, não apenas logísticos mas de sustentabilidade económica aos seus elementos, não tarda que sejam os próprios cidadãos a tomar medidas para  garantir a sua segurança e também a justiça.O caso do ourives de Benfica que enfrentou quatro assaltantes a tiro de pistola pode ser um desses sintomas a esquentar na «panela de pressão» da revolta social.Que pode estender-se desde as autoridades ao povo  cada vez menos sereno.  «Às Armas, cidadãos!» foi o lema da Revolução Francesa  que deu novas formas de pensar ao Mundo. Alguém que avise, urgentemente, o ministro da Administração Interna, o da Justiça, o da Defesa, o PM e o PR. que a «revolução» e o apelo literal às armas pode estar em marcha. Eles que se mexam antes que isto dê para o torto. Mesmo para o muito torto. Estão avisados… Depois não se queixem.

26
Fev
12

RTP «LAVA» MAIS BRANCO – Ó Herman,Ó Herman, Paco à vista…

Canal público pago escandalosamente pelos impostos do contribuinte, «esmera–se» em privilegiar entrevistas com «figurões» a contas com a justiça  

Voltamos à carga sobre a RTP 1,indignados que estamos com recentes critérios  editoriais ( se é que os há…) que nada têm a ver com o serviço público : nos últimos dias, assistimos ao branqueamento da imagem de indivíduos a contas com crimes graves. Com lágrima ao canto do olho, Afonso Dias, o suspeito de raptar o menor Rui Pedro, de Lousada – e que escapou por uma unha negra de ser linchado pela turba que o esperava à saída do tribunal que o ilibou surpreendentemente desse crime – aproveitou a oportunidade dada pelo canal público, para, na presença do advogado, reiterar a sua inocência, sublinhando que até era amigo da «madrinha», mãe do menor desaparecido, que compreendia a sua dor, que nada sabia do paradeiro do jovem que supostamente terá levado a uma prostitutas que julga estar vivo ( era bom que explicasse a razão de ser desta sua suposição). Naturalmente uma «cacha» televisiva, que, esperemos, possa ( e deva) ser complementada também com uma entrevista à mãe, que saiu do tribunal lavada em lágrimas e que teve de ser internada no hospital horas depois e  que há catorze anos espera por justiça, talvez a divina, pois a humana há muito que deixou de acreditar… logo a partir do dia em que o filho desapareceu e em que a Polícia Judiciária revelou graves incúrias e desleixo em seguir as pistas imediatas que estiveram ao seu dispor e que descurou.

Ainda mal refeitos desta entrevista lamechas a um indivíduo que luta contra a pressão social que o diaboliza, eis que no sábado à noite tivemos Paco Bandeira como figura central no programa do Herman ( esse que também luta contra a inevitabilidade de cair no ocaso mediático, pois há muito que deixou de ter graça, curiosamente a partir da altura em que se viu enredado no processo Casa Pia).

Como se sabe, o cantor do «Ó Elvas, ó Elvas…» está a ser julgado num processo por violência doméstica perpetrada contra a ex-companheira. acusado também de posse de arma proibida. Na origem do processo está uma denúncia feita não pela ex-companheira – que terminou a relação em Abril de 2009, depois de 12 anos de vida conjunta – mas por uma assessora do Gabinete de Apoio à Vítima de Lisboa, que data de Abril de 2009.

Na base da denúncia estão relatos de insultos e ameaças de morte (algumas feitas por escrito por Bandeira nas paredes da casa onde o casal vivia, em Oeiras), que levaram a que o Ministério Público ordenasse buscas à residência e automóveis do músico. Durante essas buscas, a polícia apreendeu duas armas de fogo (uma delas com licença caducada) e algumas munições – uma dessas armas será a que a primeira mulher do cantor usou para cometer suicídio, em 1996, um caso que volta agora à baila, pois a família da suicida(?) tenta reabrir o processo. Na memória deste articulista surge avivada uma cena que teve lugar nos anos noventa na casa de Sintra de Paco, dias depois da morte da mulher, a tentar explicar, em tom meio ameaçador, as motivações que terão levado a mulher a pegar numa pistola (será uma das armas agora apreendidas ao músico?) providencialmente deixada na mesa de cabeceira ao lado da cama onde desferiu o tiro fatal. Isto depois de ser ter visto devastado pelas criticas do irmão da vitima residente em Elvas, o qual nunca deu, nem continua a dar, muito crédito à tese do suicídio. Como os amigos são para as ocasiões, já tinha sido assim com Carlos Cruz, o bom do Herman tudo fez para lavar a imagem e a alma do músico a braços com uma situação complicada com a justiça, publicitando as suas músicas e até um livro de que foi autor. Guardo de Paco Bandeira, com quem me cruzei várias vezes ao longo dos últimos anos, a ideia que se trata de uma figura algo enigmática, misteriosa, com dupla personalidade, ora afável, ora ríspido e truculento. No programa do Herman, aquilo que ressaltou foi a figura de mais um injustiçado – uma palavra ali usada por várias vezes, incapaz de matar uma mosca – veja-se o cuidado de Paco em dizer, em tom irónico, que não interferia na educação dos netos, pois isso poderia se interpretado como violência. De vómito, sem dúvida, ver um canal público, pago pelos impostos do contribuinte, a servir interesses esconsos, opostos ao serviço público que deveria nortear a sua existência Quem se segue na lista dos «branqueáveis? Aposto que vai ser Bashar al-Assad, talvez para explicar que o genocídio em curso na Síria é uma medida profilática visando implantar a democracia.

24
Fev
12

QUE INTERESSE JORNALÍSTICO LEVA A RTP A REVELAR OS PREÇOS ACTUAIS DA «COCA» NO MERCADO?

Geralmente, as polícias que combatem o narcotráfico têm sempre algum pudor e precaução em revelar aos jornalistas os valores actuais dos preços dos vários tipos de droga comercializados no mercado. E a generalidade dos media também se recusam a fazê-lo, entendendo que essa referencia pouco traz de relevante para a notícia. Estas cautelas entendem-se. Revelar os valores da actualidade de mercado da droga pode dar um sinal importante para o «mercado», quer para os «dealers»,quer para os «correios» que assim podem regatear os valores que lhes oferecem para efectuar o transporte, para os consumidores que assim têm uma referencia do preço dos «cortes» que lhes propõem vender, quer ainda para  os «fabricantes» que assim podem fazer evoluir as tabelas das vendas segundo os preços e a procura nas varias zonas do Globo onde disseminam este comércio da morte.

Posto isto, não percebemos que interesse terá evado o canal público RTP, através da jornalista Sandra Felgueiras, a interessar-se em revelar os preços do quilo da «coca» no mercado português ao entrevistar um «correio» detido no programa Grande Reportagem,anunciado com grande pompa e insistente promoção, para hoje,sexta feira, à noite. Custa perceber, e é mesmo escandaloso, que um canal público, ou seja, pago por todos nós, e por isso deveria redobrar as cautelas nestas questões, aja desta forma sem controlo editorial ( pelos vistos, a direcção editorial da RTP/Antena 1 só se preocupa com os efeitos das noticias do canal nas questões angolanas que a leva a suspender programas…) fornecendo indicações preciosas para o tráfico da droga, como seja, a revelação do preço actual de mercado de um  quilo de cocaína. Que interesse terá em se saber que o «correio» levou 4 mil euros por transportar 1,5 quilos de cocaína ao preço x, só para enquadrar um a teoria absurda que o mesmo arrisca a liberdade por um valor ínfimo se comparado com os lucros extravagantes obtidos pelos traficantes? Sempre pressurosa em intervir como arma censória nos factos mais comezinhos da actividade dos jornalistas em Portugal, seria interessante ver a Entidade Reguladora para a CS ( também bem paga pelo contribuinte com prebendas acima da média do funcionalismo público) pronunciar-se sobre este despautério do canal público. Ou será que entende que a RTP prestou um relevante acto de interesse público em revelar os preços da droga nestes tempos de crise?… talvez, ironizando, se pensarmos melhor, atendendo aos altíssimos valores com que são comercializados estes «produtos», talvez esteja aqui uma das pontas para minorar a crise…com a prestimosa colaboração de um canal visto por milhares de telespectadores…

23
Fev
12

PROCESSO CASA PIA: RELAÇÃO INSENSÍVEL ÀS PRESSÕES MANTEVE CONDENAÇÃO DOS ARGUIDOS, COMPROMETENDO «CAMPANHA SUJA» DE MÁRIO SOARES EM PROL DE CRUZ

 

O Tribunal da Relação manteve no essencial as penas da 1ª instância aplicadas aos arguidos do processo Casa Pia. Apenas anulou o acórdão respeitante aos crimes cometidos na casa de Elvas e mandou repetir o julgamento apenas nesta parte. Assim, enquanto não forem apreciados estes factos, o TR condenou Carlos Cruz a seis anos de cadeia em cúmulo jurídico por dois crimes de abuso de crianças, suspendendo a pena a aplicar a este arguido no caso de Elvas, em que o antigo apresentador argumentou nulidades e discrepâncias respeitantes às datas em que foi acusado de ter cometido os abusos sobre menores; o advogado Hugo Marçal viu também a pena de prisão ser suspensa; quanto ao ex-Provedor da Casa Pia, Manuel Abrantes, foi condenado a 3 anos de prisão; o embaixador Jorge Ritto ao cúmulo de 5 anos e 9 meses de cadeia; o médico Ferreira Diniz a 7 anos de prisão; e Carlos Silvino viu ser baixada a pena dos 18 para os 15 anos.

Manuel Matias, o advogado que defende os interesses da Casa pia, mostrou-se satisfeito com o acórdão hoje proferido pelo Tribunal da Relação, considerando que o mesmo «é uma vitória para as vítimas», sublinhando que no caso da suspensão da pena a aplicar aos crimes cometidos na casa da Dona Gertrudes, em Elvas, a decisão dos desembargadores viu confirmada aquilo que ele própria tinha arguido no seu recurso.

De relevar esta decisão do colectivo de juízes do TR presidido pelo desembargador Rui Rangel, que se mostrou insensível às pressões vindas de fora, nomeadamente, às posições assumidas por Mário Soares, que acreditou na inocência dos arguidos, ou  do jornalista Henrique Monteiro, ex- director  do «Expresso», que reportou um almoço que teve com Carlos Cruz e que, no final do mesmo, face aos argumentos expostos pelo antigo apresentador, ficou com a convicção que o mesmo estava inocente. Aliás, ao comentar para o «Crimedigoeu» a sentença da Relação, Pedro Namora, um dos denunciadores do processo, sublinhou que o mesmo  confirmou as denúncias e o sofrimento das vítimas, comprometendo a «campanha  suja nos últimos tempos desencadeada pelo antigo presidente da República».

Os arguidos vão manter-se em liberdade, sem que lhes tenha sido aplicada qualquer medida de coacção, até ser conhecida a decisão final da repetição do julgamento no tribunal de 1ª instância relativa aos factos relacionados com a Casa de Elvas. Portanto, se um ou mais arguidos se quiser pôr ao fresco – um deles já o tentou, segundo revelou um dos investigadores da PJ ainda estava o processo a dar os primeiros passos – começou a luta conta o tempo antes de irem parar ao cárcere, onde os espera um ambiente pouco tranquilo devido ao «código de honra» nas prisões, que penaliza e muito os condenados por actos de pedofilia.

22
Fev
12

O ESCÂNDALO DAS NOMEAÇÕES NA «SINAGOGA» DO SR. VIEGAS

Um motorista contratado num SPA e que não tinha carta, uma senhora especialista em Resíduos Urbanos da CML que vai tratar dos pombos no Teatro D Maria II, uma adjunta que aufere pouco menos de 5 mil euros e que no passado punha endereços em cartas e fiscalizava lojas de fotocópias. Assim vai a «judiaria» da SEC do sr. Viegas

A Cultura deixou de ter um Ministério próprio, mas, a atentar ao número de nomeações feitas, esta secretaria de Estado «capitaneada» por Francisco José Viegas

( antigo jornalista do «Independente», da «Visão» e escritor, que se tornou também conhecido por ter abandonado o catolicismo e converter-se ao judaísmo, religião dos seus inúmeros antepassados em Vila Nova de Foz Côa , não sabemos se remontam aos tempos dos dinossauros expostos na arte rupestre das rochas  da barragem…)

assume-se como uma máquina pesada e sorvedoura de dinheiros públicos.

Na pagina da internet http://www.portugal.gov.pt/PT/GC19/GOVERNO/NOMEACOES/SEC/Pages/Nomeacoes_SEC.aspx  

pode ser consultada uma vasta lista de nomeados para a SEC, a qual está desactualizada em função de mais nomeações que, entretanto, ocorreram.Aio arrepio das mais elementares normas de contenção

1º caso

Nessa lista constam 4 motoristas, sendo que apesar de terem sido informalmente todos propostos no mesmo dia, três deles têm a data oficial de nomeação a 28.06.2011, o outro tem como se pode ver no anúncio que se segue, a data de nomeação é 18.07.2011. Sabem porquê? Porque, segundo nos segredou um «passarinho», estava à espera de lhe ser emitida a carta de condução que acabara de tirar.

Entretanto, recebemos um mail, desta feita, enviado por um  pombo correio, revelando que o rapaz de 21 anos e de origem brasileira tem uma longa experiência em carrinhos automáticos e que foi proposto por um emissário do Paulo Portas, o qual tinha muito boas referências do rapaz desde que frequentou um ginásio com massagens, ou seja, SPA. Com tantos motoristas do extinto ministério da Cultura da Sra Canavilhas e de outros organismos públicos na situação de mobilidade,só podemos supôr que a selecção se ddeveu a uma questão de … físico para andar ao volante!…

Motorista – André Viola
2011-07-18
Cargo: Motorista
Nome: André Wilson da Luz Viola
Idade: 21 Anos
Vencimento mensal bruto: 1.610,01 €
Contacto: gabinete.cultura@sec.gov.pt

2º caso

No segundo caso, aborda-se a «estória» de  uma especialista em Economia e como tal fez grande parte da sua carreira (como se poderá ver no CV anexo à Resolução que se transcreve), no departamento da Higiene Urbana e Resíduos da CM de Lisboa. Como profunda conhecedora dos procedimentos da administração pública, há cerca de um ano concorreu para técnica superior do Ministério de Educação. Nessa altura, como os alternantes eram outros, a senhora foi legalmente excluída por falta de condição obrigatória (vínculo à administração Central do Estado).
Pois é, mas os tempos mudaram e a senhora, em Junho deste ano, foi nomeada (facto oculto no tal CV) Directora de Recursos Humanos (outra espécie de resíduos sólidos) da IGAC, onde nunca ninguém a viu, pois a nomeação  foi por 3 dias, tendo sido de imediato requisitada para a SEC, ou seja, qualquer coisa que corra mal regressa como Directora de Serviços, o resto ninguém sabe e são cantigas… ou compadrios…Mas nada corre mal às pessoas competentes em matérias do reino do ocultismo e eis que a senhora, passados 5 meses, como os 3.163,27€, fora os extras, não lhe chegavam, foi nomeada Administradora do Teatro D. Maria II. Aqui temos o exemplo da capacidade das pessoas saberem estar no local certo à hora certa, pois a senhora como especialista em Higiene Urbana vai ser de vital importância no combate aos pombos que  fazem as  necessidades junto ao Teatro.

Colaboradora/Especialista – Sandra Simões
2011-07-05
Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Sandra Maria Albuquerque e Castro Simões
Idade: 39 Anos
Vencimento mensal bruto: 3.163,27 €
Contacto: gabinete.cultura@sec.gov.pt

Diário da República, 2.ª série — N.º 239 — 15 de Dezembro de 2011 Resolução n.º 21/2011.
Nos termos do n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos do Teatro Nacional D. Maria II, E. P. E. (TNDM II, E. P. E.), aprovados em anexo ao Decreto -Lei n.º 158/2007, de 27 de Abril, os membros do conselho de administração são nomeados por resolução do Conselho de Ministros, sob proposta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura.
Considerando que terminou, entretanto, o mandato dos membros do conselho de administração do TNDM II, E. P. E., torna -se necessário e urgente proceder à nomeação dos novos membros do órgão de administração a fim de garantir o regular funcionamento deste Teatro Nacional.
Considerando que as empresas públicas da área da cultura, no âmbito do processo em curso de optimização dos recursos públicos, vão ser objecto, a curto prazo, de alterações estatutárias e agrupadas num acordo complementar de empresas, os mandatos dos membros do conselho de administração que ora se nomeiam terminarão, excepcionalmente, com a entrada em vigor da legislação que vai concretizar a reorganização das empresas públicas do Estado da área da cultura.
Assim:
Nos termos do n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos do TNDM II, E. P. E., aprovados em anexo ao Decreto -Lei n.º 158/2007, de 27 de Abril, e da alínea d) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Nomear, sob proposta do Ministro de Estado e das Finanças e do Secretário de Estado da Cultura, o licenciado Carlos Manuel dos Santos Vargas e os licenciados António Maria Trigoso de Lemos Taborda Pignatelli e Sandra Maria Albuquerque e Castro Simões para os cargos, respectivamente, de presidente e vogais do conselho de administração do TNDM II, E. P. E., cujas notas curriculares constam do anexo à presente resolução e da qual fazem parte integrante.

3º caso

Por fim, temos o caso de uma jovem adjunta que ganha mais que todos os outros nomeados, 4.724,31€, mais que o Chefe de Gabinete do secretário de Estado e muito mais que qualquer outro assessor, sendo que até lá há gente que gosta e sabe trabalhar. Há quem diga que a senhora que anteriormente referimos  se terá empertigado com a situação desta última, pois ganhava 2/3 e até já tinha 3 dias de cargo de Direcção na Administração Pública. A única experiência que esta jovem adjunta tinha era a de escrever o endereço nas cartas e no mail a enviar pedidos de fiscalização às lojas de fotocópias, no intuito destas serem pressionadas (obrigadas) a pagarem à AGECOP (Associação de Gestão de Direitos de Autor) uma exorbitância para (i)legalmente poderem fazer algumas fotocópias. Como Directora dessa grande empresa de Exportação, perdão, associação de exploração de direitos de autor a senhora ganha de ordenado, fora tudo o resto, e é muito mais, os miseráveis 4.724,31€. Dizemos miseráveis pois, como  certamente devem saber,o contributo desta senhora é fundamental para os autores deste país  ganharem muitos milhares a mais que ela…Sem o esforço desta humilde senhora nada teriam.

Adjunta – Vera Castanheira
2011-06-28
Cargo: Adjunta
Nome: Vera Maria Duarte Mendes Castanheira
Idade: 32 Anos
Vencimento mensal bruto: 4.724,31 €
Contacto: gabinete.cultura@sec.gov.pt

É UM GOSTO VIVER NESTE PORTUGAL DELAPIDADO ………………….

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Fev
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CASO RUI PEDRO: ALEGADO RAPTOR ABSOLVIDO PELO TRIBUNAL MAS CONDENADO PELA OPINIÃO PÚBLICA

ACTUAÇÃO DA PJ CRITICADA PELO AMORFISMO REVELADO NA INVESTIGAÇÃO DO RAPTO

Afonso Dias, acusado de ser o autor do rapto de Rui Pedro, foi hoje absolvido pelo tribunal de Lousada. O colectivo de juízes considerou não haver indícios de que o arguido fosse culpado do desaparecimento do menor ocorrido há treze anos, desvalorizando os testemunhos de uma prostituta, Alcina Dias, que disse em tribunal ter visto o menor a ser levado para uma viatura depois de um encontro com Afonso Dias. Este livrou-se da pena que poderia chegar aos dez anos de cadeia (pela generalidade da imprensa tinha sido um dado quase adquirido a sua culpabilidade) mas não escapou à ira popular e teve de sair escoltado pela GNR, esboçando alguns sorrisos para a multidão. Um futuro difícil augura-se para este indivíduo que enfrenta agora a pressão social da comunidade onde se insere, o peso da consciência popular  que o culpa pelo desaparecimento do jovem ou que, pelo menos, sabe do destino qiue lhe foi dado.Nada mais conveniente do que encontrar um culpado ptrovidencial à mão para tranquilidade dos espiritos.Só que o Tribunal baseia-se nos factos e provas que lhe são apresentados e não no «barulho» social da turba que clamava pela cabeça do arguido.Entretanto, em causa fica o trabalho deficiente da PJ que não desenvolveu as pistas iniciais que se foram perdendo com a erosão dos tempos, nem quando um jovem com o mesmo «fácies» de Rui Pedro foi referenciado numa foto,publicada na revista «Caras», obtida na Eurodisney atrás do comentador Nuno Rogeiro.

«Hoje foram desvalorizadas as declarações de Alcina Dias, uma mulher corajosa que veio aqui dizer a verdade. Mas a decisão do colectivo baseou-se nas declarações dos inspectores da Polícia Judiciária, que deram um triste espectáculo no tribunal, ao terem cá vindo dizer coisas que não escreveram nos autos», explicou o advogado da família de Rui Pedro à imprensa, Ricardo Sá Fernandes, anunciando que vai processar os elementos da Polícia Judiciária.
Chamasse-se Rui Pedro Maddie e talvez o caso não tivesse sido encerrado no dia em que o jovem raptado entrou no carro do Afonso Dias para uma ida às prostitutas e se perdeu o seu rasto. A família do jovem desaparecido vai recorrer da sentença.O pesadelo vai continuar para a mãe que há anos luta por uma réstia de esperança em busca do paradeiro do filho.Espera-se pelos resultados da responsabilização de quem efectuou uma investigação deficiente.