Archive for the 'Memórias Secretas' Category

29
Out
12

MISTÉRIOS DO BILDERBERG: TEIXEIRA DOS SANTOS NUMA DAS REUNIÕES ANUAIS QUE ANTECEDEU O RESGASTE A PORTUGAL

Pois é verdade…há muito que o jornalismo deixou de lado uma das suas regras mais sagradas: a independência moral, política e económica. O desencadear da crise também propiciou este estado lamentável dos media, que apenas apostam na sobrevivência, «conspurcando-se» de todas as maneiras e feitios…até vendendo a alma ao Diabo…Não admira que ninguém tenha reportado a presença de Teixeira dos Santos numa das reuniões anuais do Grupo Bilderberg… onde provavelmente tenha sido decidido que Portugal iria pedir o resgaste financeiro

 Gradualmente, se vai fazendo história do papel do Grupo Bilderberg no desenvolvimento da actual crise. Este grupo, que tem como figura de proa em Portugal, Francisco  Pinto Balsemão, tem  beneficiado de uma estranha apatia dos media portugueses, os quais, raramente reportam noticias sobre as suas actividades. Não admira que alguns jornalistas portugueses, como foi o caso de Clara Ferreira Alves ou Nicolau Santos – dois colaboradores de há longos anos do «Expresso» – tenham sido convidados para reuniões anuais. O jornalista Frederico Duarte Carvalho, é uma excepção à «regra» de silêncio estabelecida. Há muitos anos que tem denunciado as actividades nefastas dos Bilderberg à escala mundial e agora, na sua página do Facebook, revela que o antigo ministro das Finanças do governo de José Sócrates, Teixeira dos Sabntos, também participou numa reunião do Grupo em 2010 – estávamos no início das negociações do resgaste financeiro a Portugal que trouxe até nós a «troika».

Vejamos o que escreveu Frederico Duarte Carvalho: « Encontrei há dias ao descer a Avenida da Liberdade uma pessoa que trabalhou no anterior governo liderado por José Sócrates. Não era um ex-ministro, mas é um alguém que seguiu de perto muitos dos principais acontecimentos que estiveram na origem do resgate económico da Troika. A dada altura falamos do papel de Teixeira dos Santos, o antigo ministro das Finanças, e a zanga com o primeiro-ministro José Sócrates sobre se Portugal deveria ou não pedir o resgate. Ele disse: “José Sócrates, digam o que disserem dele, é acima de tudo um político”, tendo-me garantido que não havia na sua cabeça qualquer intenção de pedir a intervenção da Troika, afinal aquilo que agora nos condiciona e serve para todas as desculpas de maus orçamentos ou defesa da parte do PSD/CDS para as críticas do PS. Então, respondi: “Olha lá, um ano antes, em Junho de 2010, estive perto de Barcelona, em Sitges, onde houve o encontro anual do Grupo Bilderberg. E o Teixeira dos Santos esteve lá. Não será que foi ali que ele recebeu as instruções?”. E o meu interlocutor diz de seguida: “Se um dia fosse a escrever um livro com o que sei… Isto mudava muita coisa”… E não se disse muito mais. Na despedida, fiquei com a certeza de que não é ele que precisa de escrever um livro. Se o fizesse, iria revelar factos que seriam uma traição. É claro que podemos discutir a quem deve ele a lealdade. Se aos governantes, se ao povo. Mas, antes dessa discussão, eu sei bem quem anda a trair o povo: são os jornalistas que não noticiam tudo o que é relevante e não informam, com lealdade, os leitores que neles depositam a sua confiança. Pensei: “Mas, para além de mim e uns poucos activistas portugueses, é que foram a Barcelona em 2010 e noticiaram a presença de Teixeira dos Santos numa das mais discretas reuniões de alto nível internacional”? A resposta veio rápida: ninguém. Depois surpreende-se de haver crise no jornalismo. O leitor não é estúpido e sabe que os jornalistas não andam a trabalhar para os leitores. Há muito que andam a trabalhar para as migalhas que o poder político lhes vai dando…».

Pois é verdade…há muito que o jornalismo deixou de lado uma das suas regras mais sagradas: a independência moral, política e económica que o fazia veicular notícias doessem a quem doessem. O desencadear da crise também propiciou este estado lamentável dos media, que apenas apostam na sobrevivência, «conspurcando-se» de todas as maneiras e feitios…até vendendo a alma ao Diabo…

04
Maio
12

QUANDO BALSEMÃO FOI ACUSADO DE CENSURAR ENCONTRO SECRETO DO GRUPO BILDERBERG EM PORTUGAL

Este  vídeo que OCrimedigoeu transcreve é esclarecedor do modo como Balsemão desempenha o seu papel como guardião das «excelsas virtudes» do Grupo Bilderberg do qual é membro influente…neste caso, demonstra-se como a censura funcionou em pleno durante o encontro  que esta sociedade secreta realizou no complexo da Penha Longa, Sintra, em Junho de 1999…

O vídeo é um excerto de “O Grupo Bilderberg”, a parte 5 da série Governantes Secretos do Mundo. Neste capítulo dedicado a Bilderberg, o jornalista vem a Portugal para tentar infiltrar-se na reunião de Bilderberg. Na altura, os jornais portugueses optaram por um total «apagão» desta reunião que contou com a presença de algumas das pessoas mais poderosas do Mundo. O único jornal a abordar de forma desenvolvida oeste encontro secreto, o «The Weekly News», especialmente focado na comunidade britânica residente em Portugal, foi miseravelmente boicotado na distribuição…e até num quiosque onde habitualmente era vendido, situado a cinco quilómetros do local do encontro Bilderberg, não esteve à venda nenhum exemplar. Para o jornalista que fez o documentário não restam dúvidas: o facto de um “ilustre” membro de Bilderberg ser o patrão de um grupo de Media português e ter o controlo da distribuição dos jornais ( através da VASP) é uma consequência lógica deste apagão mediático… Balsemão  é «aquele cujo nome não é pronunciado« neste documentário…mas nós sabemos que era a ele a quem o profissional da CS inglesa se reportava.

A titulo de curiosidade, vejamos o que Gibby Zobel escreveu no Público, em 26 de Dezembro de 1999,acerca da agenda secreta deste encontro na Penha Longa pela primeira vez revelada:

«Este Verão, numa reunião altamente secreta em Sintra, pouco mais de uma centena de personalidades poderosíssimas tomaram decisões sobre o presente e o futuro do mundo. São conhecidos como Grupo de Bilderberg, incluem chefes de Estado, membros de governos e parlamentos, chefes de alianças militares, presidentes de empresas multinacionais, líderes de bancos e organizações financeiras internacionais, tubarões dos media e das organizações ambientalistas. São os «altos sacerdotes da globalização». Conversam amigável e informalmente sobre tudo e tomam decisões. Amigável e informalmente. O bombardeamento da Chechénia, por exemplo, foi combinado em Sintra.

No sossego de Sintra…

O documento de sessenta e quatro páginas a que tivemos acesso — os documentos de Bilderberg — está datado de Agosto de 1999. A poderosa clique transantlântica reunida na estância privada de Sintra incluiu o novo secretário para a Irlanda do Norte, Peter Mandelson, o ambientalista Jonathon Porritt, o membro do parlamento britânico Kenneth Clarke, o antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, o multimilionário tubarão da banca e do petróleo David Rockefeller, o dirigente da companhia Monsanto, Robert B. Shapiro, e o presidente do Banco Mundial, James D. Wolfensohn.

Se bem que tivessem sido discutidas as políticas asiática e africana, nenhum país destes continentes teve assento na cimeira. A delegação oficial britânica, de oito elementos, incluía os banqueiros Martin Taylor, o antigo chefe executivo do Barclay’s Bank, e Eric Roll, banqueiro dos Warburg. A eles juntou-se Martin Wolf, do Financial Times, e dois jornalistas da Economist, John Micklethwait e Adrian Wooldrige, que segundo indicações dos memorandos, prepararam este documento.

Os documentos que têm o carimbo «Proibida a divulgação», declaram: «Há 111 participantes, de 24 países. Todos os participantes falam em seu nome pessoal, não como representantes dos seus governos ou empregadores. Como é costume nos encontros de Bilderberg, com o objectivo de permitir uma discussão franca e aberta, não foram feitos quaisquer relatórios públicos da conferência».

Nenhuma das citações, de cada uma das dez sessões, é directamente atribuível ao nome de algum indivíduo, embora o moderador e os membros do painel em cada discussão estejam identificados. É tornado perfeitamente claro, no entanto, quem está a dizer o quê. Não se fica a saber quem mais está presente na audiência, mas os seus comentários são identificados com o país e a profissão de quem os fez.

Durante quase 50 anos, uma elite dos homens mais poderosos do mundo, uma espécie de governo mundial sombra, tem-se reunido em segredo. Bill Clinton e Tony Blair pertencem ao clube. Todos os presidentes desde Ike Eisenhower também pertenceram, aliás bem como membros proeminentes do Governo britânico e de outros governos mundiais. Bem como as pessoas que controlam o que vemos e lemos: os tubarões dos media. É talvez por isso que talvez nunca tenha ouvido falar de Bilderberg!

«Filas de limusinas negras, sem qualquer espécie de matrícula à excepção de um B no pára-brisas, entraram para lá, às vezes escoltadas pela polícia, outras vezes não», descreveu uma testemunha durante a reunião deste ano, no complexo da Penha Longa, em Sintra, Portugal. «Um helicóptero sobrevoava permanentemente o local, e outros agentes de segurança patrulhavam prudentemente os arredores. Os polícias de serviço nos portões do recinto tornaram bem claro que não passavam da ponta visível de um gigantesco iceberg de segurança».

Durante dois dias e meio, relaxados num ambiente de luxo e exclusivismo, no meio de um draconiano dispositivo de segurança armada, os líderes mais poderosos discutiram as guerras do passado e do futuro, a criação de um super-estado europeu, de uma moeda global, a genética e o desmantelamento do Estado-Providência. Em total sossego, em total secretismo, em total inimputabilidade, os encontros de Bilderberg têm formado a base de toda a política internacional durante as últimas décadas.

No ano passado, o jornalista free-lancer Campbell Thomas foi preso apenas por andar a bater a algumas portas nas imediações da reunião clandestina do grupo, em Turnberry, na Escócia. Permaneceu sob custódia durante oito horas. A respeito da mesma reunião, outros jornalistas foram informados de que até o menu do jantar era confidencial. Segundo um agente da polícia, «unidades das Operações Especiais e a C.I.A. estavam por todo o lado — eram eles que controlavam tudo».

Todos os anos, desde 1954, a cimeira clandestina tem juntado as pessoas mais poderosas do mundo. Os resultados destas reuniões — onde não se decidem políticas mas onde se influenciam as decisões dos líderes mundiais — têm sido mantidos em rigoroso segredo. De tal maneira que, quando perguntaram, na Câmara dos Comuns, ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, se tinha estado presente na reunião do Grupo de Bilderberg de Atenas, em 1993, ele negou.

Nunca, nos seus quarenta e sete anos de história, o conteúdo das discussões da organização foi tornado público. Até agora.

Pela primeira vez, os Documentos de Bilderberg — os memorandos secretos da reunião deste ano, em Portugal — foram revelados. Do que se disse no encontro, algumas coisas são banais, outras são sensacionais. De qualquer forma, os documentos levantam o véu sobre os pensamentos de presidentes, directores de multinacionais, banqueiros mundiais, chefes da NATO e ministros da Defesa.

Apesar de catorze patrões dos media e jornalistas (Pinto Balsemão é um dos poucos portugueses que pertence ao clube) de oito países terem participado este ano na reunião, nenhum deles optou por contar aos seus leitores o que se passou na Penha Longa. Não seria nada favorável aos seus interesses ser cortado da lista da elite.

Com uma lista de convidados altamente exclusiva, operações secretas e um silêncio tão rigoroso, não é de surpreender que se tenham multiplicado as teorias conspirativas em torno do Clube de Bilderberg. Desde os anti-semitas que acreditam numa elite global judaica, até às ilusões paranóicas da esquerda radical. O efeito foi a subestimação da importância das reuniões, devido à associação com estas teorias — o que vai perfeitamente de encontro aos objectivos dos membros da organização.

Os encontros de Bilderberg começaram em 29 de Maio de 1954 num hotel holandês, do qual receberam o nome. A revista The Economist, numa rara referência à organização, em 1987, afirmou que a importância das reuniões era frequentemente sobrestimada, mas admitiu: «Quando alguém faz escala em Bilderberg, é porque já chegou».

Na reunião do ano passado, o antigo ministro da Defesa britânico George Robertson, que é agora secretário-geral da NATO, planeou estratégias com o presidente de Bilderberg e antigo chefe da NATO Lord Carrington.

O editor-chefe da Observer Will Hutton participou no encontro de Bilderberg em 1997. Ele acredita que se trata da casa dos «altos sacerdotes da globalização». «Aqui, não é feita política», diz ele. «É só conversa. Mas os consensos a que se chega estabelecem o quadro de referência no qual se inscrevem todas as políticas, por todo o mundo».

De que falaram, então, a mais de uma centena de homens poderosos na estância da Penha Longa? Antes de mais, sobre a guerra. A do Kosovo e a da Chechénia, com surpreendente displicência.

O documento revela que o grupo foi avisado de que, depois do Kosovo, seria dada «carta branca à Rússia para intervir na Chechénia. A NATO não bombardeará Moscovo se a Rússia invadir a Chechénia. Mais de duas centenas de milhares de chechenos foram forçados a sair das suas casas desde que a Rússia começou os bombardeamentos, no mês passado. Nas últimas semanas, a Administração Clinton acusou a Rússia de violar a Lei internacional. Mas os memorandos de Bilderberg tornam claro que os líderes mundiais operam num ambiente onde a Lei internacional se tornou obsoleta e a NATO está em risco de se transformar efectivamente numa potência colonial.

Apesar das posições oficiais de Tony Blair sobre o Kosovo, a histórica guerra da NATO foi menosprezada em Bilderberg. «O estado de espírito na reunião foi surpreendentemente brando, com as atenções voltadas mais para o dia seguinte do conflito», é assim que começa a discussão sobre o Kosovo. Henry Kissinger, antigo secretário de Estado norte-americano, entra na conversa, afirmando que o Kosovo «pode muito bem ser o Vietname desta geração». A NATO está em risco de substituir o império otomano e os impérios dos Habsburgos, com a sua série de protectorados permanentes, acrescentou, Kissinger.

Outro participante avisou que, no caso do Kosovo, as tropas poderiam ter de ficar no território por mais 25 anos. Kissinger, por seu lado, disse sentir que essa possibilidade abria as portas à acusação de colonialismo. «Como é que se convence países como a China, a Rússia ou a Índia de que o novo mandato da NATO não é apenas uma nova versão da ameaça do homem branco — o colonialismo?», interrogou Kissinger. Charles D. Boyd, executivo do US National Study Group, disse que o Kosovo não passa agora de uma terra devastada, um desastre humanitário comparável ao Cambodja. «A NATO usou a força como um substituto para a diplomacia, e não apenas para a apoiar. Usou a força de forma a minimizar o perigo para si própria, mas de forma a maximizar o perigo para as pessoas que era suposto proteger».

Um político britânico não identificado pôs em questão «a capacidade da NATO continuar a trabalhar em conjunto depois do fim da guerra». Avisou que «haveria pouco entusiasmo popular quando se tratasse de reunir recursos imensos para resolver os gigantescos problemas da região».

Peter Mandelson disse ao grupo que «dois caminhos se abrem em frente da NATO. Um leva a uma nova divisão da Europa, com o continente a regressar aos seus velhos métodos etnocêntricos. Neste cenário, a ONU não teria praticamente poderes, a Rússia e China ficariam excluídas e a NATO seria pouco mais do que uma força de polícia. O segundo caminho é algo próximo da Europa do século XIX, com todas as grandes potências — não apenas os EUA e a UE mas também a Rússia, China e Japão cooperando».

Gigantes do mundo banqueiro global, num debate intitulado «Redesenhando a Arquitectura Financeira Internacional», discutiram o conceito de dolarização, que irá certamente pôr os eurocépticos numa roda-viva. À volta da mesa estavam o deputado britânico Kenneth Clarke, Martin S. Feldstein, presidente do National Bureau of National Research, Stanley Fisher, vice-director do Fundo Monetário Internacional (FMI), Ottmar Issing, membro da direcção do Banco Central Europeu, e Jean Claude Trichet, governador do Banco de França.

Bilderberg é tido por ser o berço da moeda única europeia. O vice-director do FMI abriu a discussão: «Vale a pena assinalar que esta é a primeira reunião de Bilderberg em que o Euro é já um facto, e não um mero tópico de discussão».

Durante a conversa, «um dos membros do painel tinha a certeza de que, se o Euro funcionasse, outras moedas regionais surgiriam. Outros levantaram a questão da dolarização (transformar o dólar na única moeda mundial) como uma cura possível».

Houve uma voz dissonante: «A única razão possível para que alguém submeta o controlo das suas políticas monetárias a Washington (onde ninguém tomará decerto decisões com base no que interessa a Buenos Aires) seria as miseráveis performances financeiras dos governos em questão».

Recentemente tornado no maior mercado de consumo do mundo, a China foi discutida na reunião, onde se estabeleceram as bases para um acordo promovido pelos EUA nas vésperas da cimeira da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle. Segundo este acordo, Pequim vê ser-lhe reconhecido o estatuto da Nação Mais Favorecida no comércio com a América, o que significa que as críticas aos abusos dos direitos humanos ficam de fora da agenda das reuniões do OMC para sempre.

Em Bilderberg, o acesso da China ao clube do grande comércio mundial dominou várias discussões. Mas o tema das relações entre os países ficou um pouco esquecido, perante o caso da aquisição, pela China, de tecnologia nuclear americana roubada e a morte de três chineses no bombardeamento da embaixada em Belgrado.

Um participante americano estava «particularmente aborrecido com a forma como o governo chinês permitiu que manifestantes apedrejassem a embaixada americana», em resposta. «Isso foi ainda pior do que espionagem».

Outro americano apontou o «problema das altamente ineficientes indústrias detidas pelo Estado». Disse: «As lideranças parecem estar decididas a resolver este problema, mas não poderão tolerar mais de 20 milhões de desempregados».

Mas ser membro da OMC levará ao surgimento em massa do desemprego na China. O membro do Clube de Bilderberg, James D. Wolfenshon, que preside ao Banco Mundial, estimou que cerca de 50 milhões de trabalhadores em empresas do Estado precisam de ser dispensados nos próximos cinco anos, para tornar a China eficiente.

Um «participante internacional» levantou a questão dos direitos humanos e «avisou sobre um certo burburinho vago a respeito do Tibete». Mas, com o estatuto de Nação Mais Favorecida, o mais provável é que esse burburinho continue sem ser ouvido, uma vez que qualquer embargo comercial seria ilegal, segundo as regras do livre comércio.

Os gigantes da biotecnologia global encontraram-se à porta fechada, na reunião de Bilderberg, com um dos mais proeminentes ambientalistas britânicos. Isto durante o auge dos protestos contra a comida geneticamente modificada, que rebentaram este Verão.

O facto de a genética ter sido trazida para a agenda da «peso pesado» cimeira de Bilderberg relaciona-se com uma campanha que está em curso, em grande medida na Grã-Bretanha, de destruição dos cereais geneticamente modificados, e a batalha das organizações de defesa do consumidor.

O debate, intitulado «Controvérsias actuais: a genética e as ciências da vida», foi presidido por Jan Leschly, da Smithkline Beecham Co., empresa baseada na Grã-Bretanha e que vale 75 mil milhões de dólares. Leschly disse que, no futuro, haverá apenas seis multinacionais farmacêuticas, em oposição às centenas que hoje operam.

Os relatores do grupo de trabalho foram o ambientalista Jonathon Porritt e Robert B. Shapiro, presidente da empresa-pária da genética industrial mundial Monsanto. Entre os participantes encontrava-se Daniel L. Vasella, presidente da firma de biotecnologia Novartis (valor de mercado de 103 milhões de dólares).

Neste momento, disse Leschly, «o debate político tem-se centrado não nas biotecnologias humanas vermelhas, mas nas verdes, ou seja, na produção agrícola e particularmente na comida geneticamente modificada».

Houve algumas admissões surpreendentes. Shapiro reconheceu que «há genuínas e legítimas preocupações ambientais no que respeita à forma como as novas sementes afectarão os ecossistemas». Enquanto o ambientalista Porritt, antigo chefe dos Amigos da Terra, concordava que Shapiro «pode ter razão ao dizer que muitos benefícios virão da comida geneticamente modificada, como já aconteceu com a manipulação genética aplicada à indústria farmacêutica».

«Desde a descoberta do DNA que os cientistas têm vindo a criar toda uma nova série de instrumentos para fazer avançar o nosso domínio sobre a Natureza», argumentou Shapiro. Porrit contrapôs que «as empresas gastam fortunas a tentar persuadir os governos a impor as menos rigorosas regulamentações. E no entanto os efeitos dos procedimentos errados serão incomensuráveis. A modificação genética será a luz de aviso de toda a espécie de ansiedades sobre o mundo industrial e a arrogância do Homem».

Foram referidos os protestos crescentes em todo o mundo sobre a comida geneticamente modificada, e um sueco argumentou que a situação assemelha-se à da energia nuclear há vinte e cinco anos — «uma batalha que os interesses empresariais perderam».

Um americano fez notar que «toda a actividade científica produz-se no mundo rico, mas 95% dos genes com os quais se trabalha vêm do mundo em desenvolvimento».

Num outro debate, «Que duração terá a actual compleição cor-de-rosa da política europeia», os cortes da Grã-Bretanha na segurança social foram postos num contexto mais amplo. A Nova Esquerda, argumentou um britânico, estava a consolidar as vitórias da Direita. Os fracassos eleitorais da Direita tinham sido em larga medida auto-infligidos e a Esquerda ainda poderia provar ser mais competente para reformar o Estado-Providência. Com 17 milhões de desempregados, seria mais fácil para alguém que se proclama socialista impor a mudança. A reformulação da segurança social, disse um elemento do painel, seria o «encargo dos esquerdistas». Os governos teriam de pensar como homens de negócios. Mas nem todos os governos socialistas da Europa tinham compreendido isso. O grupo considerou que à Alemanha, à França e à Itália faltava coragem para os «necessários cortes na segurança social».

O medo que os governos têm dos tumultos sociais foi a principal razão apontada para a falta de acção neste campo. Como notou um participante britânico, «as coisas só mudarão quando o preço de não fazer nada surja como verdadeiramente mais elevado do que o de fazer alguma coisa.»

A maioria do grupo considerou que a Nova Esquerda europeia não passava de «uma versão geneticamente modificada» da velha esquerda. «Hoje, o que existe é apenas uma rotação de poder» observou um alemão. «Geralmente, o verdadeiro poder reside nos bancos centrais». A esta ideia foi dada grande ênfase nas discussões sobre a introdução da dolarização.

03
Abr
12

FREEPORT – OS DOCUMENTOS DA PJ DO ALEGADO ALICIAMENTO DE BELMIRO AZEVEDO A SÓCRATES

O Crimedigoeu» já tinha dado um «cheirinho» sobre esta matéria relacionada com o processo Freeport mas agora volta à carga, apresentando os documentos da PJ respeitantes ao testemunho de uma funcionária da DRAOT ( Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território). Fernanda Guerreiro disse à PJ  que corria a “notícia” de que “Belmiro de Azevedo tinha pago ao Sócrates 500 mil contos para o processo não avançar”, apresentando como justificação o facto de este não querer “perder dinheiro” por o Freeport ser uma forte concorrência ao Centro Comercial Vasco da Gama (pertencente ao grupo Sonae), em Lisboa. Ea algo que circulava pela DRAOT sobre uma alegada tentativa de «chumbo estratégico» Nada, portanto, que desse margem aos investigadores para acusarem Sócrates. O certo é que este depoimento foi «esvaziado», nem Sócrates nem Belmilro ( que considerou estas declarações como falsas e injuriosas) não foram incomodados, o processo seguiu o seu curso sinuoso e apenas dois réus acabaram com os costados no tribunal. Eles foram o bode expiatório do escândalo, como Oliveira e Costa o foi no caso BPN. «The show must go one»…

Interrogada pela inspectora coordenadora da PJ, Maria Alice, esta testemunha disse que, no ano de 2000,o processo de licenciamento do Freeport, pela mão do consultor Manuel Pedro (um dos arguidos que está a ser julgado) deu entrada na DRAOT com indicações de «grande secretismo» e que, em conversa com o engenheiro hidráulico, Miguel Santos, foi-lhe referido que o projecto estava perfeito, mesmo em cálculos hidráulicos, «pelo que não teria a menor dúvida de que seria aprovado pelo ministro do Ambiente». Alguns meses depois, Fernanda Guerreiro diz  ter ficado surpreendida ao ler na comunicação social que o projecto tinha sido chumbado, facto que achou estranho visto que toda a DRAOT o havia gabado».

E acrescentou a testemunha nesse auto de inquirição que transcrevemos: «Esclarece que recorda ter ouvido, dentro da DRAOT alguém, que não recorda, ter comentado que o projecto tinha sido chumbado no Ambiente ( referindo-se ao ministério que tutelava aquele organismo) e de o engenheiro Miguel ter referido que o ministro do Ambiente ( José Sócrates) ter pedido que o projecto fosse para o seu gabinete».

Ainda segundo o relato da testemunha, esta situação terá levantado suspeitas «pelo facto de ninguém compreender porque é que o titular da pasta do Ambiente queria o processo». O processo esteve «parado» até que na DRAOT surgiu a notícia ( não especificando como a mesma alastrou naquele organismo) que «o processo teria sido alterado  porque o Belmiro de Azevedo estava disposto a pagar ao engenheiro José Sócrates 500 mil contos para o projecto não avançar».

No entender desta técnica da DRAOT, «a justificação desta proposta prendia-se com  facto do Belmiro de Azevedo ir perder  muito do volume de negócio no Centro Comercal Vasco da Gama», mostrando-se convicta que o «processo demorou porque existia um «braço de ferro entre o empresário nortenho e o José Sócrates».

Um testemunho que aqui revelamos através de provas documentais numa altura em que este processo se reacendeu, devido ao julgamento que decorre no Tribunal do Barreiro e que introduz novos dados e suspeitas sobre o que terá motivado o tal chumbo inicial do empreendimento.

A versão que correu na imprensa foi a de que o «falso chumbo» poderia ter contribuído para valorizar junto aos empreendedores ingleses uma futura aprovação, beneficiando os eventuais intermediários neste negócio com muitas «pontas» ainda por «desatar». Sublinhe-se, a propósito, que o ex-membro da Assembleia Municipal de Alcochete, Zeferino Boal, e que teria enviado uma carta a diversas entidades a denunciar o escândalo, chegou a referir  ao Semanário «Privado» ter  tido conhecimento de uma proposta para a venda do empreendimento à SONAE de Belmiro de Azevedo de forma a ser «mais rapidamente licenciado». O  presidente da Câmara de Alcochete, Miguel Boeiro, também terá ficado surpreendido com o  veto inicial, garantindo que as reuniões efectuadas com técnicos superiores  do Ministério do Ambiente foram fundamentais para adaptar o projecto às exigências feitas para que fosse aprovado o estudo de Impacte Ambiental.

07
Mar
12

FIGURAS DE TV AMARRADAS À «COCA» E AOS «VAMPIROS» – O CASO DE MARGARIDA MARANTE NÃO É «VIRGEM»

A detenção pela PSP de Jorge Esteves, um dos maiores fornecedores de cocaína das estrelas de TV, traz à baila o caso da apresentadora Margarida Marante. O seu drama não serviu de emenda para os famosos da TV que continuam «amarrados» a estes «vampiros» que lhes podem destruir a reputação e a carreira  

 O recente êxito obtido pela brigada da 2ª Esquadra de investigação Criminal da PSP de Lisboa na captura de um dos maiores fornecedores de cocaína das estrelas de TV e outras figuras da moda e da televisão, traz à memória o caso protagonizado pela antiga apresentadora Margarida Marante. Temida pelos políticos, ligou-se a um traficante de droga, também ele fornecedor das elites lisboetas que a sequestrou, violentou e ameaçou de morte. Nunca mais recuperou do trauma e o regresso aos ecrãs continua adiado

Margarida Marante tinha tudo para ser feliz: apresentadora temida em programas de TV, presença habitual nas revistas «cor de rosa» onde surgia ao lado do marido, Emídio Rangel, com amigos influentes – entre os quais, o ex-marido, Henrique Granadeiro, pai dos seus três filhos, homem forte da PT que sempre a acarinhou, mesmo nas horas infelizes –  passando por Jardim Gonçalves ( que lhe proporcionou uma desintoxicação numa clínica em Navarra) , José Sócrates e a ex- namorada deste, Fernanda Câncio, frequentadora de sua casa e que se tornou testemunha presencial de cenas dramáticas a que foi sujeita.

Inexplicavelmente, ligou-se a Fernando Farinha Simões, um cadastrado com ligações ao Caso Camarate, que dizia ter em seu poder vídeos comprometedores para personalidades influentes do meio social e político, a quem fornecia droga e apanhara em grandes orgias. Os alvos principais foram Margarida Marante e o marido, Emídio Rangel, o jornalista que conhecera quando ainda estava na prisão onde cumpria pena por tráfico agravado de droga e que o convidara a participar, como informador, num programa na forja da SIC sobre o Caso Camarate. Repudiado na sua relação amorosa com a jornalista, depois de se ter envolvido nove meses com ela, resolveu contactar o jornal «O Crime» para se vingar. O «tiro» havia de lhe sair pela «culatra»: antigo colega nos anos oitenta de Marante no semanário «Tempo», o jornalista que Simões contactara reatou o contacto com a antiga apresentadora. E foi ela quem acabou por lhe revelar todo o seu drama, recebendo-o em sua casa com lágrimas nos olhos, aliviada por saber que «o monstro que lhe atormentara a vida estava de novo preso». 

Fernando Farinha Simões era um cadastrado capaz de se dar bem com Deus e o Diabo. Antigo motorista de Sousa Cintra, foi considerado um «chibo» (informador) nas prisões por onde passou. A sua aparente simpatia e inteligência fizeram com que mantivesse relacionamentos surpreendentes, até junto dos mais altos quadros da PJ, onde gozava o «estatuto» de infiltrado junto do DCIT, o órgão de combate ao narcotráfico. Nos finais dos anos noventa, a passagem pelo estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz tornar-se-ia penosa para este personagem: «Estava sempre a levar estaladas por se chibar», confidenciou um seu antigo companheiro de cárcere. Tony, o ex-namorado de Arlinda Mestre, a concorrente da «1ª Companhia», um indivíduo que esteve ligado ao grupo de traficantes do colombiano Pablo Escobar, foi um dos que afogou as suas mágoas na cara de Simões. Aliás, esta faceta de denunciante e de «fura-vidas» também se revelou no decurso dos trabalhos da V Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso Camarate, quando Fernando Farinha Simões foi à Assembleia da República, conduzido sob escolta, fazer revelações surpreendentes. Sem pejo, FFS denunciou José Esteves, seu antigo companheiro nas redes bombistas do chamado «Verão Quente de 75», como tendo sido o homem que fabricou a bomba que fez cair o Cessna que transportava o então primeiro-ministro. Mais tarde, numa entrevista à revista «Focus», Esteves confessou ter sido um dos autores do atentado, lançando as culpas da autoria moral para as chefias militares, sobressaltadas com a iminência da revelação de comprometedora documentação na posse Adelino Amaro da Costa envolvendo-as nos desvios dos dinheiros do Fundo de Defesa do Ultramar – uma espécie de «saco azul» destinado a financiar acções ilegais, entre as quais, soubemos, a compra de armas para a guerra Irão/Iraque. Foi com o intuito de procurar tirar dividendos desses seus conhecimentos sobre o mistério Camarate, pensando num atenuação da pena, que Fernando Farinha Simões testemunhou na Comissão de Inquérito na Assembleia da República. Ao mesmo tempo, ofereceu os seus préstimos a Artur Albarran e a Barata Feyo (então responsáveis do programa «Grande Reportagem» da SIC e que preparavam um trabalho sobre a morte de Sá Carneiro). Foi desta forma que conheceu o director de informação daquele canal: «O Rangel soube que o Fernando Simões estava a par de muitas informações sobre o que aconteceu em Camarate. Resolveu contratá-lo como informador para um documentário com 12 episódios sobre o caso. Chegava a mandar o motorista da estação de TV buscá-lo num  Mercedes a Pinheiro da Cruz quando ele saía nas precárias. E de informador passou a ser seu companheiro mais chegado, acompanhando-o nas noitadas», referiu Margarida Marante. O tal seriado sobre Camarate terá custado uma pequena fortuna a Pinto Balsemão – Margarida fala em 50 mil contos na moeda antiga (250 mil euros actuais) – mas a mini-série nunca foi para o ar e apenas um episódio terá sido produzido.

O relacionamento de FFS com a jornalista iria perdurar muito para além do seu divórcio atribulado com o ex-director da SIC. Marante explicou os motivos pelos quais acedeu relacionar-se intimamente com um indivíduo de passado mais que duvidoso: «Encontrava-me fragilizada depois de anos e anos de um casamento marcado pela violência com o Rangel. Por outro lado, a minha formação católica – sabe, sou do Opus Dei? – levava-me a acreditar na redenção humana. Todo o homem, por mais miserável que seja, deve ter uma segunda oportunidade. Apreciava a forma com ele amava a sua neta. E pus-me a pensar: será que eu devo duvidar de um homem que tem este comportamento tão humano, que me ampara a mim e aos meus filhos, que se mostra tão dedicado para connosco?».

A alma e a carne são frágeis. E Marante, vulnerável, assumiu esse relacionamento que acabou por se tornar demasiado íntimo. Havia também outros interesses em jogo. Atentemos no que escreveu um dos juízes relatores no acórdão da sentença da 2ª Vara Criminal que condenou Fernando Farinha Simões a seis anos e meio de prisão pelos crimes cometidos contra Marante, justificando os motivos pelos quais achava que o arguido deveria também ser penalizado por tráfico de droga: «Foi manifesto das suas declarações que a assistente sempre dependeu de outrem para obter cocaína (primeiro do seu então marido, depois do arguido) não sendo em meu entender liquido que tivesse recursos para procurar outra fonte de abastecimento, antes de deixando entregar às mãos do seu “fornecedor”, pelo menos enquanto o pudesse fazer, como fez, por ter recursos financeiros para tanto».

Fernando Farinha Simões acabou por ser condenado por três crimes de sequestro, dois por coacção grave, três por violação de domicílio, os quais praticou quando a apresentadora pretendeu acabar com a relação que se ia tornando cada vez mais obsessiva. E aí começou o terror:

«Queria mandar em tudo, até na minha conta bancária, nos cartões de crédito, na escolha dos meus amigos…Assumo que foi um erro ter ido para a cama com ele…talvez o tenha feito por me sentir revoltada. Os dias passavam e cada vez me sentia mais angustiada. Queria vê-lo fora de casa, longe dos meus filhos (que deixaram de a frequentar) e ele não me largava. Até que o proibi de ir a minha casa. Mas ele nem assim desarmou: introduzia-se no meu apartamento passando pela varanda de um andar ao lado, depois de ter subornado o porteiro do prédio. Comecei a viver dias e noites de autêntico terror. Por várias vezes, acordava durante a noite, com ele no meu quarto, aos pontapés à cama. Cheguei a barricar-me no meu quarto, mas ele partiu a porta aos pontapés», contou Margarida Marante.

Das «invasões» do domicílio às agressões e ameaças foi um pequeno passo. A antiga apresentadora chegou mesmo a ser intimidada com uma faca que FFS lhe encostou ao rosto, e, numa outra ocasião, como nos revelou a jornalista, o cadastrado introduziu-lhe o cano de uma arma «Glock» no sexo. Na 21ª Esquadra da PSP de Campolide choveram várias queixas de Margarida. Mas as suas súplicas não eram atendidas. «Provavelmente, pensavam que eu não estava boa da cabeça», sublinhou.

O rapto e sequestro para a Figueira da Foz, onde, durante o trajecto, Margarida, contou ela numa carta que enviou a amigos, alertando-os para o seu drama, chegou a ser a amarrada a uma árvore enquanto FFS lhe encostava uma arma à cabeça, poderá ter «sensibilizado», de forma definitiva, a Polícia a agir. As brigadas Anti-Crime da PSP e a DCCB da PJ entraram em campo e foi emitido um mandado de detenção contra o ex-presidiário. Este acabou por ser detido em Cascais, mas, aproveitando uma ida à consulta no Hospital de São José, acabou por se evadir.

Foi durante este interregno que Fernando Farinha Simões contactou  «o Crime» para um encontro num café nas proximidades do jornal, dizendo estar na posse de provas comprometedoras para Margarida Marante e Emídio Rangel. Mas o único documento que acabou por  exibir foi, precisamente, o mandado de detenção emitido por um juiz do TIC para ser conduzido sob custódia no âmbito de uma queixa apresentada pela jornalista.

Nos dias seguintes, FFS deixou de dar notícias. Havia uma explicação para o facto: é que fora detido na noite de 28 de Janeiro de 2006, à porta do prédio onde reside Margarida Marante, quando se aprestava, uma vez mais, para invadir o seu domicílio.

Mais tarde, Margarida Marante haveria  confessar os motivos que a levaram a tornar públicos estes factos ( que criaram muitos «estilhaços» nos meios onde se movimentam as nossas vedetas das TV, entre as quais, o consumo de droga era assunto sigiloso) uma atitude pouco comum nas figuras em destaque nos vários quadrantes da sociedade. «Foi por causa das chantagens que!  o Farinha Simões me fez, ameaçando incriminar amigos próximos, alguns deles bastante influentes na sociedade portuguesa, ameaças que iam desde o fornecimento de droga, a suspeitas sobre a sexualidade. Por outro lado, quis expiar os meus pecados. Quero voltar à vida». Um propósito que está a ser difícil de concretizar: a jornalista nunca mais foi estrela nos ecrãs da TV, praticamente vive no anonimato. Há feridas que custam a sarar…

A recente prisão de mais um fornecedor de «pó» das elites( Jorge Esteves, segurança de boites do Conde de Redondo, Lisboa) traz a à baila este caso… que, afinal, não serviu de emenda para as figuras da TV que continumam «amarradas» a estes «vampiros» que lhes podem destruir a reputação e a carreira

04
Fev
12

Família Loureiro envolvida em histórias de «bruxaria»- «las hay,las hay»…

Futebol, superstição e bruxaria têm andado sempre de mãos dadas no desporto rei indígena. A maldição lançada por Bella Guttman ao Benfica, quando saiu de treinador, ao afirmar que nos próximos 100 anos a equipa da Luz não voltaria a ser campeã europeia, foi talvez a mais célebre maldição que ainda perdura na actualidade. Zandinga, Delane Vieira,o Bruxo de Fafe e Alexandrino são alguns dos nomes mais conhecidos contratados como assessores de clubes e futebolistas de nomeada. Símbolos como o Guimarães, Boavista, Campomaiorense, futebolistas como João Pinto, Ricardo e o treinador brasileiro Scolari foram alguns dos nomes mais falados na comunicação social associados a esses «mestres do oculto» contratados para abrir os caminhos do êxito profissional.

Mas a história mais «assombrosa» sobre bruxaria no futebol português a que o autor deste blogue teve avesso, relacionou-se com a contratação pelo então presidente do Boavista FC, João Loureiro, de dois videntes brasileiros, numa altura em que se auguravam já tempos difíceis para o clube do Bessa.Refira.se, a propósito, por ser matéria de actualidade, que o «clã» dos Loureiro tem uma «queda» para a fatalidade, ou para se «meter em trabalhos. Ainda esta semana, o «patriarca« da família, Valentim Loureiro, foi absolvido no negócio relativo à compra da Quinta do Ambrósio, em que era acusado de burla qualificada. Embora absolvido, o Major, que é presidente da Câmara de Gondomar, não se livrou de uma reprimenda da juíza quando esta afirmou «não lhe parecer curial  que a Câmara sirva de agência de mediação imobiliária». O certo é que o Major saiu inocentado e um dos cinco arguidos, o filho Jorge, é que acabaram por ser condenados, embora com penas suspensas.

Mas voltando à «macumba» no futebol. Numa carta que foi tornada pública no jornal «O Crime», em Outubro de 2005, uma vidente brasileira, Márcia Kwiek, reclamava 200 mil euros ao presidente do Boavista, quantia que, segundo ela, ficou em dívida por um «trabalho» envolvendo listas de «inimigos» e amigos pessoais e do clube, num caso para prejudicar os citados, no outro, para alcançar benefícios . Escrita num tom de mágoa, ora em jeito de ameaça intimidatória, Márcia Kwiek começava por referir não ter medo das «ameaças de Loureiro» para se calar sobre os documentos que lhe entregou para fazer «macumba para as outras pessoas na lista de inimigos que tem», revelando que o marido, Alexander Juvanovich Queiróz, já estivera detido em Portugal e foi ele quem recebeu de Loureiro os primeiros «30 mil»…Repetindo não ter medo das ameaças que o presidente do Boavista lhe terá dirigido, Márcia Kwiek dizia ter em seu poder provas dos telefonemas feitos, lembrando alguns pormenores do passado criminal dos seus familiares mais chegados, em jeito de advertência para Loureiro: «O meu marido há quinze anos atrás matou num bar da cidade de Sorocaba, em São Paulo, o seu melhor amigo e violou uma menina; como você vê, não lhe aconteceu nada…». Era com gente deste calibre que o dirigente desportivo se havia envolvido.

Mas essa não fora a primeira vez que Loureiro recorria a videntes e «pais de santo» para abrir os «caminhos» do clube do Bessa, o qual, como se sabe, sob tutela do clã Loureiro,nos tempos áureos chegou a vencer um Campeonato Nacional e a participar na liga dos Campeões. No Recife, Brasil, um «bruxo» chamado Hermógenes, foi contratado a «peso de ouro» para fazer despachos no clube axadrezado. Provas dessa ligação do «bruxo» ao Boavista surgiram na imprensa brasileira e portuguesa, desde fotografias de um terreiro numa zona discreta denominada «desova» (era assim denominada pois nesse local, rodeado de pântanos, eram lançados os cadáveres de pessoas assassinadas) onde a «macumba» era feita num terreiro com recurso ao sacrifício de animais. Foram publicadas fotos dos jogadores do clube,tornados públicos registos de ex-colegas do vidente que resolveram desabafar depois de eles não terem sido contemplados com o «dízimo» pelo trabalho feito pela chefe do «clã» – obviamente bem pago – e até uma foto do dirigente desportivo durante uma das suas habituais deslocações ao terreiro. João Loureiro nunca desmentiu esses factos escandalosos, mas Hermógenes terá sido também ele «despachado» para o seu luxuoso apartamento na Avenida da Boa Viagem, no Recife, não sabemos se por se ter revelado pouco discreto nas suas actividades. Foi substituído por essa vidente de São Paulo, Márcia Kwiek, ligada a um clã de charlatães.

Estamos em crer que João Loureiro desconhecia a faceta criminosa desta família de etnia cigana que terá encontrado em Portugal a «galinha dos ovos de ouro», tal o número de queixas de pessoas que se sentiram lesadas em muitos milhares de euros, resultantes da «bênção de dinheiro» e ouro em várias cidades do País.

Esta ligação da seita ao presidente boavisteiro rompeu-se por falta de pagamento dos trabalhos «encomendados». Loureiro provou do seu próprio veneno e foi ele mesmo «despachado» da lista de clientes da «bruxa» Márcia. Mais: esta, em acto de retaliação pela falta de pagamento de 200 mil euros – como ela sublinha numa carta publicada no jornal «O Crime» a que atrás aludimos – em vez de providenciar ao clube os adereços geralmente utilizados em «missas negras», tratou de fazer chegar ao director do jornal os documentos que João Loureiro lhe endossara, nos quais, de uma forma cirúrgica, ele apontava os nomes de «amigos» e «inimigos» do clube que deveriam ser alvo da «macumba». Documentos com o timbre do Boavista – cuja autenticidade nunca ofereceram dúvidas (aliás, nunca foram contraditados por João Loureiro, que num telefax, ao ser instado sobre o assunto, afirmava não conhecer nenhuma Márcia Kwiek e que a «pretensa documentação, a existir, era forjada ou fora obtida por meios não transparentes»). Alguns desses papeis respeitavam a questões no «segredo dos deuses» do clube, como foi a operação desencadeada pela PJ do Porto no Estádio do Bessa, em Abril de 2004, tendo sido apreendidos documentos relacionados com contratos de financiamento e construção estabelecidos pelo clube com diversas empresas e entidades bancárias e movimentos de dinheiro com a família Loureiro.

Designados pelo próprio punho do presidente boavisteiro, os «inimigos» foram distribuídos em três categorias: justiça, outros e futebol. Na Justiça, como seria de supor, os alvos eram a juíza do processo «Apito Dourado», Ana Cláudia Nogueira e o Procurador do MP, Carlos Teixeira, sendo igualmente referidos os nomes de agentes da PJ responsáveis pela investigação do processo que abalou as estruturas dirigentes do futebol nacional (os Loureiro acabaram por ser absolvidos no processo «Apito Dourado»; efeitos da macumba?…). Nos «outros», o primeiro nome a ser apontado era o de Luis Filipe Menezes, o presidente da Câmara de Gaia a quem o presidente boavisteiro não nutria grandes simpatias, até por questões relacionadas com o PSD que ambos integravam na altura e em cuja estrutura o dirigente desportivo nunca conseguiu singrar. Em segundo lugar, figurava o nome de Hernâni Ascensão, o ex-homem forte do futebol do Bessa, com quem Loureiro se incompatibilizara…No lote dos «inimigos» constavam ainda os então presidentes do Sporting, Dias da Cunha, Pinto da Costa ( FC Porto), António Salvador (Braga), Luis Filipe Vieira ( Benfica), Chumbita Nunes ( Vitória FC Setúbal), quatro «bruxos» (entre os quais o conhecido «professor» Bambo) e, logo a seguir, entre os jornalistas, figurava Marinho Neves, autor do livro «Golpe de Estádio», que despoletou a denúncia da podridão existente no futebol português.
«Paz, saúde, união e felicidade» era um pedido especial feito à vidente Márcia, antecedendo um pedido formal para que «toda a minha família e que as nossas empresas não tenham problemas de justiça e sejam ilibados de todos os processos», apelando ainda às suas «forças positivas» lançadas pela «bruxa» para que o «Boavista consiga pagar o Estádio do Bessa Século XXI, através de operação de titularização promovida por Laurent Tapie e Somague», a par do pedido para que no «Boavista FC haja sempre dinheiro para pagar salários, impostos e outros compromissos» e que o clube se classificasse para a Liga dos Campeões.

Fosse por causa do rompimento do «contrato» com a «bruxa» devido a falta de pagamento, ou pela maldição lançada, o certo é que, a partir desta altura, o clube do Bessa entrou em derrapagem desportiva e económica, militando actualmente nos escalões secundários do futebol português. Até João Loureiro não conseguiu escapar incólume às malhas da justiça, tendo sido condenado a dois anos de prisão, suspensos por 5, pelos crimes de fraude fiscal e abuso de confiança fiscal, devido a uma dívida contraída enquanto presidente do Boavista às Finanças no valor de 3,4 milhões de euro.O pai, esse livrou-se agora por uma «unha negra» no caso da Quinta do Ambrósio Ninguém acredita em bruxas, mas «pero que las hay, las hay!»…

13
Jan
12

A PEDOFILIA EM PORTUGAL – COMPADRIOS, NEGÓCIOS E TABUS; SIS produziu relatório a que ninguém ligou

Corria o final dos anos 90 quando a «secreta» portuguesa, decorrente de investigação onde, de igual modo, participou uma figura de topo da Polícia Judiciária, produziu relatório subordinado ao tema «A Pedofilia em Portugal:
ponto da situação», classificado como «confidencial» e subscrito por RuiPereira, o então Director-geral do SIS e que chegou a ser ministro da Administração Interna do governo de José Sócrates. E que se deduz ter apenas circulado por figuras cimeiras do governo na área da Justiça, naturalmente pelo PGR, e pelo topo da investigação criminal, nomeadamente, o Director-geral da PJ, o Director Nacional da PSP e, eventualmente, o Comandante-geral da GNR.
O trabalho afincado de agentes do SIS e de elemento da PJ viria, porém, a cair em saco roto. Ao que parece ninguém – nem tão pouco o Procurador-Geral da República – o que é extraordinário – achou por bem mandar instruir processo e,
consequentemente, seguir a linha criteriosa de investigação subjacente ao relatório.
Embora considerando que a pedofilia em Portugal teria «proporções menos alarmantes do que geralmente se supõe», o documento avança, mesmo assim que, na Europa, o nosso país é um dos roteiros das redes de pedofilia,
juntamente com a Roménia e a Espanha. E, tomando como base estudo efectuado, com margem de erro aceitável, o SIS parte do universo da prostituição infantil – filha directa da pobreza moral e material – para calcular que, à época, 900 crianças seriam presa fácil dos abusadores sexuais de menores. Além do mais, foi possível apurar que, para além da prostituição organizada de crianças, ocorreriam anualmente à volta de 140 casos de abuso
sexual de crianças «de idade igual ou inferior a 14 anos», sendo que a maioria deles não seriam denunciados. Destes, 90 por cento dos abusos tinham lugar em meio familiar, embora na esmagadora maioria dos restantes 10 por cento o
abusador seria próximo da mundivivência das famílias, e só em 1 a dois por cento dos casos não haveria nenhum laço de conhecimento entre a vítima e o predador sexual.
Analisando a incidência geográfica destes crimes, o relatório avança com «a Região Autónoma da Madeira, a Área Metropolitana do Porto e a Região Autónoma dos Açores». Caracterizando a situação na Madeira como centro de
actividades das redes e de incremento subterrâneo do turismo sexual, é considerado como causa «graves situações de pobreza, que se traduzem em rendimentos aleatórios (provenientes sobretudo da pesca e dos bordados), mendicidade, precariedade habitacional, desagregação familiar e enorme absentismo escolar». Para além das redes organizadas, o relatório enfatiza a «atitude de passividade ou até de promoção da prostituição infantil por parte das famílias». Não é nada que não se supusesse, mas ser plasmado num relatório produzido com os rigores da investigação e a componente científica que se lhe conhece, vem reforçar a ideia de que a miséria é o centro onde se alapam abusadores e pedófilos, protegidos pela urgente necessidade de dinheiro das famílias das vítimas e a – mesmo parecendo contraditória –
vergonha e condenação social que suscita a promoção do «negócio».
Em Lisboa, a realidade social em que medra a pedofilia não era muito diferente da Madeira, homossexuais pedófilos varejam os locais públicos, ou «agenciam» junto de proxenetas, carne fresca de crianças entre os 10 e os 14 anos. Para além do abuso, em si, fazem filmes e registos fotográficos para seu uso, para troca e, em alguns casos, para comércio dos mesmos – um «negócio» de milhões pago a peso de ouro. As épocas do Natal e da Páscoa seriam particularmente concorridas, e as práticas criminosas ocorreriam com a cumplicidade de proprietários de pensões da baixa, da Praça da Alegria e do Bairro Alto. Tivemos, aliás, ocasião de visitar três desses antros de devassidão e abuso e, num deles – uma pensão da Praça da Alegria -, registamo-nos com um menor pedido por «empréstimo» a um amigo. O recepcionista, ao contrário de obrigação legal, nem proferiu a óbvia pergunta sobre a relação de parentesco. O repórter pagou – aliás, um valor acima da tabela… -, recebeu a chave e subiu ao quarto onde permaneceu meia hora com a criança, para não levantar suspeitas. De salientar que não foi pedida identificação nem efectuado qualquer registo no livro de hóspedes.
Curiosamente, já corria muita tinta sobre o «escândalo Casa Pia», mas quem quisesse dispensar a figura de um intermediário, poderia «caçar» – como então pudemos confirmar – em zonas da área metropolitana como Rossio, Martim Moniz, Cais do Sodré, 24 de Julho, Fonte Nova, Amoreiras, Colombo, Centro Comercial Palmeiras (Oeiras), Pontinha e, na margem sul, fundamentalmente na Costa de Caparica.
Repescamos este parágrafo no relatório do SIS que, cinco anos após a sua restrita divulgação, se mantinha actual como verificamos: «No Centro Comercial Colombo, sobretudo, os casos de pedofilia e homossexualidade têm vindo a aumentar, tornando-se cada vez mais visíveis. Relativamente às formas de abordagem neste local, apurou-se que os menores aguardam no varandim contíguo ao Play Center que potenciais pedófilos os contactem, acordando de seguida o local para onde se deverão dirigir.
Por outro lado, no referido documento referia-se que o Rossio e os Restauradores eram referência habitual no «Spartacus», um conhecido roteiro gay internacional muito permeável à informação de «caça» para pedófilos. E, obviamente, alusão também ao Parque Eduardo VII onde se salienta «a presença quotidiana, principalmente à noite, de pedófilos de nível social elevado».
O relatório – fruto de alguma mistificação e/ou preconceito – faz, do nosso ponto de vista, uma analogia entre homossexualidade e pedofilia. Porém, toda a investigação por nós promovida não a confirma, pelo contrário. Desde logo porque o pedófilo não se fixa no género mas sim na característica etária. E, por outro lado, estudos avulsos referem que o nível de incidência de pedófilos no universo homossexual será, sensivelmente, o mesmo que na orientação heterossexual.
A Costa da Caparica é outra das zonas assinaladas. E, embora nos anos oitenta tenha sido desmantelada uma rede internacional, na década seguinte verificavam-se, de novo, casos de recrutamento, o que enfatiza a capacidade de organização, os apoios locais de que beneficiam e a cumplicidade negligente das autoridades. A Avenida 25 de Abril continua a ser – não só nos anos noventa, mas ainda hoje – local de concentração, de engate e de compra
de favores sexuais com menores.
«Embora menos mediatizado, o problema da pedofilia também é uma realidade nesta região do país. Manifesta-se sobretudo ao nível do abuso sexual de menores intra-família, em resultado da promiscuidade que ocorre em
ambientes sociais muito degradados. Nestas situações, o ‘silêncio’, o ‘medo’ e a ‘vergonha’ são os principais aliados dos pedófilos, havendo razões para supor que tal encobrimento social atinja proporções consideráveis». Esta inserção no relatório refere-se ao Grande Porto, adiantando-se mais adiante que, pese embora persistirem algumas situações pontuais de prostituição infantil, a rede pedófila teria sofrido rude golpe no final dos anos 80, levando ao seu desmantelamento.
Mas, por outro lado, é referida a «multiplicação das denuncias de assédio e alegadas tentativas de rapto de menores junto a estabelecimentos de ensino».
Quanto aos Açores, o relatório volta a enfatizar o «problema iminentemente social» de que enformam as situações de abuso. E, na linha do que mais adiante se falará a propósito de investigação que promovemos em S. Miguel,
«o fenómeno das relações sexuais de adultos com menores de ambos os sexos está, desde há muito, disseminado pela generalidade das ilhas, verificando-se tanto nos meios urbanos como rurais». O epicentro destes abusos é de maior incidência em meio rural, conquanto a prostituição organizada tenha expressão significativa em meios urbanos, mormente «verificando-se que pedófilos de nível socioeconómico elevado são vistos habitualmente na companhia de menores em locais públicos». O que, de igual modo, tivemos ocasião de confirmar, anos mais tarde, aquando da eclosão do «Escândalo da Garagem do Farfalha».
Este relatório do SIS, ao quak a generalidade da Comunicação Social deu pouco interesse mas que retrata factos e temas que permanecem acgtuais, traça um retrato exaustivo de um fenómeno com profundas raízes e cumplicidades no tecido
social, caracterizando e escalpelizando as várias redes que, nos anos que antecederam o relatório, actuavam com relativo à-vontade no nosso país.
Entre os anos de 1989 e 91 esteve muito activa uma rede dirigida pelo engenheiro francês Jean Pierre Roffi, na ocasião acusado de «difusão de material fotográfico com crianças, atentando ao pudor contra menores”, entre
ouros crimes. Uma vivenda da Praia das Maçãs, bem como diversos apartamentos da Costa de Caparica eram retaguardas seguras para a rede e epicentros dos abusos.
Mas, como anteriormente foi referido, várias pensões da baixa de Lisboa fechavam, sob a ganância miserável do lucro fácil, os olhos às actividades dos clientes de Roffi, coadjuvado por dois portugueses por várias vezes
condenados, António Teixeira Castelo e José Henriques Marques Rodrigues. Rapazes entre os 9 e os 14 anos eram preferências do cardápio pedófilo, cuja rede contava ainda com a prestimosa colaboração de Jean-Marc Smadja, um
pedófilo argelino, acompanhante assíduo de Roffi, bem como Alexander Peter Horvath, um suíço que usava o petit nom de «Peixoto» e Peter Heinz Dietrich, um fotógrafo profissional britânico conhecido pelo heterónimo de «Peter
Rebelo».
Uma outra organização criminosa, referenciada como «Rede Britânica», teve actuação expressiva no início dos anos noventa, logo após o eclipse da organização de Roffi. O seu centro de actividades era o parque de campismo
«Costa Nova», na Caparica, tendo instalado ali uma caravana onde praticavam abusos, produziam filmes e sessões fotográficas sem que, por incrível que pareça tivessem concitado a suspeita de funcionários e campistas. O motorista
Carlos Manuel Simões e o canalizador Carlos Alberto Fidalgo Matos Tomás – que tivemos ocasião de contactar telefonicamente, mas que se escusaram a falar – eram os braços portugueses dos britânicos. Mas o relatório faz, ainda,
referência a uma outra rede britânica que teve actividade esporádica e era dirigida por David Bloomefield, autor confesso e condenado por pornografia infantil nas terras de «Sua Majestade».

06
Jan
12

Um vídeo chantagista

«Secreta» acima de todas as suspeitas ou a história de uma «carta» fora do baralho

Numa altura em que se fala tanto de secretas e dos seus segredos, vem a talhe de foice lembrar um episódio do conhecimento pessoal – e não só… – do autor deste « blogue» que reporta a um vídeo tirado à socapa em Luanda e que pode explicar os contornos de alguns «milagres económicos» que ocorreram nos últimos tempos cá no «rectângulo», esses sim, importantes para explicar certas ligações e progressivas conquistas. Esta parece-nos ser matéria de relevância pública, curiosamente, negligenciada pelos media que agora se encarniçam em destruir a Secreta.

O caso foi-nos relatado por Ramiro Ladeiro Monteiro (na foto), o fundador do Serviço de Informações e Segurança (SIS), entretanto já falecido e, por isso, não temos quaisquer pruridos de ordem ética ou deontológica em tornar esta história pública.

Na Administração Pública desde 1958, Ladeiro Monteiro esteve ligado ao Instituto de Assistência Social de Angola e dirigiu o gabinete civil dos Serviços de Coordenação e Informação de Angola. A experiência neste último cargo teve um “forte peso”, segundo Ângelo Correia – ministro da Administração Interna da AD –, para a sua nomeação, não só como director do SEF, mas também como líder do SIS. Talvez reminiscências da sua actividade na função pública – que serviu à moda antiga, ou seja, com lealdade, patriotismo e zelo – logo que Ladeiro Monteiro tomou posse no cargo das «secretas», choveram criticas à sua nomeação, principalmente vindas dos sectores da esquerda, que encaravam o organismo quase como uma réplica da PIDE. Um relatório do Ministério Público elaborado nos anos noventa, apontava mesmo o SIS, detentor de «um preconceito ideológico» contra os partidos da esquerda, alinhavando um cenário «complexo» das suas actividades, «muito próximas em alguns aspectos, de um quadro mental típico do estado Novo».

Ladeiro Monteiro chegou-nos a desabafar algumas inconfidências. Como às pressões que então recebeu – era então ministro da Administração Interna, Dias Loureiro – para que o serviço por si tutelado privilegiasse a elaboração de dossiês detalhados sobre figuras de vários quadrantes, da política ao meio empresarial, a vigilância sobre sindicalistas e dinamizadores de «manifs», ou seja, dossiers que ultrapassavam o âmbito para que fora criado o Serviço.

Costa Freire, ex-secretário de Estado da Saúde, chegou a ser investigado pelo SIS a propósito das alegadas actividades pouco lícitas a que estaria ligado, a pedido do gabinete do então primeiro-ministro Cavaco Silva. Ficámos com a percepção que Ladeiro Monteiro detestava métodos que não se integravam nos objectivos para que foram criados os serviços de informação em Portugal, sendo utilizados os seus meios operacionais e logísticos em estratégias de controlo do poder político, algumas vezes, de formas obscuras e censuráveis. Que era um homem atormentado entre o dever e as pressões de que era alvo.

Já depois de ter deixado o seu cargo, para abraçar a carreira de docente universitário na Universidade Autónoma de Lisboa, Ladeiro Monteiro fez-nos uma espantosa revelação durante um almoço na Baixa lisboeta e no qual esteve igualmente presente um homem que, na «blogosfera», se tem notabilizado, também ele, na denúncia de casos «secretos» que vão conspurcando a democracia. Contou então que um operacional do seu serviço estava na posse de um vídeo, obtido com câmaras ocultas num hotel em Luanda, onde surgiam políticos em destaque portugueses em actos sexuais com menores.

Ao que parece, elementos poderosos da nomenclatura então vigente na antiga colónia portuguesa, com ligações à antiga «secreta» DISA, usavam o filme clandestino como arma de chantagem sobre políticos nacionais na obtenção de contrapartidas económicas. A estupefacção demonstrada pelos dois interlocutores do responsável das secretas foi grande. E foi maior quando o antigo responsável da secreta referiu que a «fita» estava a ser comercializada em Portugal por um valor a rondar os 5 mil euros cada cópia. E não faltaram os interessados em adquiri-la, entre eles, uma das eminências pardas do regime, ao que se julga saber, com ligações a forças de pressão na sociedade, com capacidades invulgares de lançar putativos candidatos a governantes, de interceder em processos judiciais mediáticos, ou, simplesmente, de ser um dos mais respeitáveis «opinion makers», com presença assídua nas TV e jornais.

O resultado desta trama, foi a promoção do operacional na hierarquia do Serviço e a crescente entrada no mercado financeiro e empresarial português dos capitais angolanos.

A sensação com que ficámos foi que, gradualmente, Ladeiro Monteiro se tornou num alvo a abater, seja por guardar demasiados segredos de Estado para os homens que têm detido o poder desde a Revolução, ou por se recusar a entrar em certos jogos que nada tinham a ver com os objectivos do serviço que dirigia.

Com a sua morte, ocorrida em 3 de Maio de 2010, muita gente neste país deve ter suspirado de alívio.