Arquivo de Janeiro, 2012

31
Jan
12

O MISTÉRIO MADDIE – AS «PONTAS» POR DESATAR …

 «Deus castigou David com a morte do filho, para o obrigar a afastar-se do pecado e a voltar ao caminho dos justos» – podia ler-se na página da Bíblia deixada aberta por Kate no apartamento onde a filha desapareceu e que intrigou a PJ.

A Polícia Judiciária – ou pelo menos,a brigada de Portimão que investigou o caso e que teve como figura mais mediática o inspector Gonçalo Amaral,alvo de uma campanha torpe que conduziu ao seu afastamento da Polícia depois de ter chegado a conclusões comprometedoras para os pais da menina  –  não tem dúvidas que a pequena Maddie, a menina inglesa desaparecida do Ocean Club, em 3 de Maio de 2007, está morta. Só os grandes poderes que se movimentaram na esfera da diplomacia e da política – e que incluíram uma visita «mistério» a Portugal do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown – justificam que a investigação não tenha comprometido, de forma mais consistente, os pais da criança, que chegaram a ser constituídos arguidos depois de se terem recusado a responder a questões que a Polícia considerou de interesse para a descoberta da verdade. Esta é a convicção expressa pelo inspector-chefe Gonçalo Amaral ao autor deste blogue baseando-se nos seguintes indícios:

a)    O primeiro, pouco explorado mas que foi publicado no semanário «Privado» (foi esse aliás o grande tema de capa do primeiro número de um jornal de vida efémera) cingiu-se ao desaparecimento do apartamento de uma manta habitualmente usada por Maddie. A Polícia chegou a fotografá-la na altura em que os pais deram o alarme. Surgiram suspeitas que a manta possa ter sido usada como mortalha numa cerimónia fúnebre, provavelmente realizada na Igreja da Luz, da qual, estranhamente, os pais ficaram em poder da respectiva chave tendo entrado no templo por inúmeras vezes, dizem eles, para rezar.

Referiu-nos  Gonçalo Amaral: «A criança em causa, como tantas outras da sua idade, dormia com uma determinada manta e um boneco. Na entrevista que Oprah Winfrey fez a Kate, a entrevistadora interpelou a mãe de Maddie dizendo que sabia que ela se preocupava com a dúvida se o raptor a tapava com a «manta dela». Até aqui nada de especial. Agora repare, aparentemente, a manta usada pela criança ficou para trás, aquando do seu desaparecimento. Existe documentação que prova que não foi levada com ela, não sendo conhecido nenhum testemunho que afirme tê-la visto quando era transportada ao colo por um homem. O  que se pergunta é o seguinte: foi uma gaffe da entrevistadora? A «manta dela» foi a que ficou para trás? Como é que voltou para o apartamento? São perguntas destas que têm de ter uma resposta e podem ser indiciadoras de algo de errado, no mínimo».

b)    O «cuddle cat» ( peluche de Maddie  que Kate usava nas suas aparições públicas) chegou a ser sinalizado positivamente  com cheiro de cadáver pelos cães pisteiros que vieram para Portugal – os mesmos que detectaram o mesmo odor a cadáver no apartamento do Ocean Club, principalmente por detrás do sofá e nos cortinados. Relata Gonçalo Amaral que o boneco foi lavado antes de os cães chegarem a Portugal.

c)    A morte poderá ter ocorrido como consequência de um trágico acidente, dado existirem indícios de negligência na guarda e segurança dos filhos. A este respeito, a Polícia detectou aspectos contraditórios nas declarações prestadas pelo grupo de nove amigos, entre os quais, Kate e Gerry, que jantavam no restaurante Tapas, no Ocean Club, e que não tinham uma visão aberta para o apartamento onde a menina e os irmãos se encontravam. Segundo o testemunho dos empregados de mesa, só dois homens do grupo se levantaram, praticamente em simultâneo. Um deles foi Russell O’Brien, médico, que se ausentou durante praticamente todo o tempo, tendo regressado ao seu lugar cinco minutos antes de Kate se deslocar ao apartamento e alertar para o desaparecimento de Maddie. Russel explicou que a sua filha estava doente e que tinha «vomitado na roupa da cama». Facto que foi contraditado por uma funcionária do aparthotel que declarou que os ocupantes daquele apartamento nunca pediram uma muda de roupa à governanta. Outra contradição do casal Russell: Jane, a mulher do médico, referiu ter visto um homem na rua do Ocean Club a transportar uma criança ao colo. Um irlandês que estava no mesmo local e à mesma hora, declarou à PJ que não viu passar ninguém.

d)     Uma funcionária disse à Polícia que por volta das 3 horas da manhã os pais de Madeleine pediram a presença de um padre no apartamento, não explicando os motivos do pedido. Foi-lhes explicado que àquela hora da noite era difícil satisfazer essa solicitação. Gerald, o pai de Maddie, sustentou que «não foi ele quem pediu um padre, mas sim Kate, para buscar ajuda espiritual». Um relatório da PJ refere que, «por questões de aconselhamento e apoio, os pais solicitaram a presença de um padre, cerca das duas, três horas da madrugada», facto que foi corroborado por um elemento da GNR.O próprio padre referiu à PJ que devido às suas tarefas religiosas e à falta de disponibilidade do casal, só foi possível marcar esse encontro para sábado, dia 5 de Maio. No entanto, uma responsável do hotel assegurou que «no dia seguinte, 4 de Maio, os pais de Maddie estavam acompanhados de familiares que se deslocaram a Portugal e pelo padre local». O relatório final da polícia, reconhecendo a ligação do pároco ao casal McCann, sustenta que o padre nada adiantou de relevante para a investigação. Interligado ou não a este acontecimento indiciador de expiação de uma culpa, os investigadores descobriram na mesa de cabeceira de Kate, no apartamento que ocupou no Ocean Club, uma Bíblia aberta no Antigo Testamento, narrando a morte do filho do Rei David («Deus castigou David com a morte do filho, para o obrigar a afastar-se do pecado e a voltar ao caminho dos justos»)…

e)    Mas existem outras suspeitas de que o cadáver de Maddie possa ter sido ocultado. Na Renault Scénic alugada pelo casal McCann em 27 de Maio, o odor a cadáver foi detectado pelos cães pisteiros. Foi descoberta uma amostra muito reduzida de um fluido humano na traseira do carro e de cabelos compatíveis com o perfil genético de Maddie. Analisado esse elemento num laboratório em Birmingham, apurou-se que o ADN do mesmo não permitia garantir uma correspondência a 100 % com o perfil genético da pequena desaparecida

Faz precisamente quatro anos que o mistério persiste. Documentos revelados pelo site Wikileaks , que pôs a nu dados comprometedores da diplomacia americana e não só… confirmam a tese  expandida por Gonçalo Amaral : a polícia britânica terá obtido provas contra os pais de Maddie baseadas, principalmente, nos indícios obtidos com recurso aos cães pisteiros. O tema veio à baila no decorrer de um encontro que teve lugar em 21 Setembro de 2007 entre o embaixador do Reino Unido em Lisboa, Alexandre Wykeham Ellis, com o seu homólogo norte-americano em Portugal, Alfred Hoffman. Num telegrama que este enviou para Washington agora revelado pelo site de Julian Assange, o embaixador garantiu que Wykeham admitira que a polícia inglesa tinha desenvolvido as provas contra os pais McCann. «As autoridades dos dois países (Portugal e o Reino Unido) estavam a cooperar», escreveu o embaixador no telegrama descrito como «confidencial». O diplomata britânico admitiu ao seu homólogo norte-americano que a atenção da imprensa era esperada e «aceitável» desde que os «oficiais do governo, mantivessem os seus comentários à porta fechada». E assim se fez. De silêncio em silêncio, de portas em portas fechadas, até ao arquivamento total, como é prática recorrente do desenvolvimento de casos mais complicados e onde as mais altas esferas se envolvem. «Talvez essa divulgação pela Wikileaks  possa fazer com que o processo seja reaberto e sejam divulgados, por exemplo, os registos por satélite obtidos pelos serviços secretos dos EUA mostrando quem levou o cadáver da menina para a praia», sustenta Gonçalo Amaral, convicto que este «rapto» ( ou assassínio) transformado em segredo de Estado possa, finalmente, conhecer desenvolvimentos futuros, numa altura em que completam cinco anos após o desaparecimento da criança. Haja vontade política!

30
Jan
12

O caso do médico burlão – a velha «estória» de uma justiça com dois pesos…

O processo em que o médico português João Aurélio Duarte ( na foto) foi condenado a seis anos de cadeia por burla qualificada à ADSE voltou hoje, segunda feira, 30, à baila, cinco anos depois com a leitura da sentença dos co-arguidos na golpada.
João Aurélio Duarte dá actualmente consultas no Centro de Saúde de Paços de Ferreira, mas todas as noites passa a ser o recluso João na cadeia de Guimarães, onde continua a cumprir pena por ter lesado o Estado em quatro milhões. Foi condenado por ter gerido uma rede de oito clínicas que facturavam exames e receitas falsas.
Detido em Março de 2005 pela polícia federal brasileira depois de ser investigado em Portugal por uma fraude à ADSE na ordem dos 7,5 milhões de euros (1,5 milhões de contos) acabou por ser extraditado a pedido das autoridades portuguesas, depois da Direcção Central de Investigação de Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da Polícia Judiciária ter descoberto um anormal fluxo de comparticipações para a mesma entidade, procedendo à respectiva averiguação. Perante a análise dos documentos apreendidos, a PJ terá chegado à conclusão que a grande maioria dos actos de fisioterapia foram simulados, de modo a obter a respectiva comparticipação do Estado.
Sabe-se que a detenção de João Aurélio Duarte no Recife, Brasil – onde liderava a holding JAD Investimentos e Participações, sendo uma figura muito conhecida da comunidade portuguesa, filantropo e membro da Academia do Bacalhau – apanhou as autoridades portuguesas de surpresa que não foram avisadas atempadamente da prisão do clínico … talvez surpreendidas pela forma célere como a Polícia Federal brasileira atendeu o seu pedido…
Curioso, o facto de aqui ter funcionado com celeridade o processo interposto pela justiça lusa do pedido de detenção e repatriamento de um cidadão que tinha a dupla nacionalidade. O mesmo não se poderá dizer em relação a Duarte Lima, acusado pela justiça brasileira de assassinar a secretaria do empresário Lúcio Tomé Feteira, e cujo processo tem sofrido alguns bloqueamentos por parte das autoridades portuguesas. De tal forma que se equaciona a possibilidade, por parte de alguns crânios da justiça, de que se o ex- deputado do PSD for condenado pelos tribunais do «país irmão» alguma vez ele corra o «risco» de ir cumprir a pena no Brasil, contrariamente ao que aconteceu com o médico João Aurélio. A velha questão de «uma justiça com pesos diferentes»…

27
Jan
12

«MASSACRE» DE BALSEMÃO AFASTA ESPIÃO

O grupo de media afecto a Pinto Balsemão prossegue a sua tarefa de desinformação obcecada, de aniquilamento dos Serviços de Informação e de «ataque» a outros lobbies que possam fazer sombra à estratégia do Grupo Bilderberger que lidera em Portugal ( ver artigo neste blogue) tendo por alvo central a figura de Jorge Silva Carvalho, um maçon ligado à Loja Mozart, ex-director do SIED ( Serviço de Informações Estratégicas de Defesa).Pelos vistos, a pressão obcessiva exercida pelo Grupo Impresa terá resultado: Jorge Silva Carvalho demitiu-se quarta feira, do lugar que ocupava na Ongoing, afirmando não querer continuar a ser o «bode expiatório na luta do grupo Balsemão contra essa empresa».
A «Visão», do grupo do magnata da Comunicação Social, (ao que se diz, a atravessar grandes dificuldades financeiras não fora a «almofada» providencial de um amigo banqueiro afecto ao mesmo Grupo e que aposta agora por controlar a Ongoing) anuncia de forma bombástica na capa da edição desta semana “os ficheiros secretos do espião maçon», sobretudo, informações individuais de muitos notáveis que JSC teria guardado no seu smartphone ao deixar os serviços quando se tornou administrador da Ongoing, além de histórias amorosas, ligações a sites e apreciações pessoais de figuras relevantes da vida política, económica e social. Um «escândalo de proporções inimagináveis”, escreve-se na capa com o fito de levar o leitor a «engolir o anzol», ou seja, a adquirir o exemplar. Ávido de sensações fortes ( ou não trate este «blogue« de coisas secretas…) comprámos a revista e desatamos a ler o artigo que no interior surge com um titulo mais «light» : «Os Segredos do Espião Maçon». Como qualquer vulgo leitor, queríamos saber que segredos guardaria o antigo espião, quais eram as tais figuras públicas, os políticos do PSD e PS, os nomes de gestores, ou pelo menos, sectores a que estejam ligados os protagonistas das «histórias amorosas», de que forma é que essas informações poderiam ser utilizadas pelo agora demissionário administrador da Ongoing, que tipo de apreciações individuais foram feitas, porque motivos guardou tão importante espólio… Supomos que seria fácil dar maior corpo e consistência à «bombástica» notícia, pois, segundo se pode ler no artigo da «Visão», a «cacha» fora obtida consultando dezenas de fontes ( que não especifica…seriam ligadas ao SIS? À PJ ?ao DIAP que investiga o super-espião?).
Nada disso. Apenas uma estória requentada de outros artigos que sobre a matéria o grupo de media de Balsemão ( impulsionado pelo «Expresso») vem martirizando os seus leitores e telespectadores, ao estilo «água mole em pedra dura, tanto dá que fura». Só que aqui, no caso da «Visão», o «furo» jornalístico saiu mais que furado. Nada de novo, apenas mais um arrazoado de informações já vindas a público ( e cuja credibilidade ainda está por provar) sobre a vida de Jorge Silva Carvalho, o seu percurso no SIS, as ligações politicas, os amigos que se solidarizam com ele no «facebook», os inimigos que foram armadilhando o seu percurso, com referências despropositadas a filmes sobre espionagem com o fito de alimentar o espírito do leitor ávido de contos ao estilo John le Carré, logo começando com a história de J. Egar Hoover que Clint Eastwood acabou de passar ao cinema.
Farto de tanto «ataque», Silva Carvalho bateu com a porta, sublinhando «não querer continuar a servir de arma de arremesso para ataques de grupos económicos», e que «não era por acaso que em 22 manchetes do Expresso sobre o Caso das Secretas foi capa em catorze»,acrescentando que esta polémica envolvendo o SIS, a Maçonaria e a Ongoing não teria existido se ele não trabalhasse na Ongoing. O conteúdo da «Visão» terá sido o último capítulo que o terá levado a tomar essa decisão.
Uma cacha que é um autentico logro e que se insere numa estratégia de «massacre» e manipulação da opinião pública, tendo em vista o aniquilamento ( conseguido) de Jorge Silva Carvalho que levantou muitos ódios de estimação quando deixou o SIED e passou para a Ongoing ( matéria ainda em averiguação) e uma tentativa de ataque cerrado a outras instituições económicas que possam fazer «sombra» ao grupo de que Balsemão é o expoente máximo em Portugal. Um caso exemplar de publicidade enganosa e de jornalismo da treta ou, como sói dizer-se, de sarjeta… usado ( e abusado) em guerras conspirativas. Que saudades da «Visão» dos tempos de Cáceres Monteiro…e de um «Expresso» batalhador por causas nobres e não ao serviço dos interesses pessoais do seu «big boss».

27
Jan
12

A HISTÓRIA SECRETA DO «REI DAS CORTIÇAS»,UM DOS 200 HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO

A revista Forbes classifica-o como um dos duzentos homens mais ricos do Mundo com uma fortuna avaliada em mais de 5 mil milhões de euros. Américo Amorim, o «Rei da Cortiça», como ficou conhecido e que recentemente em declarações públicas  aquando do anúncio da possibilidade do aumento dos impostos sobre as grandes fortunas, referiu “Não me considero rico.; sou trabalhador”,transformou uma pequena empresa fundada pelo avô em 1870 na líder mundial do sector, embora a sua actual actividade empresarial se estenda desde a Banca, Bolsa, Casinos, unidades turísticas, empresas petrolíferas…Um universo empresarial aparentemente sólido, intocável à crise, embora em 2009 tenha sido obrigado a despedir perto de duas centenas de trabalhadores das suas fábricas do Norte. Pode ter sido uma jogada de antecipação face à actual hecatombe social e económica. Homem prevenido vale por dois, lá diz a sabedoria popular.

Américo Amorim não tem quaisquer pruridos em divulgar histórias sobre a sua infância difícil, propalando-as como se fossem exemplos de vida para as novas gerações. Conta que só deixou de usar sapatos de madeira depois do exame da quarta classe, que ia descalço para a escola, que subiu a pulso na sua escalada empresarial. Mas, asseguram-nos, as coisas não terão sido bem assim. Américo Amorim nasceu mesmo no seio de uma família abastada e o seu avô, no século IXX, já era um dos grandes produtores de vinho do Porto no Douro. Só mais tarde iniciou a sua actividade no ramo da cortiça, que depois passou para os seus filhos, nomeadamente os seus pais. Foi o tio, Henrique Amorim, nascido em 1902 e falecido em 1977,o grande responsável pela ascensão da empresa de cortiça para o topo do ramo em Portugal. Henrique Amorim morreu solteiro, sem filhos, e deixou a herança aos sobrinhos. Tudo, excepto o famoso Museu da Cortiça, que guarda no seu espólio preciosas obras de arte em talha de madeira, à mistura com peças referentes à indústria do sector. Terá sido mesmo este Museu uma «espinha» encravada no relacionamento familiar. Américo Amorim e os seus irmãos nunca terão perdoado ao tio o facto de não lhes ter sido doada a gestão do Museu, que viveu tempos difíceis depois da morte do seu criador. As obras de arte em talha continuam bem tratadas, mas a sala dedicada à cortiça foi completamente esquecida.

Os novos ventos que sopraram do Leste, com a queda do comunismo, terão afectado o império de Amorim. Os mesmos mercados que, no início, se mostraram decisivos no arranque do seu império dourado. Antes e no pós 25 de Abril, não se conhecia a barricada que Américo Amorim decidiu trilhar. Para o «Rei das Cortiças», o objectivo era concretizar um bom negócio, aproveitando os mercados, as situações, o enquadramento político, fossem quais fossem os parceiros ou os métodos escolhidos.

E, no passado, choveram histórias que alimentaram o mito daquele que é um dos homens mais poderosos do planeta. Como aconteceu em Novembro de 1989, quando o semanário romeno, «Contrast», ligou as empresas de Amorim à tenebrosa polícia secreta «Securitate» do ditador Ceausescu .O artigo abordava a actividade desenvolvida por dois elementos conotados com a «secreta» romena, os coronéis Dragos Diaconescu e Gheorge Volniov, no desbloqueamento de várias situações conflituosas surgidas no relacionamento comercial da empresa corticeira através de um escritório que possuíam na Roménia designado «Argus».

O jornal citava os eventuais benefícios concedidos ao grupo português ao concretizar contratos a «preços vantajosos», apesar de existirem ofertas mais rentáveis oferecidas por outras firmas estrangeiras. O «Contrast« fazia referência a declarações do representante do Grupo na Áustria, Gerert Schisser, de que a «Argus teria beneficiado a sua empresa quando assinaram contratos com firmas romenas».Mencionou o facto do coronel Diaconescu «ter obrigado a firma romena Vitrocin a comprar à Amorim aceitando preços propostos por esta última».

Mas vem a talhe de foice lembrar que os contactos comerciais de empresários portugueses com a extinta URSS ultrapassavam o mero pagamento de percentagens. Muitas vezes, para obter essas benesses eram exigidas outras contrapartidas, obtidas através do fornecimento de segredos militares e outros respeitantes a tecnologias de ponta, casos que chegaram a ser analisados pelos serviços de informação ocidentais e pelos novos responsáveis do Kremlin. Um dos quais envolveu uma deslocação dos jornalistas José Leite (antigo chefe de redacção do semanário «o Diabo») e Nuno Rogeiro (o actual comentador da SIC era então sub-director do «Diabo») ao Norte do País, onde tiveram um encontro confidencial com um ex- responsável de uma grande firma de extracção comercial de cortiça, Jaime Nunes de Amorim, com quem se tinha envolvido em litígio laboral. A «vingança» do despedido (que, entretanto, conseguiu ganhar a disputa em tribunal) foi revelar aos dois jornalistas um negócio de passagem de segredos militares que ele próprio havia testemunhado como responsável directo. Contou ele que, através de um seu agente em Viena, o patrão obtivera um volumoso contrato com uma empresa que fabricava, em Roterdão, submarinos sofisticados para a NATO. Esse grande empresário português fornecia materiais de isolamento de compartimentos dos submersíveis, feitos de borracha e cortiça comprimida. Segundo nos referiu essa nossa fonte, o negócio só se concretizou quando esse grande capitalista nortenho prometeu aos representantes de uma empresa pública soviética que lhes iria entregar um «dossier» completo sobre os submarinos (do tipo Dolfijn e Zwaardvis), com a indicação das «performances» em velocidade, propulsão, armamento e sistemas electrónicos.

Transcrevemos parte do diálogo publicado por aquele semanário:

– Durante as negociações eles fizeram perguntas: que submarinos? Quantos? Quais as suas características?

– O relatório foi entregue a um dos soviéticos que o levou para a URSS.»

– A sua empresa forneceu mais informações à URSS?

– Sim, no final da década de oitenta. Eram informações sobre um produto industrial estratégico norte-americano resistente às altas temperaturas. Tinha aplicação no fabrico de equipamentos militares e nos aviões. Tratava-se de uma matéria-prima que a empresa importava dos Estados Unidos para acrescentar a um outro componente de forma a obter esse produto final com essas características. Foram desviadas para a URSS amostras desse produto que o Governo americano considerava de grande valor estratégico. 

Em 1991 rebenta em Portugal o chamado «Watergate Vermelho»: a Federação Russa tornou públicos os nomes de empresários e empresas, além de dirigentes e militantes do PCP, militares ligados às estruturas da NATO, funcionários de institutos científicos ligados à alta tecnologia envolvidos em negócios escuros e missões de espionagem.

Na mira dos dirigentes da «Primavera russa» estava o PCP de Cunhal e um conjunto de empresas portuguesas – entre as quais, o Grupo Amorim – que teriam recebido ajuda financeira do PCUS (Partido Comunista Soviético), a par, por exemplo, da Vesper do Almirante Rosa Coutinho ( que privilegiou os contactos com Angola),a ETEI (mais ligada a Moçambique), Metalquímica, Planco e o jornal «Avante».Esse universo empresarial dos amigos do PCUS era coordenado pela «holding» Numérica ( doc 3) que, por sua vez, prestava contas junto do PCP.O escândalo envolvia ainda o pagamento de comissões (proibidas pela URSS, ou não fosse esse, segundo a propaganda então vigente, um dos males do capitalismo…) por parte das empresas que pretendiam efectuar  negócios com o Leste.

Ao tentarem estabelecer contactos comerciais com a URSS, há muito tempo que os empresários portugueses esbarravam com esse núcleo forte de empresas conotadas com o PC de Cunhal e que gozavam de intermediários privilegiados. Foi com a finalidade de derrubar esse «muro» que, em Outubro de 1988,se deslocou à URSS uma missão da Associação Industrial Portuguesa liderada pelo então presidente, Jorge Rocha de Matos. Este chegou a exprimir a sua mágoa numa entrevista ao «Diabo» pelo malogro da «missão»: «O acordo com a Câmara do Comércio e Indústria da URSS nunca foi possível de implementar pois havia canais privilegiados para se venderem produtos à União Soviética. Desconhecia qual o esquema utilizado mas, à boca pequena, toda a gente dizia que havia interesses em beneficiar um determinado partido político. Diligenciámos junto dos representantes do comércio e da indústria da URSS no sentido de lhes fazer crer que havia vantagens mútuas em acabarem com esses intermediários. Assinámos um acordo nesse sentido, mas nunca foi possível implementá-lo».

 Em declarações que então prestou à Comunicação Social, Jorge Armindo, vice-presidente do Grupo Amorim desmentiu, de forma categórica, que a sua empresa tivesse recebido dinheiro do Orçamento do Estado soviético: «Mantemos relações comerciais com a URSS há mais de 35 anos e nunca utilizámos intermediários. Estabelecemos canais próprios de distribuição através de uma empresa na Áustria», disse.

Faltou falar nos outros canais na Roménia e quem eram os contactos…como vimos, coronéis da «secreta» de Ceausescu, acima de qualquer suspeita…

Do Alentejo, com amor…

Mas foi através de uma entrevista publicada no semanário «o Diabo» com um detido em Pinheiro da Cruz, João Mataloto Freira, representante no distrito de Setúbal do PCP para as questões agrícolas e membro da Associação Portugal/URSS, que muitos segredos sobre do grande roubo perpetrado em nome da reforma Agrária foram desvendados.Referimo-nos à «subtracção» da cortiça por grandes empresários do norte que se encontrava à guarda das UCP alentejanas.

Determinava a lei que o produto pertencia ao Estado. Era este que, através de um organismo próprio – inicialmente a Administração Florestal, posteriormente o IGEF (Instituto de Gestão e Estruturação Fundiária) – promovia a sua venda através de concurso público. Acontece que, dias antes da transacção, pela calada da noite, a cortiça desaparecia das propriedades e era carregada em camiões rumo a empresas transformadoras do Montijo e do Norte do País, delapidando o Estado em muitos milhões de escudos. Vários empresários, guardas florestais, elementos da GNR e responsáveis das cooperativas chegaram a ser julgados e condenados por roubo de cortiça. Sabe-se que, durante esse período de «salvaguarda da Reforma Agrária» (os objectivos eram mais comerciais e de financiamento partidário do que políticos), houve cooperantes que ergueram prédios do outro lado da fronteira (Badajoz) à custa das comissões recebidas. 

Às críticas verrinosas que os apontavam como estando directamente envolvidos neste negócio pouco claro, os irmãos Amorim clamavam a sua inocência. Até mesmo quando surgiram essas declarações bombásticas em Janeiro de 1990 ( no jornal «o Diabo») denunciando o comprometimento de grandes grupos empresariais do Norte, entre os quais o Grupo Amorim, nos desvios de cortiça das herdades alentejanas, em cumplicidade com os agentes locais do PCP e responsáveis das UCPs.

Nas cartas que revelou quando estava detido em Pinheiro da Cruz, onde cumpria pena de nove anos de cadeia por burla agravada, processo em que diz ter sido «enrolado» pelo PC de Alcácer do Sal (e por se ter sentido traído pelos «camaradas» de partido resolveu desabafar), Mataloto Freira explicava como se processava a golpada altamente penalizadora para os cofres do Estado: «A cortiça representava uma grande fonte de rendimentos para as cooperativas, já que esse dinheiro permitia, ao fim do ano, tapar os défices de uma gestão ruinosa. Quando saiu a Lei da Cortiça, as cooperativas deixaram de receber essas elevadas verbas. Apenas lhes era paga a extracção, o carrego e o empilhamento a um tanto por arroba, e mais nada, ficando a cortiça a ser pertença do Estado que se encarregava da sua venda. Numa reunião efectuada no Partido, que contou com a presença de representantes de todas as cooperativas filiadas na União, foi decidido que cada uma se deveria desenvencilhar no sentido de fazer algum dinheiro com a cortiça. Contactámos vários compradores e estes mostraram-se abertos a comprar cortiça às UCPs pela “porta do cavalo”.Isto é, quando a cortiça era retirada da árvore, uma parte ia para a pilha que se determinava fazer nas herdades sob orientação dos Serviços Florestais; uma outra, era carregada em camionetas do comprador e levada para a fábrica ou para uma herdade onde este tivesse feito um negócio legal (caso do Amorim), saindo como se toda ela fosse oriunda dessa propriedade».

«E assim, com o meu conhecimento, foram transaccionadas as seguintes quantidades de cortiça só para o comprador Amorim e Irmãos de Santa Maria da Feira: Cooperativa Cravos Vermelhos (76.179 arrobas); Vitória do Sado ( 53 mil); Albergue ( 29.600): Soldado Luís (47 mil);Casebres ( 20.600) 17 de Maio( 37.900); 1º de Janeiro ( 5 mil); Poder Popular ( 3600)»

Contou  Mataloto Freira que o dinheiro resultante destes negócios era contabilizado (quando não era logo dividido entre os cooperantes) como venda de gado ou arroz. «Em alguns casos, as cooperativas até pouco gado tinham e outras nem arroz produziam», conta. Era o PCP quem enviava contabilistas de Lisboa, os quais, «voluntariamente davam uma ajuda ao cooperante que estava no escritório para o ajudar a encontrar maneira de contabilizar estas entradas de dinheiro da melhor maneira» …

João Mataloto Freira afirmou que muitas dessas suas denúncias – inclusive, os nomes dos grandes empresários envolvidos – foram encaminhadas para a PJ, estranhando que ao longo de décadas, apenas o «peixe miúdo» tivesse respondido perante a justiça. Nos tribunais de Beja e Portel, nos anos noventa, correram vários processos citando uma empresa do Grupo Amorim, a «Flocor», por alegado comércio ilegal de cortiça, factos que foram judicialmente inocentados.

Américo Amorim era tido com o um personagem que evitava envolver-se directamente nos negócios no Alentejo. Tinha os seus «testas de ferro» – João Mataloto fala na intervenção de um irmão, José Amorim, que referencia nas cartas que nos entregou – que contactavam os responsáveis das UCP e desbloqueavam as situações mais complicadas.

Um representante do Grupo na região chegou mesmo a receber um telex assinado por Américo Amorim onde este lhe dava instruções para contactar funcionários da Direcção Geral de Florestas de Évora no sentido que fosse libertada a cortiça depositada na Herdade do Panasquinho que tinham sido apreendida, encontrando-se parte do produto a apodrecer há mais de um ano em dois camiões apresados pela GNR num parque da capital alentejana. E o certo é que a matéria-prima foi libertada como por encanto, o que comprova a «força dos argumentos» deste grupo empresarial…

«Atendendo a que me parece que a PJ e não só, apesar de me terem ouvido por duas vezes e dizerem que iam actuar, nada terem feito até agora, certamente porque se trata do grande Amorim que até era do MASP (Movimento de Apoio a Mário Soares à Presidência), entendo actuar desta maneira», refere João Mataloto Freira explicando os motivos pelos quais acedeu a ter este contacto com um jornalista de «o Diabo».

Essas sombras do seu passado em nada parecem ter beliscado aquele que é detentor de uma das maiores fortunas do país e do Mundo. E que soube, como ninguém, gerir a sua imagem entre os poderosos, qualquer fosse o poder vigente. Na sua Herdade do Peral, em Évora, que adquiriu a Jorge de Mello, em 1987,por um milhão de euros, oferece lautas refeições e aprazíveis convívios aos maiorais do regime. Dias Loureiro, o antigo homem forte do BPN e antigo Conselheiro de Estado, Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e homem forte da banca angolana, Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica são alguns dos parceiros de caçadas. Américo Amorim é um excelente relações públicas, ou seja, sabe vender o seu negócio e imagem, das esquerdas às direitas…sobrevivendo a tudo e a todos, até aos regimes.

25
Jan
12

Bilderberg : «DURÃO BARROSO SERÁ O NOSSO HOMEM NA EUROPA»

Para a compreensão do poder «lobbista» que o grupo Bilderberg tem na sociedade contemporânea, atente-se no livro publicado pelo jornalista lituano Daniel Estulin, um profissional de faro investigador e arguto que, durante mais de uma década, se dedicou a compreender – e a desvendar – os objectivos desse grupo especialíssimo, composto por banqueiros, políticos, especialistas em defesa, financeiros, especuladores internacionais e empresários de grandes corporações que resumem o poder global e que mexe os cordelinhos da política e economia em Portugal.
Segundo o livro, pouco divulgado em Portugal, esse grupo seleccionado reúne-se secreta e frequentemente com o objectivo de planear decisões que influenciam o andamento global, criando, assim, uma espécie de Nova Ordem. Um grupo capaz de tecer fios invisíveis que manipulam tanto a OMS quanto o FMI, passando pelo governo dos EE.UU., pelas Nações Unidas e pela União Europeia, além de levar seus tentáculos ao Oriente.
Em entrevista ao extinto “SEMANÁRIO», publicada em Janeiro de 2006, Daniel Estulin falou sobre os portugueses que têm participado nas reuniões do Grupo, na crise política de 2004 em Portugal e da influência de Bilderberg na escolha de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia. Estulin diz que as suas fontes lhe confirmaram que Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, terá dito o seguinte sobre Durão: é “indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa”. Curioso como outros pontos aflorados pelo jornalista e que assentam em estratégias definidas pelo Grupo Bilderberger – como é o caso do desenfreado liberalismo à escala global com todas as suas consequências na política de emprego – têm plena actualidade.
«Semanário» – Quais os portugueses que participaram na reunião de Bilderberg de Stresa, em 2004?

Francisco Pinto Balsemão, Pedro Santana Lopes, José Sócrates. A lista de participantes portugueses ao longo dos anos é bastante extensa, se considerarmos o tamanho do país.

«Semanário» – Nessa reunião, face ao poderio e influência de Bilderberg e ao facto de ser um clube predominantemente europeu e americano, alguém defendeu Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia?

Torna-se importante compreender que é irrelevante quem ocupa a cadeira de presidente da Comissão Europeia. Durão Barroso representa os interesses do “governo mundial”. Tanto Kissinger como Rockefeller apoiaram energicamente a candidatura de Durão Barroso para aquele posto.
Barroso também foi amplamente apoiado pelos bilderbergers americanos em Stresa, por este ter apoiado a intervenção americana no Iraque. No entanto, Durão foi resguardado. Recorda-se da tão criticada cimeira dos Açores, justamente antes da Guerra do Iraque? O consenso na altura foi no sentido de não considerar Durão Barroso um verdadeiro participante na cimeira. Agora, começa tudo a fazer sentido. Ele foi afastado para tornar a sua nomeação para a Comissão Europeia mais apelativa. Desta forma, ele não fica ligado ao fiasco iraquiano.
Outro dos apoiantes de Barroso foi John Edwards, candidato a vice-presidente dos EUA, com John Kerry, que também esteve presente nas reuniões de Bilderberg. Como nota de referência, tenho relatórios de várias fontes internas da reunião de Bilderberg que referem a fraca capacidade oral e a fraca personalidade de Barroso. Decidiu-se mesmo limitar as suas aparições em público ao mínimo. Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, chegou ao ponto de o chamar, “off the record”, “indiscutivelmente o pior primeiro ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa”.

«Semanário» – Santana Lopes esteve presente em Stresa e um mês depois era primeiro-ministro. Há alguma relação nestes dois factos?

Aprendi ao longo dos anos a seguir de perto todos os passos dos bilderbergers nas semanas que se seguem à sua reunião anual. Por exemplo, logo a seguir à reunião anual de Stresa, Itália (3-6 deJunho), gerou-se uma crise política em Portugal, que teve o seu fim no final do mês. Durão Barroso, primeiro ministro (agora presidente da Comissão Europeia), demitiu-se oficialmente a 29 de Junho. O rumor à volta do nome de Santana Lopes como futuro primeiro-ministro é lançado por volta de 28 de Junho. Curiosamente, é nesse dia que ele afirma não ser verdade que tenha sido convidado para participar na reunião anual de Bilderberg. Isso foi até alguém mostrar-lhe uma foto que eu tirei em Stresa.
Muito tem sido dito acerca de Barroso ter escolhido o seu companheiro do PSD, Santana Lopes, para seu sucessor. Essa escolha foi intencional, como toda a confusão que se seguiu. O que as pessoas não sabem é que a falsa noção de democracia é suposto ser isso mesmo – um truque. A esquerda e a direita são propriedade dos bilderbergers, não só em Portugal como em todos os países. Barroso é um bilderberger, assim como Sampaio, Lopes, Sócrates, etc. Na Alemanha, tanto Merkel como Schroeder, estavam presentes na conferência deste ano. Da Espanha, Rato, presidente do FMI e ex-ministro das Finanças de Aznar, esteve presente em Rottach-Egern, este ano. O conselheiro económico-chave de Zapatero, Miguel de Sebastian, também lá esteve. Blair é um bilderberger, assim como Kenneth Clarke, um dos membros-chave dos conservadores britânicos e, supostamente, um dos seus maiores inimigos.
Em relação a Santana Lopes, pude confirmar junto de três fontes independentes que a conversa de final de tarde a 4 de Junho de 2004 (durante a reunião de Bilderberger em Stresa), andou à volta do plano de Santana em mudar a Constituição portuguesa, para criar um nova instituição de poder, um Senado, em que o governo poderia nomear senadores vitalícios. O que conduziu à resposta sarcástica de Richard Haass, presidente da CFR (Trilateral): “Não soa muito a uma tentativa genuína de reforma democrática.”

«Semanário» – À semelhança de Santana, Sócrates também participou na reunião de Stresa e menos de um ano depois também era primeiro-ministro…

Tive acesso a informação contraditória pelas minhas fontes, algumas delas a dizer que Sócrates foi colocado para criar ainda mais descontentamento dentro das suas próprias fileiras. Outros dizem que o seu verdadeiro propósito ainda está por ser determinado.
( Nota Do Crimedigoeu – Dominique Strauss Kahn, o anterior líder do FMI ,organização controlada pelo Grupo Bilderberger ,sendo o antigo presidente do Fundo um dos seus membros mais proeminentes, terá sido vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes grupos financeiros mundiais. Numa conferência na George Washington University,dada poucos meses antes de rebentar o escândalo em que se viu envolvido, acusado de violar uma criada de quarto de um hotel em Nova Iorque, Dominique Strauss Kahn foi mais longe nas suas declarações: “A mundialização conseguiu muitos resultados…mas ela também um lado sombrio: o fosso cavado entre os ricos e os pobres. Parece evidente que temos que criar uma nova forma de mundialização para impedir que a “mão invisível” dos mercados se torne num “punho invisível””.
Dominique Strauss Kahn assinou aqui a sua sentença de morte, pisou a linha vermelha, por isso foi armadilhado e esmagado pelas elites financeiras e económicas que se acobertam no Grupo Bilderberger e que tudo fizeram para linchar o homem, especialmente através dos poderosos grupos de media que controlam.. Neste contexto, pode-se especular se este propósito de que Estulin fala não terá a ver com a criação de um panorama de grave crise em Portugal, fruto em parte de uma politica económica ruinosa e sem precedentes do Governo de Sócrates, propiciando a entrada no «rectângulo» do FMI, que aqui veio abichar milhões de à pala do empréstimo salvador)…

«Semanário»- Quem levou Santana e Sócrates para a reunião de Bilderberger de 2004?

Pinto Balsemão, o homem mais poderoso em Portugal e um membro-chave do todo poderoso comité de decisão da Bilderberg. Pinto Balsemão é o mais importante bilderberger português. Desde o início dos anos noventa que é um membro permanente do comité de decisão (steering) de Bilderberger, significando que pertence a um grupo de pessoas que tomam as decisões finais acerca dos proponentes, temas de agenda, etc. Ele é o “homem bilderberger em Portugal”. Nenhuma decisão pode ser tomada sem o seu selo de aprovação. Presidentes e primeiros-ministros vão e vêm, mas Balsemão permanece. É a solitária sombra do poder.

«Semanário» – O ex-ministro Morais Sarmento participou na reunião deste ano de Bilderberg. Também foi Balsemão quem o convidou?

Também foi Pinto Balsemão quem o levou.

«Semanário» – Paulo Portas nunca esteve em Bilderberg?

Portas nunca esteve presente em nenhuma reunião de Bilderberg. Não sei porquê. Balsemão nunca me disse (irónico). No entanto, pelo que pude apurar das minhas fontes, Portas não oferece garantias aos próprios bilderbergs.

«Semanário» – O clube tem mesmo influência política a nível mundial ou foi já um mito que se criou?

Para além do que já referi, até sobre Portugal, gostaria de usar como exemplo da influência de Bilderberg nas eleições alemãs de 2005. Na conferência de Bilderberger em Rottach-Egern, os bilderbergers queriam mudar a imagem enfadonha de Angela Merkel, a “futura líder” da Alemanha nas eleições alemãs a 18 de Setembro. Um homem de bilderberger deu a opinião que para que os eleitores alemães pudessem aceitar Merkel como chanceler seria importante dar uma nova definição do termo valores de família. Bilderbergers alemães bem versados na psique colectiva bavariana acreditavam que a imagem de Merkel, uma divorciada com um doutoramento em física, não seria considerada de “confiança”, por forma a atrair votos suficientes nesta firme área conservadora do país. Seria, então, importante enfatizar a importância do conceito de família. E esta estratégia foi aplicada nas eleições.
Sobre Merkel, recordo, ainda, que com os Bilderbergers a colocar de parte Schroeder a favor de um novo candidato, isto poderia significar que após três anos de guerrilha entre bilderbergers americanos e europeus em torno da guerra do Iraque, o clube estaria pronto para colocar em marcha uma política mais coesa. Lembre-se que Schroeder, assim como o Presidente Chirac, eram dos mais vociferantes críticos da intervenção americana no Iraque. Schroeder, representando a esquerda, e Merkel, representando a direita, são propriedade dos Bilderbergers. Apesar de Bush junior não estar presente pessoalmente na reunião secreta em Rottach-Egern, o governo americano estava bem representado por William Luti, Richard Perle e Dennis Ross do Instituto de Washington de Near East Policy.

«Semanário»- Os participantes de Bilderberg não falam que estiveram presentes nas reuniões e muitas vezes desmentem mesmo que tenham lá estado… …

Os participantes do clube estão explicitamente proibidos de discutir Bilderberg em público.

«Semanário» – O que foi discutido em Stresa, em 2004?

Para além do que já disse, outro dos items de Stresa esteve relacionado com a “liberalização dos mercados mundiais”. Os bilderbergers sempre estiveram a favor de extremo liberalismo. Estamos a chegar a um nível profundo de liberalismo com tendência a ser restaurado em máxima força nas suas crenças e credo. Historicamente, o liberalismo sempre reivindicou três liberdades: liberdade de mão de obra. Isso não significa que os trabalhadores serão livres, mas que o povo será livre de se mover de um país para o outro, uma região para outra. Para os bilderbergers isso é muito importante. Significa que os patrões terão um livre acesso a uma grande massa de mão-de-obra. Quanto mais global for, melhor. Liberdade de solo: significando que o solo é tão importante como qualquer outra mercadoria. Liberdade de moeda. Em que o dinheiro também é uma mercadoria como qualquer outra. Recordo que a primeira vaga de liberalismo desvaneceu-se entre 1920-1930, após ter feito muitos estragos nas sociedades americanas e europeias. O seu sistema afirmava que se tudo for livre e as empresas não efectuarem cartéis ou monopólios, com nenhum trabalhador a pertencer às centrais sindicais, o sistema irá enriquecer toda a gente. Isto é uma perfeita utopia, mas baseados nas obras de economistas laureados com o Prémio Nobel da Economia, bem como desenvolvimentos matemáticos, isto parece aos seus olhos verdade. O sistema exige que cada país do mundo seja incluído, e que cada indivíduo seja eficaz. É por isto que o liberalismo e a globalização trabalham tão bem juntos. Como é por isto que existe o grupo Bilderberg.

«Semanário» – Portugal recebeu, em 1999, uma primeira reunião de Bilderberg, que teve lugar em Sintra. O que foi aí discutido?

Um dos itens principais teve a ver com o comércio de ouro e a posição da Inglaterra na União Europeia. Em Sintra os bilderbergers decidiram castigar a Inglaterra pela sua contínua resistência em relação ao espírito federal europeu. O método que estavam preparados para utilizar contra os inocentes britânicos seria o de um ataque frontal ao comércio de barras de ouro. Um grupo restrito de Bilderberg, onde estavam Rockefeller, Kissinger, Victor Halberstadt, professor de economia da Universidade de Leiden, Etienne Davignon e Umberto Agnelli, reuniu com os governadores dos Bancos Centrais da Europa. A seguir à reunião de Sintra, a maioria dos Bancos Centrais, em Setembro de 1999, fizeram uma surpreendente declaração em que estariam a adiar, por cinco anos, o dumping de ouro, que previamente teriam feito, supostamente porque já não gostavam de ter ouro nas suas reservas. O anúncio causou um tendência de subida nas barras de ouro. O Banco de Inglaterra organizou um leilão de ouro de algumas supostas reservas. O mais impressionante para alguns de nós, não familiarizados com o comércio do ouro e a sua realidade, é que, na realidade, uma barra de ouro quase nunca é comercializada. Dessa forma o Banco de Inglaterra estaria a oferecer ouro “teórico” (apenas em papel), não o verdadeiro ouro que tinha em sua posse. Quando o bilderberger George Soros descobriu, lançou um ataque ao Banco de Inglaterra, provocando que o preço do ouro aumentasse para quase 330 dólares a onça.

25
Jan
12

A DEMISSÃO DO DIRECTOR NACIONAL DA PSP E OS SINAIS PREOCUPANTES DE CENSURA GOVERNAMENTAL

Segundo foi revelado pelos jornais, o novo director nacional da PSP, superintendente Paulo Valente Gomes, reúne o consenso geral, desde a própria instituição aos sindicatos, condição a que não será alheio o facto de ser o primeiro oficial formado pela PSP a chegar ao topo da hierarquia.
O ministro da tutela, Miguel Macedo, com esta substituição quer dar sinais que tenciona pacificar todos os sectores da Polícia, em estado de revolta por causa de cortes salariais, a inexistência do estatuto de pessoal, falta de meios materiais, estagnação nas carreiras, congelamento das nomeações de oficiais para cargos de responsabilidade e das medidas disciplinares brutais, como foi o caso da instauração de processos disciplinares a elementos que prestam serviço no Aeroporto de Lisboa com recurso a câmaras de vigilância, como aqui referimos anteriormente neste blogue.
Não pondo em causa a medida tomada pelo ministro Miguel Macedo, o que se pode contestar é a forma e o «timing» escolhidos para afastar o anterior director nacional, Guedes da Silva, que há muito não granjeava as «boas graças» da tutela, especialmente depois de se saber que este responsável esteve prestes a ser afastado em Outubro do ano passado, após ter desbloqueado uma verba a rondar os 9 mil euros que utilizou para custear uma viagem a Angola. Acontece que no dia em que foi exonerado, Guedes da Silva deu uma entrevista a um canal de TV pondo a nu as fragilidades da instituição, fragilidades essas também resultantes da incapacidade demonstrada pela tutela em resolver os graves problemas com que a PSP se debate, dando de certa forma o seu aval ao teor de uma carta subscrita por vários superintendentes a mostrar o seu descontentamento face ao empobrecimento desta força de segurança. Ora, o governante resolveu assim, de forma célere matar o «mensageiro», não se sabendo se o novo responsável poderá ou não ter os meios, apoios e solidariedade institucional suficientes ao seu dispor para resolver os problemas da instituição.
Tenha ou não fartos e acertados motivos para afastar o director nacional, a decisão de Miguel Macedo resvalou na perigosa sensação de que o governo não gosta de críticas. Na senda de outras medidas tomadas recentemente, como foi o caso de acabar com o programa da Antena 1 no ar há mais de dois anos, «Este Tempo», quando o seu responsável, Pedro Rosa Mendes, criticou numa crónica a viagem da RTP a Angola do ministro Miguel Relvas para participar num programa em directo de Fátima Campos Ferreira ( essa jornalista sempre, sempre engajada ao poder reinante, seja qual for a sua cor), no qual não houve vozes discordantes e que consubstanciou um autêntico panegírico das excelências do governo ditatorial e antidemocrático de José de Eduardo dos Santos.
São sinais da tal censura que o governo da Nação, seja qual for a sua linha, tende a implementar, resquícios do passado salazarento que estes 38 anos de democracia não conseguiram ainda extirpar.

24
Jan
12

CAVACO, OS «SOPRANOS» E A ESTRATÉGIA DO SILÊNCIO

Fustigado coma polémica que tem sido alvo nos últimos dias, depois de referir que as suas duas reformas não chegam para cobrir as despesas que tem, Cavaco Silva vem agora esclarecer que a sua intenção foi ilustrar, com o seu próprio exemplo, que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades. «Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas», refere o Presidente.
Habituado a gerir silêncios de forma tenaz, o Presidente espalhou-se agora ao comprido, ao tentar mostrar, de forma atabalhoada, que ele também é um homem do povo, de origens humildes ( se bem que o pai fosse dono de uma bomba de gasolina no Algarve, o que indiciava na altura ter rendimentos acima da média), tentando colocar-se à parte de uma classe politica abastada, interesseira e que se aproveitou da sua sombra para projectar as mais variadas negociatas e clientelismo. Foi à custa de Cavaco, e com o seu beneplácito, que personagens dignas de figurar num episódio dos «Sopranos» singraram, enriqueceram e construíram o seu império, como foi o caso de Oliveira e Costa, o antigo dono do BPN, Dias Loureiro, que chegou a sentar-se no palácio de Belém como conselheiro de Estado, ou Duarte Lima, que à pala dos bons cargos que teve no PSD ( chegou a ser líder parlamentar) geriu e «engordou» à custa dos mais variados «lobbies» e negociatas.
Inúmeras vezes Cavaco fingiu distanciar-se da classe política, colocando-se sempre noutra classe de pessoas, apesar dos mais de 30 anos de participação activa, ao mais elevado nível, na condução dos destinos do país, desde que decidiu pôr-se ao volante da sua viatura e partir rumo à Figueira, para participar num congresso «laranja» onde saiu vencedor. De forma recorrente, recorda as suas origens humildes, a de ser um homem do povo, a de estudante a viver em quartos em Lisboa, e esgrime o seu orgulho pessoal de ter subido na vida a pulso, procurando incentivar o povo com o seu exemplo.
Cavaco Silva quer mostrar distanciamento da classe política. Não quer ser da classe dos ricos. Mas tem cinco propriedades no Algarve, uma luxuosa vivenda, um apartamento em Lisboa e um rendimento de dez mil euros mensais, segundo consta na sua declaração de rendimentos de 2010, fora um pecúlio amealhado ao longo de anos que ronda os 600 mil euros ( o tal pecúlio que diz agora ter de recorrer por via das suas magras pensões…) Não quer ser da classe dos poderosos, tem horror à burguesia e às festas do «croquete». Mas, entretanto, passou 30 anos a pisar passadeiras vermelhas por todo o Mundo, a lidar com os homens do grande capital, como foi o caso de Oliveira e Costa ou Dias Loureiro, seus antigos acólitos, amigos de casa, colegas de partido, de governo e de lideranças, companheiros de aventuras e lutas partidárias, vizinhos de Verão e sardinhadas e aos quais mantém agora um prudente distanciamento. Cavaco viu ao longo de décadas empresários, poetas, artistas, filósofos, políticos, músicos, nobres, jornalistas, professores, médicos, advogados, estadistas e todos os melhores representantes de todas as classes superiores a desfilar à sua frente, ouvindo-o, curvando-se, bajulando-o, adorando-o. Teria ou não acções no BPN, as quais, ao que parece, estavam em nome de familiares e a data de se descartar das mesmas terá sido uma simples coincidência? Terá ou não amparado o percurso político de Duarte Lima, enredado num crime de fraude de 44 milhões de euros ao BPN e numa acusação de autoria do assassínio da secretária de Tomé Feteira? Ou incentivado o percurso no partido de Dias Loureiro, que entrou na política a ganhar 40 mil escudos mensais como Governador Civil em Coimbra e dela saiu com os bolsos a abarrotar de dinheiro, depois do antigo conselheiro de Estado ter sido envolvido no escândalo BPN por via dos negócios ruinosos com Banco Insular de Cabo Verde?
O silêncio, o tal silêncio de chumbo que agora gere acerca dos acontecimentos envolvendo estes personagens, outrora pares próximos, foi a melhor estratégia do presidente, como também foi naquele episódio de um seu próximo assessor, Fernando Lima, ter inventado o caso das escutas no Palácio de Belém como arma de arremesso contra o governo de Sócrates em clima pré-eleitoral
Cavaco Silva fala muitas vezes em nome do povo, das suas misérias, quer ser solidário, tornar-se uma espécie de messias salvador, providencial, esgrimindo também ele, de forma farisaica, as suas próprias necessidades, esquecendo-se que ele foi um dos principais impulsionadores da assinatura do Acordo coma Troika e do recente Acordo de Concertação Social que se traduziu na machadada final ao Estado Social e nos direitos dos trabalhadores, até agora, intocáveis.
Gerindo no silêncio os mais variados interesses, quase sempre ligados à sua clique partidária e ao seu grupo de amigos partidários, Cavaco pôs a careca à mostra, ao decidir falar, vestindo a farpela do povo. Deveria regressar com a possível brevidade à sua função de sábio da Economia – e mesmo aí temos algumas dúvidas, pois foi durante o seu consulado como primeiro – ministro, e a protecção desmesurada aos grandes interesses económicos ligados ao «betão», que apressou a bancarrota do país…