25
Jan
12

A DEMISSÃO DO DIRECTOR NACIONAL DA PSP E OS SINAIS PREOCUPANTES DE CENSURA GOVERNAMENTAL

Segundo foi revelado pelos jornais, o novo director nacional da PSP, superintendente Paulo Valente Gomes, reúne o consenso geral, desde a própria instituição aos sindicatos, condição a que não será alheio o facto de ser o primeiro oficial formado pela PSP a chegar ao topo da hierarquia.
O ministro da tutela, Miguel Macedo, com esta substituição quer dar sinais que tenciona pacificar todos os sectores da Polícia, em estado de revolta por causa de cortes salariais, a inexistência do estatuto de pessoal, falta de meios materiais, estagnação nas carreiras, congelamento das nomeações de oficiais para cargos de responsabilidade e das medidas disciplinares brutais, como foi o caso da instauração de processos disciplinares a elementos que prestam serviço no Aeroporto de Lisboa com recurso a câmaras de vigilância, como aqui referimos anteriormente neste blogue.
Não pondo em causa a medida tomada pelo ministro Miguel Macedo, o que se pode contestar é a forma e o «timing» escolhidos para afastar o anterior director nacional, Guedes da Silva, que há muito não granjeava as «boas graças» da tutela, especialmente depois de se saber que este responsável esteve prestes a ser afastado em Outubro do ano passado, após ter desbloqueado uma verba a rondar os 9 mil euros que utilizou para custear uma viagem a Angola. Acontece que no dia em que foi exonerado, Guedes da Silva deu uma entrevista a um canal de TV pondo a nu as fragilidades da instituição, fragilidades essas também resultantes da incapacidade demonstrada pela tutela em resolver os graves problemas com que a PSP se debate, dando de certa forma o seu aval ao teor de uma carta subscrita por vários superintendentes a mostrar o seu descontentamento face ao empobrecimento desta força de segurança. Ora, o governante resolveu assim, de forma célere matar o «mensageiro», não se sabendo se o novo responsável poderá ou não ter os meios, apoios e solidariedade institucional suficientes ao seu dispor para resolver os problemas da instituição.
Tenha ou não fartos e acertados motivos para afastar o director nacional, a decisão de Miguel Macedo resvalou na perigosa sensação de que o governo não gosta de críticas. Na senda de outras medidas tomadas recentemente, como foi o caso de acabar com o programa da Antena 1 no ar há mais de dois anos, «Este Tempo», quando o seu responsável, Pedro Rosa Mendes, criticou numa crónica a viagem da RTP a Angola do ministro Miguel Relvas para participar num programa em directo de Fátima Campos Ferreira ( essa jornalista sempre, sempre engajada ao poder reinante, seja qual for a sua cor), no qual não houve vozes discordantes e que consubstanciou um autêntico panegírico das excelências do governo ditatorial e antidemocrático de José de Eduardo dos Santos.
São sinais da tal censura que o governo da Nação, seja qual for a sua linha, tende a implementar, resquícios do passado salazarento que estes 38 anos de democracia não conseguiram ainda extirpar.

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