A consequência lógica deste descrédito nacional e internacional que o SIED actualmente goza face a este escândalo, era o fecho dos seus serviços para «averiguações», com o imediato despedimento do seu responsável máxmo, Júlio Pereira ( como muito bem alvitrou o professor Marcelo rebelo de Sousa), criando-se uma nova estrutura de raiz, menos permeável a influências exteriores, seja de políticos, empresas ou de pessoas com «avental»…A Bem da Nação.
Prossegue a morte lenta dos nossos serviços de informação. Hoje, na Assembleia da República,o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, questionado pelos deputados, acabou por revelar ter, afinal, recebido mensagens e emails do «super-espião», ex-director do SIED, Jorge Silva Carvalho, sobre funcionários das «secretas» que interessava serem promovidos a dirigentes, e alguns «clippings de imprensa. O ministro referiu que não deu andamento a essas pressões do homem agora acusado de ter passado a uma empresa privada, a «Ongoing», informações reservadas de carácter económico, chegando mesmo a solicitar a algumas «antenas» dos departamentos de África do SIED, quando já estava na «Ongoing», informações sobre áreas de cooperação e de negócios sobre as antigas colónias portuguesas, nomeadamente, Angola, Moçambique Cabo Verde. Estes relatórios confidenciais do SIED sobre África podem estar comprometidos, depois de Jorge Silva Carvalho ter sido acusado pelo MP de violação do segredo de Estado, corrupção, abuso de poder e acesso ilegítimo agravado.
Miguel Relvas não respondeu à questão, lançada pelos deputados do BE Cecilia Honório e do PCP António, Filipe, sobre se nunca se questionou em que estatuto Silva Carvalho lhe enviava clippings diários de imprensa e SMS e se sabia que as informações recolhidas ilegalmente no SIED eram depois remetidas, também ilicitamente, para Silva Carvalho, então já na Ongoing. Esta situação acabou com a exoneração na passada semana do director geral adjunto do SIED, João Bicho, que enviou a Silva Carvalho, pelo menos até Outubro do ano passado, resenhas de imprensa diárias, com notícias nacionais e internacionais.
Relvas disse ter conhecido Jorge Silva Carvalho quando foi eleito secretário-geral do PSD e enquanto exerceu funções partidárias esteve com ele “uma vez”. Mas mais tarde disse que quando Silva Carvalho estava ainda no SIED (até 2010) esteve “com ele várias vezes”. Depois de o responsável ter saído dos serviços de informação, Relvas encontrou-se com Silva Carvalho “apenas uma vez”. Não especificou se foi desta vez que se encontraram, já depois de Relvas chegar ao Governo, numa “festa de aniversário no Algarve, onde estavam centenas de pessoas”. Também a pergunta de Cecília Honório sobre se Passos Coelho, que tutela os serviços, delegou em Relvas ou no seu gabinete qualquer responsabilidade sobre as secretas, ficou sem resposta.
Inimaginável é ver nomes de agentes secretos portugueses, alguns destacados em países estrangeiros, escarrapachados nos jornais. Por exemplo, o «Sol» chegou a referir que a acusação deduzida pelo DIAP de Lisboa descreve que, para obter um perfil de dois empresários russos com quem a Ongoing negociava uma parceria no porto grego de Astakos, o então director do SIED (Serviço de Informações Estratégicas da Defesa) pediu aos seus subordinados que obtivessem informação junto de espiões com acesso à Rússia, e contactou pessoalmente por sms o oficial que, nas ‘secretas’, era responsável por aquela região.
Esse oficial de Moscovo – que regressou a Lisboa em Novembro passado – escreveu o «Sol», é Heitor Romana, um histórico do Serviço de Informações de Segurança (SIS), que foi director-adjunto do Serviço de Informação Estratégica e de Defesa Militar (SIEDM).
A informação recolhida pelo oficial de Moscovo sobre os empresários Alexandre Vladislavlev e Alexandre Burmatov só poderia ter sido obtida com base em fontes no terreno.
Estes contactos são os mais sensíveis, já que, se os dados forem difundidos a pessoas externas aos serviços (como empresas), e por canais não protegidos (como o e-mail), isso pode facilmente levar à identificação de quem recolheu a informação.
Foi precisamente isso que aconteceu com o perfil dos empresários russos, pedido por Silva Carvalho a João Luís, seu subordinado e então director do Departamento Operacional que é também acusado pelo MP, revelou «o Sol», apontando mais um nome de um homem das nossas secretas.
Ou seja, um dos pilares de um serviço secreto deve ser a reserva de identidade dos seus homens, o que no caso Jorge Silva Carvalho não aconteceu. Para mim, a consequência lógica deste descrédito nacional e internacional que o SIED actualmente goza face a este escândalo, era o fecho dos seus serviços para «averiguações», com o imediato despedimento do seu responsável máxmo, Júlio Pereira ( como muito bem alvitrou o professor Marcelo Rebelo de Sousa), criando-se uma nova estrutura de raiz, menos permeável a influências exteriores, seja políticos, empresas ou pessoas com «avental»…A Bem da Nação.











