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Dez
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QUANDO O ALFERES PINTO BALSEMÃO ESCREVIA SOBRE MASSACRES EM ANGOLA EM QUE PARTICIPOU

balsa 1Como a História se faz através de memórias – principalmente, as secretas envolvendo certas figuras e figurões da nossa praça, aqui deixamos, para… memória futura, um curioso texto assinado pelo então alferes Pinto Balsemão –  o dono da Impresa e da SIC (na foto  ao lado de Kaúlza de Arriaga, o antigo comandante chefe das forças militares em Moçambique )balsa2  publicado na revista «Mais Alto» em que descrevia, com legítima satisfação, uma missão de bombardeamento bem sucedida a acampamentos de palhotas terroristas em Angola, no início dos anos 60. «Comme le temps passe…» …e mais curioso tem sido o facto do semanário de que é proprietário e fundador, o «Expresso», com alguma regularidade, bater em teclas relacionados com eventuais massacres perpetrados pelas tropas portuguesas em África, como foi o caso de Wiriyamu :

«Descemos uma primeira vez sem fazer fogo. A seguir, o tem-coronel Neto, com perícia e pontaria admiráveis, pica sobre uma das palhotas e, no momento oportuno, fez funcionar as metralhadoras. O «cockpit» fica cheio de fumo que logo se dissipa. O avião volta a subir, para voltar a picar e fazer fogo. A operação repete-se até ao esgotamento das munições.

A missão está cumprida, o alvo assinalado. Regressamos a Luanda.

A bordo do PV 2 de novo o sossego. O mecânico mergulha nos seus pensamentos. O Ten -Coronel Neto acende outro cigarro e diz-me :

-É simples, como viu. E afinal você não enjoou.

O céu continuava azul.

Nesse mesmo dia duas esquadrilhas, uma de PV2,outra de F-84 arrasaram o reduto inimigo evitando, assim, a sua reocupação.

F.B.».

Este texto está inserido num outro assinado pelo alferes Pinto Balsemão quando, na qualidade de chefe de redacção da revista Força Aérea, «Mais Alto»,  participou em Angola , dentro de um caça PV 2, numa operação de ataque ao solo.

Depois de se analisar o referido texto, pode legitimamente perguntar-se: «Dentro das palhotas estavam escondidos terroristas, ou mulheres e crianças?» …

E o alferes Balsemão nem sequer enjoou, como ele próprio confessou. Não estamos a especular. De facto, o barulho infernal dos motores do avião alertava quem estivesse na área das palhotas. Naturalmente, esconder-se-iam dentro delas para não serem vistos. Quem? Só terroristas? Só crianças e mulheres? Ou terroristas, mulheres e crianças?

Na senda de autoelogios ao chefe com que regularmente premeia os seus leitores, a revista do «Expresso» de 15 de Agosto de 1992, insere uma notícia editada em 1962 na revista «Mais Alto», tecendo grandes encómios ao «alferes miliciano de intendência e contabilidade, Francisco Pinto Balsemão» . Receamos que este episódio, bem «abrigado» num cockpit» de um avião que metralhou gente indefesa no terreno, não se inclua nesse panegírico e outros do comandante-chefe da SIC que, volta e meia, através dos seus media, publica textos e reportagens pouco abonatórios sobre o esforço de guerra de Portugal no Ultramar.


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