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LEVOU OITO MESES DE CADEIA POR ROUBAR DESODORIZANTES NUM HIPER ENQUANTO OS PODEROSOS ANDAM AÍ IMPANTES DEPOIS DE «SACAREM» MILHÕES AO POVO

João, o desajeitado larápio de Braga apanhado a roubar gel e desodorizantes num híper  não teve a sorte que bafeja os audazes e poderosos cá do burgo que roubaram milhões. Não nasceu em berço de ouro, não se alistou num partido, não tem bons advogados, o destino está traçado: a prisão vai ser o seu fado!Onde se aviva a memória sobre o caso António Borges,o «barão» do PSD contratado sem concurso público a 25 mil euros/ mês.

O Tribunal de Braga condenou um desempregado a oito meses de cadeia por furto de 14 desodorizantes e quatro embalagens de gel de banho num hipermercado da cidade. João já tem  um longo cadastro por roubos e o pecúlio não atingiu grande monta: cerca de 65 euros. O curioso desta história é que o roubo foi perpetrado em dois dias seguidos: no primeiro, foram os perfumes; no segundo o gel. Em ambas ocasiões,  acabou detido pela PSP. Devido ao seu historial de assaltos – feitos, como se vê atabalhoadamente, não revelando grande génio, provavelmente para satisfazer os impulsos imediatos do consumo de drogas –o juiz decidiu condená-lo a quatro meses de prisão por cada um dos roubos.

Pusemo-nos a cogitar quão diferente é a justiça em Portugal: um banco ( o BPN) foi saqueado em milhões por gente que por aí circula nas calmas e o antigo presidente, Oliveira e Costa, foi o único a ser detido. Um presidente de Câmara, Isaltino Morais, suspeito de se ter «abotoado» à grande com comissões no exercício do seu cargo e que pôs o dinheiro na Suiça, na conta de um sobrinho taxista…foi julgado, condenado e anda por aí impante a gozar o sol de Outono e ainda se permite viajar com a selecção portuguesa de futebol,acompanhando-a num recente jogo no Gabão ( vá lá, não resolveu por ficar por terras asfricanas, a ver leões e elefantes como muita gente conjecturou quando se descobriu a lista de passageiros ao Gabão, um país sem acordo de extradição com Portugal. Vale e Azevedo,o ex-presidente do Benfica,  roubou amigos, sócios e o Benfica em milhões, passou uma temporada na prisão,foi de «férias« para Inglaterra, regressou agora a Portugal convicto que vai passar pouco tempo atrás das grades (não há como saber de leis) e ainda conseguiu  convencer os Serviços Prisionais a albergá-lo numa prisão de luxo, pois Sua Excelência estava incomodado com as condições precárias que encontrou no cárcere no EPL…o João, o patusco ladrão de desodorizantes de Braga, não terá essa sorte certamente, a de poder escolher a cela onde vai passar uma temporada antes de voltar à vida do crime, pois, com se sabe, as nossas prisões não ressocializam ninguém. Sabe-se também que as malfadadas Parcerias Público Privadas serviram para encher os bolsos de amigalhaços de empresas amigas dos partidos à custa do erário público e ninguém investiga isso em pormenor. Sabe-se também que o caso dos submarinos, por onde «navegaram» milhões em comissões e que quase e fez «naufragar» o ministro Paulo Portas, é bem capaz de ficar em águas de bacalhau… afinal, os arguidos que estão a ser julgados preparam-se para convencer os juízes que vão construir um hotel de luxo no Algarve com o dinheiro das contrapartidas, dando a entender que, afinal, a «massa» não foi parar aos bolsos de empresários, intermediários ou partidos políticos e que até vão dar uma ajuda ao turismo português

E enquanto se assiste a estes «rodriguinhos» da justiça há outros casos, esses, susceptíveis de investigação, mas que não vão passar de suspeitas, de fumaça. Como foi o caso da empresa de António Borges, ex-director do FMI para a Europa e ex-vice-presidente do PSD, consultor do Governo para as …privatizações ter sido escolhida pela Parpública, holding do sector empresarial do Estado para coordenar o negócio das privatizações.E foi a própria holding do Estado a confirmar o contrato: «A Parpública assinou um contrato com a empresa ABDL, da qual o professor António Borges é sócio, para prestação de serviços de consultadoria nas áreas do plano de privatizações, redução do impacto do sector empresarial público sobre a Banca, reestruturação do sector empresarial do Estado, incluindo o sector financeiro, e assessoria na renegociação de Parcerias Público-Privadas e configuração de novos modelos de parceria. A ABDL recebe 25 mil euros por mês e o contrato tem a duração de um ano e é renovável no final de cada ano de vigência». Uma escolha feita sem concurso público.Com esta gente no poder, é para isto que servem os amigos…

João, o trapalhão larápio de Braga apanhado a furtar gel e desodorizantes, não teve a sorte que bafeja os audazes e chico espertos cá do burgo. Não nasceu em berço de ouro, não se alistou num partido, não tem posses para contratar bons advogados.O seu destino está traçado: a prisão vai ser o seu fado.


3 Responses to “LEVOU OITO MESES DE CADEIA POR ROUBAR DESODORIZANTES NUM HIPER ENQUANTO OS PODEROSOS ANDAM AÍ IMPANTES DEPOIS DE «SACAREM» MILHÕES AO POVO”


  1. 1 reformado49
    Novembro 22, 2012 às 12:50 am

    Tenho alguns clientes que são donos de minimercados e frutarias. Garanto-lhe que neste momento esse valor que você tanto escarna, é o valor que tiram de lucro ao final do dia, em muitos dias do mês. Você deve viver noutro mundo, desfazado um pouco do mundo real. Experimente ser roubado 2 dias seguidos e diga alguma coisa. Cuidado com as generalizações. Você não imagina o que é ter que lutar todos os dias para pagar as contas e com muito trabalho, e vir um criminoso roubar o lucro desse dia.

  2. 2 Miguel
    Novembro 22, 2012 às 4:21 am

    Embora se perceba a imagem que o autor usa para ilustrar que os criminosos de colarinho branco estão impunes,pecando por omissão dos de maior vulto,pais do esquema e do regime,propositadamente ou não,o curioso é que o comentário anterior mostra uma outra face do problema.Os ladrões de pequena monta roubam gente de poucas posses e na proporção,causam impacto semelhante.

    • Novembro 22, 2012 às 11:45 am

      Caro : falar de vitima de pouca monta parece me algo despropositado…o alvo foi um hipermercado em Braga,como refere a prosa.Talvez se se tratasse de um merceeiro, nem havia queixa à Polícia, pois o custo de instaurar um processo seria certamente maior do que o prejuízo.Mas os hipers são escrupulosos em mandar para a justiça estes pequenos prevaricadores…uma madida cautelar para evitar a acção dos pequenos larápios.Tem razão:o texto ironiza com a situação de gente de colarinho branco ter mais armas para escapar impune,um facto que o autor do primeiro comentário não entendeu.


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