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CATALINA PESTANA E O PROCESSO CASA PIA : TESTEMUNHA RECEBEU 15 MIL EUROS PARA ALTERAR VERSÃO

Importante para compreender os novos desenvolvimentos do processo Casa Pia a entrevista de Catalina Pestana, a ex-Provedora daquela instituição, ao «Correio da Manhã» Recorde-se que na altura em que «deu o peito às balas» e denunciou o escândalo envolvendo gradas figuras da sociedade portuguesa que abusaram de menores que a Casa Pia albergava, Catalina aguentou com estoicismo a onda de calúnias de que foi alvo ( chegou mesmo a insinuar-se que ela calou os abusos de meninas na instituição por que lhe convinha…), lançadas por aqueles que apostavam em denegrir o bom nome de uns quantos que apostavam que o caso não caísse no esquecimento e a justiça, embora tardia, se fizesse.

Agora, enquanto no tribunal se repete o julgamento dos acontecimentos que tiveram lugar na casa de Elvas, a aposta dos que já foram condenados no primeiro julgamento ( uma sentença, sublinhe-se, ratificada pelo Tribunal da Relação) passa por descredibilizar o testemunho das vítimas. Catalina nesta entrevista revela que um dos jovens que surgiu agora em tribunal a dizer que mentira, Ilídio Marques, recebeu 15 mil euros e o pagamento do resto do carro da namorada, auto-confissão do próprio «quando foi tentar outras vítimas em nome de um pseudojornalista (leia-se, Carlos Tomás, actual director do jornal «o Crime») e que trabalha às ordens de outro senhor…eles não foram só àquele jovem, foram a vários…».Seria salutar em nome da justiça, que os poderes judiciais investigassem quem, como e porquê alguns dos acusados (ou pelo menos um…) tentaram aliciar testemunhas com dinheiro…e até, como refere Catalina Pestana, o motorista da Casa Pia e figura principal do caso, Carlos Silvino («O Carlos Silvino tem uma reforma mínima, tem que pagar a renda de casa, tem que comer e ninguém lhe dá trabalho…de que é que ele vive? Se alguém lhe acena com meia dúzia de notas…», diz a ex provedora),condenado a uma pena pesada de prisão.

Convém lembrar que foi com Silvino que o escândalo Casa Pia estoirou. Inicialmente, «O Monstro» – como era adjectivado Bibi – dominava as manchetes e a abertura de noticiários televisivos. O desconhecimento sobre a matéria – até ali pedofilia era coisa remota na cabeça dos jornalistas – e a figura do «culpado conveniente» – um obscuro e miserável motorista – catapultaram para o «exclusivo» noticioso alguns espertalhaços que dormitavam à sombra das redacções e tinham por mister fazer «investigação» alapados nas cadeiras das secretárias, mendigando favores a «fontes bem informadas» e «agentes ligados à investigação» que haviam conhecido em cafés e bares de alterne da capital. Felícia Cabrita era das poucas excepções à regra. Interessando-se pelo caso de «Joel» que apresentara queixa contra Carlos Silvino, teve o mérito de destapar a tampa de um escândalo que viria a adquirir proporções inimagináveis.

Com o surgimento de Carlos Cruz, Jorge Ritto e Paulo Pedroso, os zelosos jornalistas de serviço – também com uma ou outra honrosa excepção – começaram a acantonar-se no terreno de quem lhes garantia mais «informação fidedigna» ou, numa modalidade mais canalha, a sentarem-se no regaço de quem lhes pagava melhor ou poderia abrir portas… Pelo meio, sobravam alguns profissionais sérios e um ou outro ingénuo que engolia as patranhas de figuras, figurões e figurantes emergentes… Num certo sentido – e até determinada fase do processo – esta última imagem casou-se magistralmente com as nossas pessoas.

Não subsiste nenhuma dúvida: a personagem central do imbróglio é Carlos Silvino – o Bibi. A plêiade de advogados que, não se sabendo ainda hoje muito bem como, se alinharam para a sua defesa levanta sérias dúvidas sobre as histórias contraditórias mil vezes repetidas. Por exemplo, como se explica que um advogado de Elvas – Hugo Marçal, arguido, pronunciado e condenado no processo – seja chamado à defesa de um cliente de Lisboa com processo a correr nesta cidade? Ainda mais sabendo-se que o sujeito já se havia candidatado ao cargo de director de um dos colégios da Casa Pia… Mera coincidência? Por outro lado, de que modo se pode entender que um auto-denominado «especialista em Direito de Trabalho» – Dória Vilar -, aparentemente sem nenhuma relação de amizade com Silvino, se preste a ser mandatário de uma área não sendo da sua especialidade? Advogado esse que, como primeiro acto público, vem exibir uma alegada declaração assinada por Bibi afirmando não conhecer Carlos Cruz… E, logo a seguir, apresenta-se o nebuloso José Maria Martins, personagem de tristes figuras … que, sem dúvida, vindo dar um certo colorido ao processo, se percebe hoje ter tido papel importante nas trapalhadas que provocaram alguns dos esquemas dilatórios e, de um momento para o outro, se calou quando Bibi resolveu «contar a verdade» para contentamento dos outros arguidos.

A descoberta do «Escândalo Casa Pia» deve-se a esta mulher corajosa, ao procurador Souto Moura («Um homem intocável e que não cedia a pressões», como sublinha a antiga responsável da instituição) e a polícias de um grande «nível profissional e humano». Mas apesar desta plêiade de homens e mulheres sem medo das consequências ( alguns sofreram dissabores na sua vida profissional…),como muito bem acentua Catalina Pestana, quem está em julgamento é a guarda avançada de abusadores, o grosso da coluna escapou às malhas da justiça…

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3 Responses to “CATALINA PESTANA E O PROCESSO CASA PIA : TESTEMUNHA RECEBEU 15 MIL EUROS PARA ALTERAR VERSÃO”


  1. 1 Viver com Dignidade
    Novembro 19, 2012 às 11:06 pm

    Portugal precisava de uma limpeza lá isso precisava, mas as teias são fortes e o polvo é grande com tentáculos terriveis que oprimem toda uma sociedade onde as máfias imperam.

  2. 2 luisenior
    Novembro 24, 2012 às 1:12 am

    Eu fico um bocado preocupado sempre que ouço ou leio pessoas que dizem tanta coisa sobre este processo sem fazerem a mínima ideia sobre aquilo que realmente estão a opinar.

    Começo por dizer que, durante anos, cultivei os mesmo defeitos: apontei armas aos detidos, lamentei as vítimas, indaguei sobre responsabilidades e fomentei as teorias vendidas por pessoas como Catalina, Namora, e muitos OCS.

    Os anos foram passando e o meu ódio contra os detidos e arguidos ia aumentando.

    Contudo, com o desenrolar do caso em tribunal, fui-me apercebendo de que algo não batia certo.

    A “rede” que o tribunal foi sempre incapaz de estabelecer, os poderosos que se reflectiam em gente que, há excepção de CC, ninguém conhecia, os filmes e as imagens que havia segundo a Costa Macedo (que foi condenada em tribunal por ter mentido sobre este assunto), nunca mais apareciam.

    Os telefonemas entre arguidos e vítimas também não.

    A maioria esmagadora das vítimas era incapaz de ter um discurso minimamente coerente.

    Por fim saíu a sentença. Li o processo, de uma ponta à outra. Fiquei assustado. Como é possível alguém ter sido condenado?

    Leiam o acórdão, por favor. Leiam-no substituíndo o nome de Carlos Cruz, por exemplo, pelo vosso.

    E no fim, digam-me se aceitavam serem condenados.

    O Tribunal não provou absolutamente nada. O Tribunal utilizou a “ressonância da verdade” milhares de vezes, para justificar o injustificável: as crianças mentem, meus caros.
    E a “ressonância da verdade” não existe! Juridicamente nunca antes foi utilizada tal expressão para justificar que uma testemunha está ou não a dizer a verdade!

    Os juízes passam o acórdão inteiro a confundir dois conceitos inconfundíveis: credibilidade, com veracidade.

    Não é por eu parecer credível que estou necessariamente a dizer a verdade.

    Resta-me dizer o seguinte: estou-me borrifando se os condenados são pedófilos ou não, na verdade. A minha única preocupação é saber que, se o meu nome fosse lá parar, seria condenado sem provas e com base em testemunhos incoerentes, enfabulados e mentirosos. É só esta a minha preocupação.

    Cumprimentos.

  3. 3 Isabel
    Abril 9, 2013 às 1:27 pm

    Esta mulherzinha é simplesmente asquerosa, de tão manipuladora.


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