30
Ago
12

REVELOU A WIKILEAKS: SUPER ESPIÃO ALERTOU PARA INTERFERÊNCIAS E MANOBRAS DA AUSTRÁLIA EM TIMOR

Jorge Silva Carvalho o antigo o super- espião «exorcizado» pelo grupo de media de Francisco Pinto Balsemão e que, por isso, caiu em desgraça, elaborou um documento de  análise  sobre as interferências e manobras da Austrália em Timor e a transmissão das preocupações portuguesas face à interferência australiana que fez chegar à embaixada americana em Lisboa. Xanana Gusmão era o homem da Austrália em Timor!

Segundo revelou hoje o blogue «Inteligência Económica», a WikiLeaks publicou um documento que põe a nú a existência ( já é uma tradição!)  de intercepção das comunicações da secreta portuguesa… Mal sabia o discreto Silva Carvalho que a tanta exposição e visibilidade estava destinado! O documento é revelador da forma como o SIED estava bem informado sobre a situação no terreno em Timor e as manobras australianas e seus objectivos (controlo do gás e petróleo de Timor) – manobras ao que parece,  têm decorrido perante o estranho alheamento das autoridades portuguesas que vêem as antigas colónias a perder posições de influência para países como a Austrália ou China.Onde está a chamada Lusofonia?

O documento revelado pela Wikileaks em Abril de 2011, faz menção ao facto de  um oficial da inteligência americana ter dito ao «líder português» ( primeiro ministro) que funcionários diplomáticos australianos haviam repetidamente fomentado “agitação ” em Timor Leste», a fim de promover a sua “geopolítico e interesses comerciais» .
O governo australiano, então liderado por John Howard, escolhera como alvo o primeiro ministro timorense, Mário Alkatiri, devido ao seu alinhamento com potências rivais, em especial Portugal, antigo colonizador de Timor e China..
Em Fevereiro e Março de 2006, cerca de 600 soldados timorenses, conhecidos como “peticionários”, amotinaram-se. O Presidente Xanana Gusmão fez então um discurso provocatório em 23 de Março em que denunciou que o governo de Alkatiri era corrupto e ditatorial. Em Abril, vários elementos de milícias criminosas da ex-Indonésia juntaram-se aos peticionários e organizaram uma série de ataques violentos contra soldados e forças de segurança que permaneceram leais ao Estado. O governo australiano aproveitou a agitação para exigir a destituição de Alkatiri.
Uma força de ocupação da Austrália, que compreendia 1.300 soldados e polícias apoiados por veículos blindados e helicópteros de ataque, foi condenada em Timor em 24 de Maio. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação australianos entraram em frenesim, exigindo a demissão de Alkatiri. O ABC “Four Corners” publicou um relatório com acusações falsas que o primeiro-ministro tinha formado um “esquadrão da morte” para assassinar opositores da Fretilin. Em 26 de junho, Alkatiri capitulou, entregando o poder ao candidato favorito de Canberra, José Ramos-Horta
Paralelamente a estes desenvolvimentos, o World Socialist Web Site caracterizou o que aconteceu como um golpe de Estado australiano de inspiração política. O WSWS concluiu que não havia dúvidas de que militares australianos e agentes de inteligência em Díli tinham conhecimento prévio, e provavelmente incentivado, um motim dos peticionários e violentos protestos.
Os WikiLeaks avança mesmo pormenores de que telegramas diplomáticos da embaixada dos EUA em Lisboa, publicados no jornal Expresso, forneceram novas evidências importantes  que confirmaram esta análise do envolvimento australiano nos acontecimentos em Timor
Segundo os dados revelados pela Wikileaks,o documento elaborado pro Jorge Silva Carvalho foi enviado para o embaixador dos EUA em Portugal, Al Hoffman, em 12 de Junho de 2006, ou seja, 19 dias após as tropas australianas terem chegado a Timor e 14 dias antes de Alkatiri  se ter demitido. Intitulado, “Portugal: Uma Visão Inteligente de Timor Leste”, os relatórios provocaram uma acesa discussão entre elementos da embaixada oficial dos EUA, (identificada  como “Pol / Econ DepCouns”) e o  chefe de gabinete de Serviços de Portugal de Inteligência (SIRP). O documento obteve a chancela de prioritário e foi amplamente divulgado. Cópias foram enviadas para as embaixadas dos EUA em Timor Leste, Austrália, Nova Zelândia e Malásia, em Washington, para o secretário de Estado, o secretário de Defesa, Conselho de Segurança Nacional, e da Agência Central de Inteligência (CIA), chefias militares dos EUA do Comando e Inteligência Conjunta, sedeadas no  Havaí.
:Carvalho comentou que a Austrália não tinha desempenhado um papel produtivo em Timor Leste, ressaltando que os motivos da Austrália foram movidos por interesses geopolíticos e comerciais (petróleo, por exemplo), enquanto o interesse principal de Portugal foi a de «manter a estabilidade.”
Os comentários de Jorge Silva Carvalho relevam a rivalidade de longa data e amarga entre a Austrália e Portugal e sobre quem teria o papel dominante na chamada “independência” de Timor Leste.
 Um elemento da representação diplomática dos EUA em Lisboa referiu: “Ele [Carvalho] explicou que SIRP [ Serviço de Inteligência ] seguiu a situação no terreno de muito perto, precisando que até sabiam que tipo de sapatos os manifestantes usavam e onde comprá-los”,  insinuando que a Austrália já havia fomentado a agitação em seu benefício. Ele citou dois casos de demarcação de negociações da fronteira marítima entre Timor Leste e Austrália e negociações de demarcação de limites de exploração de petróleo ao largo da costa do Timor Leste, onde a Austrália tinha fomentado a agitação para acentuar a pressão sobre o Governo de Timor Leste. ”
Certamente não havia indignação ou choque por parte da embaixada americana *acerca do documento análise da responsabilidade de Jorge Silva Carvalho. Ao invés, o embaixador norte-americano fez uma avaliação serena de Jorge Carvalho, descrevendo-o como “um importante contato da Embaixada, pró-americano, que não é só entendido em matéria de inteligência, mas bem relacionado com partidos políticos em todo o espectro”, e cuja ” análise da situação em Timor Leste foi imparcial»., acrescentando que as «observações de Carvalho lançaram uma nova luz sobre a história de Timor-Leste no pós-independência».
Mas qual foi o papel desempenhado pelos militares e serviços de inteligência australianos que estavam muito ativos em Timor Leste? Uma semana antes dos tumultos, em 27 de novembro, o ministro do Exterior da Austrália, Alexander Downer, terá tido uma discussão muito acalorada com Alkatiri, em Díli. Downer insistiu que o governo timorense concordasse em ceder a maior parte do óleo Greater Sunrise reservas de gás  para a Austrália. Segundo a lei internacional, uma fronteira marítima equidistante entre os dois países davam o direito á Austrália de receber cerca de 20 por cento do Greater Sunrise. Mas Downer exigia 80 por cento, ameaçando que se a sua pretensão não fosse aceite, Canberra iria sabotar outro desenvolvimento no campo Bayu-Undan, deixando Dili sem royalties de energia.
“Se você quer ganhar dinheiro, deve concluir um acordo rapidamente”, declarou Downer.
«Com a publicação dos documentos da «secreta» portuguesa não restaram dúvidas  de que os responsáveis políticos de Canberra  instigaram provocações contra o governo da Fretilin», sublinham os documentos confidenciais dos diplomatas americanos citados pela Wikileaks.
A jornalista australiana Maryann Keady já havia informado que, no final de 2002, as autoridades australianas e norte-americanos indicaram que “os australianos pretendiam livrar-se deste ‘problemático’ primeiro-ministro ( Mário Alkatiti).” Ela também observou que após os motins de Dezembro, um representante da ONU “não oficialmente” foi para o escritório de Alkatiri e pediu-lhe para renunciar a favor de Xanana Gusmão, identificado como o homem da Austrália em Dili, enquanto Alkatiri foi considerado mais alinhado com Portugal. Os 2.006 telegramas revelam que, no auge da crise, apenas duas semanas antes de Alkatiri resignar, as autoridades governamentais portuguesas exortaram os EUA a manter Alkatiri no poder. De acordo com as informações prestadas por Jorge Silva Carvalho, “ressaltou a necessidade de se reconhecer a popularidade do Partido da Fretilin e o importante papel primeiro-ministro Alkatiri no mesmo.”

O documento da Wikileaks sublinha que Interesses econômicos e estratégicos do imperialismo australiano em Timor Leste e no Sul do Pacífico continuam a ser um assunto tabu nos círculos políticos oficiais e dos media na Austrália.


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