20
Ago
12

O CASO DO JOVEM «RAPTADO» – UM MAU MOMENTO PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL

Há manchetes «assassinas» como foi o caso da de hoje, segunda feira, do «Correio da Manhã». Titulava o matutino «Criança de 2 Anos desaparece», acrescentando que a PJ investiga morte acidental ou rapto. O pequeno Leidson Samuel, dois anos, brincava sábado passado junto da mãe nas proximidades de uma horta, em São João da Talha, Loures, e, inesperadamente, sumiu sem deixar rasto. O jornal adiantou logo as hipóteses mais mirabolantes, desde logo a morte acidental ou o rapto perpetrado por alguém intimo da família, sublinhando que as autoridades  montaram um dispositivo de buscas, que juntou mais de 30 homens, seis cães do Grupo Operacional Cinotécnico da Unidade Especial da Polícia, dizendo que as buscas, num terreno com uma área semelhante a dois campos de futebol, terminaram quando as autoridades estavam seguras de que a criança não se encontrava naquele local. Afinal estava…uma vizinha conseguiu descortiná-lo no meio do matagal, segurando um pequeno alguidar…uma senhora já de provecta idade que  demonstrou uma maior eficácia do que os polícias todos juntos. E o acontecimento foi motivo de uma reportagem da TVI a puxar a lágrima, com ângulos e mais ângulos mostrando a mãe lavada em lágrimas, indo-lhe na peugada até à chegada de um elemento da PJ que transportava o menino nos braços, num puro exercício de sensacionalismo (em que o canal descura uma das mais elementares regras nestes casos que é a de não mostrar a imagem do agente da PJ) a fazer lembrar o pior de alguns canais brasileiros, de que é exemplo a TV Record e outros…em que os sentimentos humanos, a privacidade das pessoas é destroçada «à cause» das audiências. Uma reportagem baixa e rasteira a que acresce este tremendo «desastre» do «Correio da Manhã» que dá a manchete a um caso que, de um momento para o outro, poderia ganhar novos contornos, com descrédito para o jornal…como veio a acontecer. Um mau momento para a Comunicação Social,a passar por uma fase cinzenta, a que não será alheio o facto de os profissionais com tarimba estarem a engrossar a lista de despedidos sendo substituídos por gente jovem, inexperiente, sem memória e…mal paga.

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4 Responses to “O CASO DO JOVEM «RAPTADO» – UM MAU MOMENTO PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL”


  1. 1 Viver com Dignidade
    Agosto 20, 2012 às 10:25 pm

    Não tenho duvidas que a TVI é o canal da caridadezinha e o canal do isibicionismo. Lamento correio da manha que se aproveitou mais de um caso para uma noticia bombástica para vender jornais, lamentavel.

  2. 3 John
    Agosto 22, 2012 às 3:48 pm

    Caríssimo, já reparou que quando o jornal saiu para as bancas a criança estava desaparecida há mais de 30 horas…já reparou que tanto a polícia, bombeiros, cães e até os jornalistas do CM estiveram no exacto local onde a criança foi encontrada…e a criança não estava lá…já reparou que a criança apareceu poucas horas depois de o jornal estar nas bancas…já reparou que a investigação passou para a UNCT da PJ, que 24 horas depois do desaparecimento estava a interrogar a mãe…e que, na altura, as hipóteses em cima da mesa eram mesmo rapto ou morte…então no que é que o CM errou? Não será o seu post um mau momento da blogosfera?
    PS.: Abstenho-me de comentar a cobertura feita pelas televisões, apenas um aparte, se se mostram os rostos de PSP, GNR, guardas-prisionais, etc, porque não se pode mostrar as de PJ?

    • Agosto 22, 2012 às 9:09 pm

      Caro o que critiquei foi o facto de o jornal ter dado manchete,levantando várias hipóteses, a um caso que poderia ter tido vários desenvolvimentos a todo o momento…Manda a boa prudência, em termos editoriais,não ter dado esse destaque em grandes parangonas e logo levantando hipóteses que não se vieram a concretizar, chegando mesmo a dar pistas sobre um eventual suspeito do «rapto».De facto, não é hábito os jornais e as TV mostrarem os rostos de policiais geralmente enbolvidos em actos de alta criminalidade,desde agentes da PJ aos elementos das brigadas criminais da GNR e da PSP.Penso que as policias e a ética jornalística aconselham que os media adoptem essa medida…aliás, qual o interesse numa noticia mostrar rostos de policias que podem ser facilmente identificados em circunstâncias mais gravosas que podem colocar em risco a sua segurança?


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