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A ESPIONAGEM FEITA PELO PCP: ZITA SEABRA ANDOU ADORMECIDA VÁRIOS ANOS…

O chamado «Watergate Vermelho», que estoirou nos anos noventa, já havia denunciado o comprometimento e a «proteção» dada a empresários e empresas portugueses com o Bloco do Leste, envolvendo mesmo missões de espionagem. O Grupo Amorim e a Vesper do Almirante Rosa Coutinho foram denunciadas pela federação Russa. A empresa do homem mais rico de Portugal terá mesmo estabelecido relações privilegiadas com elementos preponderantes da «secreta» do ditador Ceauseascu. Houve mesmo quem fosse suspeito de passar informações confidenciais da estrutura de submarinos da NATO que estavam a ser construídos em Roterdão…

Vai para aí um grande barulho com as revelações de Zita Seabra, a ex-dirigente do Partido Comunista Português expulsa do partido, que denunciou as tentativas feitas pelo PCP de escutar diferentes orgãos do poder, sobretudo militares, através da empresa de ar condicionado FNAC – Fábrica Nacional de Ar Condicionado, propriedade do também comunista Alexandre Alves.A notícia, que faz manchete na edição desta sexta-feira do Diário de Notícias, refere que a antiga dirigente comunista terá sugerido que o PCP usava os aparelhos de ar condicionado instalados pela empresa de Alexandre Alves para, através da colocação de microfones, espiar, durante os anos 80, «tudo o que eram ministérios, sítios nevrálgicos e órgãos de poder».

Zita Seabra andou adormecida durante mais de trinta anos, pois há muito que se sabe que o então PCUS (Partido Comunista Soviético), e os seus partidos «satélite» do Bloco , durante a Guerra Fria, se serviram de empresários portugueses para missões de espionagem e estabelecimento de negócios escuros. Na mira dos dirigentes russos que sucederam à URSS estalinista estava o PCP de Cunhal, tendo sido revelados nomes de empresas portuguesas que teriam recebido ajuda financeira do PCUS, surgindo duas com ligações comerciais a países africanos de expressão portuguesa: a Vesper do Almirante Rosa Coutinho e a ETEI ( mais ligada a Moçambique). O grupo do homem mais rico de Portugal, Américo Amorim, foi igualmente referenciado nessa lista, cujo universo empresarial era coordenado pela «holding« Numérica que por sua vez prestava contas junto do PCP.O escândalo envolveria ainda o pagamento de comissões ( proibidas pela URSS) por parte de empresas que pretendiam efectuar negócios com o Leste.

Ao tentarem estabelecer contactos comerciais com a URSS, há muito tempo que os empresários portugueses esbarravam com esse bloco de empresas politicamente conotadas com o PC e que gozavam de intermediários privilegiados. Foi com a finalidade de derrubar esse «muro» que, em Outubro de de 1988, se deslocou á URSS uma missão da Associação Industrial Portuguesa ( AIP) liderada por Rocha de Matos. Foi assinado um acordo (reproduzido pelo semanário «o Diabo» em 20 de Outubro de 1991 num artigo intitulado «Watergate Vermelho»), o qual nunca entrou em prática, pois, segundo revelou o próprio presidente da AIP, «toda a gente dizia à boca pequena que havia interesse em beneficiar determinado partido político (o PCP)».

O Grupo Amorim e as relações com elementos da «secreta» romena

O Grupo Amorim chegou a desmentir que alguma vez tivesse recebido dinheiro do Orçamento do Estado soviético. Mas nunca desmentiu o facto de ter utilizado outros «canais» para efectuar os seus negócios com o Leste. Em 5 de Março de 1991,o «Diabo» revelou as ligações do Grupo com elementos da polícia secreta ( a «Securitate») de Ceausescu, o antigo ditador da Roménia..O jornal então dirigido por Vera Lagoa reportava um artigo publicado em Novembro de 1989, pelo semanário romeno «Contrast», o qual ligava as empresas de Amorim à tenebrosa polícia secreta romena. O artigo abordava a actividade desenvolvida por dois elementos que estabeleciam a ligação com a empresa portuguesa, os coronéis Dragos Diaconescu e Gheorge Volniov, no desbloqueamento de várias situações conflituosas surgidas no relacionamento comercial da empresa corticeira através de um escritório que possuíam na Roménia designado por «Argus».

O jornal citava os eventuais benefícios concedidos ao grupo português ao concretizar contratos a «preços vantajosos», apesar de existirem ofertas mais rentáveis oferecidas por outras firmas estrangeiras. O «Contrast« fazia referência a declarações do representante do Grupo na Áustria, Gerert Schisser, de que a «Argus teria beneficiado a sua empresa quando assinaram contratos com firmas romenas».Mencionou o facto do coronel Diaconescu «ter obrigado a firma romena Vitrocin a comprar à Amorim aceitando preços propostos por esta última».

 O responsável pelo sector comercial com o Leste do Grupo Amorim, Avelino Zenha, chegou mesmo a  confirmar que o coronel Voiniou há vários anos que colaborava com o Grupo, desconhecendo que tivesse relações com a «secreta» romena. Acrescentou que qualquer firma estrangeira que pretendesse efectuar negócios na Roménia teria de pagar uma determinada percentagem à «Argus».

«Era irrelevante para nós que essas pessoas estivessem ligadas ao partido ou ao KGB. Relevante era concretizar o negócio», sublinhou-nos Avelino Zenha, esclarecendo, se mais dúvidas houvesse, que nos negócios não há escrúpulos, nem pátrias, nem políticas.

Ficou a certeza que Voiniu e Schisser eram peças da estratégia comercial do Grupo Amorim nos seus negócios com o Leste. A percentagem a pagar aos intermediários era condição indispensável.

O caso dos submarinos da NATO

Mas vem a talhe de foice lembrar que os contactos comerciais de empresários portugueses com a extinta URSS ultrapassavam o mero pagamento de percentagens. Muitas vezes, para conseguir essas benesses eram exigidas outras contrapartidas, obtidas através do fornecimento de segredos militares e outros respeitantes a tecnologias de ponta, casos que chegaram a ser analisados pelos serviços de informação ocidentais e pelos novos responsáveis do Kremlin. Um dos quais envolveu uma deslocação dos jornalistas José Leite e Nuno Rogeiro (o actual comentador da SIC era então sub-director do «Diabo») ao Norte do País, onde tiveram um encontro confidencial com um ex- responsável de uma grande firma de extracção comercial de cortiça, Jaime Nunes de Amorim, com quem se tinha envolvido em litígio laboral. A «vingança» do despedido (que, entretanto, conseguiu ganhar a disputa em tribunal) foi revelar aos dois jornalistas um negócio de passagem de segredos militares que ele próprio havia testemunhado como responsável directo. Contou ele que, através de um seu agente em Viena, o patrão obtivera um volumoso contrato com uma empresa que fabricava, em Roterdão, submarinos sofisticados para a NATO. Esse grande empresário português fornecia materiais de isolamento de compartimentos dos submersíveis, feitos de borracha e cortiça comprimida. Segundo nos referiu essa nossa fonte, o negócio só se concretizou quando esse grande capitalista nortenho prometeu aos representantes de uma empresa pública soviética que lhes iria entregar um «dossier» completo sobre os submarinos (do tipo Dolfijn e Zwaardvis), com a indicação das «performances» em velocidade, propulsão, armamento e sistemas electrónicos.

Transcrevemos parte do diálogo com essa nossa fonte e que foi gravado:

– Durante as negociações eles fizeram perguntas: que submarinos? Quantos? Quais as suas características? O relatório foi entregue a um dos soviéticos que o levou para a URSS.»

– A sua empresa forneceu mais informações à URSS

– Sim, no final da década de oitenta. Eram informações sobre um produto industrial estratégico norte-americano resistente às altas temperaturas. Tinha aplicação no fabrico de equipamentos militares e nos aviões. Tratava-se de uma matéria-prima que a empresa importava dos Estados Unidos para acrescentar a um outro componente de forma a obter esse produto final com essas características. Foram desviadas para a URSS amostras desse produto que o Governo americano considerava de grande valor estratégico

As «bombásticas» declarações de Zita Seabra hoje, sexta-feira, vindas a lume pecam por tardias…a antiga militante do PCP poderia ter ido mais longe nas denúncias. Por precaução (ou estratégia?) não o fez. Nós sabemos que ela sabe muito mais…

 

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