22
Maio
12

EX ADMINISTRADOR DO FREEPORT REVELA EM TRIBUNAL: SÓCRATES RECEBEU 200 MIL EUROS DE «LUVAS»

Um ex-administrador do Freeport, Alan Perkins, disse esta terça-feira no Tribunal do Barreiro onde está a ser julgado o processo de corrupção relacionado com o outlet, que o intermediário Charles Smith lhe revelou que o grupo britânico pagou em 2001 ao ministro do Ambiente [que na altura era José Sócrates] e a uma outra pessoa, cerca de 200 mil euros em troca da licença do outlet que viria a ser construído em Alcochete, uma vez que havia eleições e que este poderia não ser reeleito. Certo é que a licença foi concedida na última semana do mandato do executivo liderado por António Guterres, que recorde-se, abandonou a política partidária repugnado pelo lodaçal em que se havia envolvido.

Segundo Alan Perkins, que nunca mencionou directamente o nome de José Sócrates, referindo-se sempre ao “ministro do Ambiente”, a verba entregue pela Freeport oscilava entre os 200 e os 220 mil euros (150 mil libras esterlinas).

Numa reunião no Mónaco, em Janeiro de 2006, onde esteve Charles Smith e outros representantes da Freeport, esse tema veio à baila. Smith disse a Perkins que receava que, por os pagamentos terem passado pelas contas da sua empresa, as Finanças pudessem querer pagamentos de impostos.

‘Pinóquio’, ‘Bernardo’ e ‘Gordo’   foram nomes referidos a Alan Perkins como tendo sido as pessoas que receberam dinheiros ilícitos. Segundo a testemunha, Smith disse que o dinheiro foi para uma pessoa que não usava o seu nome próprio e que recebia também através de outras pessoas.

Mais à frente, o ex-responsável do Freeport clarificou, no seu testemunho feito por video-conferência, que “pinóquio” era o ministro do Ambiente [José Sócrates], e que ‘Gordo e Bernardo’ eram primos, pessoas que recolhiam o dinheiro pelo ministro.

Inicialmente, Perkins não quis concretizar, mas falou em “primos e altos representantes políticos”.No processo, a decorrer no Tribunal do Barreiro, os arguidos são Charles Smith e Manuel Pedro, os únicos,ao que parece, a arcar com as culpas todas enquanto os grandes «tubarôes» continuam tranquilamente à solta.Face ao teor das declarações de Perkins, espera-se que o MP aja em conformidade e convoque Sócrates para testemunhar neste julgamento. Sublinhe-se,a propósito, que o video em que o nome do antigo primeiro veio à baila apontado como «corrupto» numa conversa entre Perkins e Charles Smith não foi considerado como prova pelos tribiunais portugueses, o que já não aconteceu em Inglaterra.

Para já, este processo afigura-se algo complexo de investigar, pois há muitos jogos de água turva em seu redor. Por exemplo, importa apurar qual o verdadeiro papel do antigo primeiro ministro neste processo. Se aqui é dado como tendo recebido «luvas», num outro caso, no alegado aliciamento de que teria sido alvo por parte do empresário Belmiro de Azevedo aí, ao que tudo indica, a «pressão» não resultou. Sobre o caso envolvendo o «big boss» da Sonae, O Crimedigoeu» divulgou anteriormente os documentos da PJ respeitantes ao testemunho de uma funcionária da DRAOT ( Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território). Fernanda Guerreiro. Interrogada pela PJ, referiu   que corria a “notícia” de que “Belmiro de Azevedo tinha pago ao Sócrates 500 mil contos para o processo não avançar”, apresentando como justificação o facto de este não querer “perder dinheiro” por o Freeport ser uma forte concorrência ao Centro Comercial Vasco da Gama (pertencente ao grupo Sonae), em Lisboa. «Era algo que circulava pela DRAOT sobre uma alegada tentativa de «chumbo estratégico» Nada, portanto, que desse margem aos investigadores para acusarem Sócrates para interrogarem Belmiro de Azevedo. O certo é que este depoimento foi «esvaziado», nem Sócrates nem Belmiro ( que considerou estas declarações como falsas e injuriosas ao ser interrogado pelo extinto semanário «Privado» que publicou essa notícia) não foram incomodados, o processo seguiu o seu curso sinuoso e apenas dois réus ( Charles Smith e Manuel Pedro)  acabaram com os costados no tribunal.

Interrogada pela inspectora coordenadora da PJ, Maria Alice, esta testemunha disse que, no ano de 2000,o processo de licenciamento do Freeport, pela mão do consultor Manuel Pedro (um dos arguidos que está a ser julgado) deu entrada na DRAOT com indicações de «grande secretismo» e que, em conversa com o engenheiro hidráulico, Miguel Santos, foi-lhe referido que o projecto estava perfeito, mesmo em cálculos hidráulicos, «pelo que não teria a menor dúvida de que seria aprovado pelo ministro do Ambiente». Alguns meses depois, Fernanda Guerreiro diz  ter ficado surpreendida ao ler na comunicação social que o projecto tinha sido chumbado, facto que achou estranho visto que toda a DRAOT o havia gabado».

A versão que correu na imprensa foi a de que o «falso chumbo» poderia ter contribuído para valorizar junto aos empreendedores ingleses uma futura aprovação, beneficiando os eventuais intermediários neste negócio com muitas «pontas» ainda por «desatar». Sublinhe-se, a propósito, que o ex-membro da Assembleia Municipal de Alcochete, Zeferino Boal, e que teria enviado uma carta a diversas entidades a denunciar o escândalo, chegou a referir  ao Semanário «Privado» ter  tido conhecimento de uma proposta para a venda do empreendimento à SONAE de Belmiro de Azevedo de forma a ser «mais rapidamente licenciado». O  presidente da Câmara de Alcochete, Miguel Boeiro, também terá ficado surpreendido com o  veto inicial, garantindo que as reuniões efectuadas com técnicos superiores  do Ministério do Ambiente foram fundamentais para adaptar o projecto às exigências feitas para que fosse aprovado o estudo de Impacte Ambiental.

A bem da transparência – e da honra dele próprio – era fulcral que Sócrates fosse chamado ao Tribunal do Barreiro para esclarecer esta trapalhada em que o seu nome surge de novo na lama por via do ex administrador do complexo, Alain Perkins.Se não for chamado a Tribunal, no seu recolhimento em Paris, deveria divulgar uma mensagem esclarecedora.

PS- Ao final da tarde de hoje, terça feira, Sócrates fez saber através do seu advogado, Proença de Carvalho,que vai processar judicialmente quem invocou «de forma difamatória» o seu nome…muito pouco, reafirmo: deveria explicar de forma pormenorizada como decorreram as negociações para o licenciamento do Freeport e o «affair» com Belmiro de Azevedo, que consta em documentos da PJ; nunca o fez ao longo destes anos em que o escândalo veio à baila!


0 Responses to “EX ADMINISTRADOR DO FREEPORT REVELA EM TRIBUNAL: SÓCRATES RECEBEU 200 MIL EUROS DE «LUVAS»”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: