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Maio
12

QUANDO PINTO DA COSTA COMBINAVA COM O PRESIDENTE DOS ÁRBITROS AS NOMEAÇÕES PARA OS JOGOS DO FC PORTO E FICOU SEMPRE INTOCÁVEL

…quem se tramou foram os jornalistas que publicaram essas conversas sintomáticas da corrupção que lavra no nosso futebol…a velha questão dos «filhos e enteados» para a nossa Justiça.Pedro Proença, o árbitro do FC Porto/Sporting do passado fim de semana ( que terá prejudicado os leões, segundo o comentador desportivo da SIC, Rui Santos) foi um dos juizes da polémica por estar nas «graças» do presidente portista.

O Tribunal Criminal de Lisboa absolveu recentemente  Pinto da Costa do crime de ofensa ao Ministério Público (MP). O presidente do FC Porto tinha comparado o MP à PIDE, num livro das jornalistas Felicia Cabrita e Ana Sofia Fonseca

Na sentença, a juíza da 1.ª Secção do 2.º Juízo Criminal de Lisboa conclui que Pinto da Costa limitou-se a fazer «um juízo de valor» sobre a actuação do MP e que «o direito à crítica insere-se na liberdade de expressão», por muito depreciativa ou injusta que seja.

A polémica frase do presidente do FC Porto surge no livro ‘Pinto da Costa – Luzes e Sobras de um Dragão’, publicado em Abril de 2007 por Ana Sofia Fonseca e Felícia Cabrita. «Não estou para viver num país onde a revolução de Abril acabou com a PIDE para agora a ver substituída pelo MP». Após denúncia de Maria José Morgado (então coordenadora da equipa especial de investigação dos processos do Apito Dourado), o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, ordenou a realização de um inquérito por crime de ofensa a pessoa colectiva qualificada (neste caso, o MP).

No julgamento, Pinto da Costa explicou que a frase foi «um desabafo», feito «num contexto de indignação com a reabertura dos inquéritos» do ‘Apito Dourado’, então ordenada pela equipa de Morgado por causa do livro da sua ex-companheira, Carolina Salgado – a qual lhe imputava «condutas não correspondentes à realidade».

Direito à crítica

Na sentença, a juíza explica que, «ao expressar que a PIDE foi substituída pelo MP, o autor da frase está a emitir um juízo de valor sobre a actuação daquele organismo, comparando-o com aqueloutra instituição, ou seja, assemelhando o MP a uma instituição persecutória e repressiva, alheia ao espírito democrático». «Embora possa discordar-se deste modo de emitir opiniões e possa até rejeitar-se a justeza da comparação feita, o certo é que a mesma se inscreve claramente no plano dos ‘juízos de valor’ e estes, ainda que ofensivos da credibilidade, prestígio e confiança, não beneficiam da protecção penal do preceito incriminador ao abrigo do qual foi formulada a acusação», acrescenta. Ou seja, para preencher o tipo de crime de que era acusado (crime de ofensa a pessoa colectiva), Pinto da Costa teria de ter apontado «condutas concretas» que constituíssem «factos inverídicos».

Em conclusão, a absolvição justifica-se porque «a expressão proferida» por Pinto da Costa e reproduzida pelas jornalistas no livro «deve ser entendida no contexto global em qu e foi proferida, como o exercício de um direito de cidadania, enquanto direito à crítica relativamente ao funcionamento de um organismo público».

Pinto, o intocável

Ora, espantosa é a forma como Pinto da Costa consegue escapulir aos processos judiciais de que foi alvo – ainda recentemente, nas comemorações dos 30 anos na presidência dos «dragões» ufanava-se de nunca ter sido condenado apesar dos vários processos que lhe foram movidos. O mais mediático talvez tenha sido o célebre «Apito Dourado» no decurso do qual, nas vésperas de prestar depoimento em tribunal, chegou a fazer uma viagem para Espanha, tendo comparecido perante o juiz, depois de convenientemente escoltado até às portas do tribunal por uma «legião» da claque dos «Super-Dragões».

Estranha-se a forma como a Justiça tem tratado o todo poderoso presidente do FC Porto, sempre com pezinhos de lã e bastas reverências, ou não integrassem as estruturas dirigentes do FC Porto alguns iminentes juízes. Lembramos uma das escutas feitas pela PJ, em que Pinto da Costa foi apanhado a dialogar com o então presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, Pinto de Sousa. Estávamos nas vésperas do encontro entre os «dragões» e o União da leiria que decidiria a Supertaça da época 2003-2004 e Pinto da Costa preocupava-se em saber quem seria o árbitro que iria dirigir esse confronto. Pinto de Sousa, à pergunta que lhe foi feita por PC sobre o árbitro que iria dirigir o jogo,não teve pejo em afirmar: «É o que a gente combinou». Assim mesmo, preto no azul.

PC- Quem é?

PS-O Proença!!! Então não é?!Falei contigo.

PC-Pois, eu sei.

PS-Ah?!

PC- Já sei!

PS- É esse! Foi nomeado ontem…oficialmente!

PC- Ai é…

PS- Foi ontem nomeado, só! Mas…antes de nomear, tinha falado contigo!

PC- Sei! Mas eu, se me perguntarem alguma coisa, eu vou dizer que não comento, como é óbvio!

PS- Claro!

PC-Não vou dizer que…

PS- Claro! Ah, ah! É evidente, é evidente! Pelo contrário! Até devias dizer que achas mal! Eh, eh, bom…

Esta conversa foi interceptada pela PJ no dia 30 de Julho de 2003.No dia 1 de Agosto, os dois personagens voltam a conversar:

PS- É…mas vou devagarinho, pá, calmamente …vou falar com Pedro Proença!

PC- Vais?

PS- Grande jogo em Guimarães, pá! Vai fazer um grande jogo!

PC- Com recados para não expulsar ninguém !

PS- Eh, eh, eh…

Nove dias mais tarde, no Estádio Municipal de Guimarães, Pedro Proença seria de facto o árbitro da final da Supertaça. O FC Porto venceu por 1-0, com um golo de Costinha que a generalidade da crítica apontou como tendo sido obtido de forma ilegal. E só houve uma expulsão, para o lado da União de Leiria, a do jogador João Paulo por acumulação de amarelos.

Que aconteceu a Pinto da Costa e Pinto de Sousa após esta conversa altamente comprometedora e indiciadora do jogo sujo e subterrâneo que vem caracterizando o nosso desporto-rei? Nada.

Quem se tramou acabaram por ser os jornalistas do semanário «Privado» que publicaram esta conversa, um acto que bem poderia ser interpretado como serviço público e de relevante interesse noticioso, pois o que estava em causa eram suspeitas de corrupção e tráfico de influência entre responsáveis máximos do futebol, no caso, um presidente de um grande clube de futebol e o presidente dos árbitros que combinaram qual o juiz que iria arbitrar um jogo dos «dragões». Mas não: o elo mais fraco acabou por ser os jornalistas que vão sentar-se dentro de meses no banco dos réus acusados de publicarem factos que aparentemente estavam em segredo de justiça e devassa da vida privada.

Para o MP, que promoveu a acusação contra os jornalistas,  é mais gravosa esta actuação, ao publicarem factos comprovativos do lodaçal que povoa o futebol indígena e de evidente interesse público, do que o epíteto de que foi alvo apelidado por parte Pinto da Costa de ser uma «nova PIDE»… A velha questão de haver para a justiça «filhos e enteados», incluindo-se nestes últimos os figurões que através dos tempos ficam intocáveis, sejam quais forem as «malfeitorias» que cometam e que, amiúde, assumem o papel de «virgens ofendidas» quando a «careca» lhes é destapada.


5 Responses to “QUANDO PINTO DA COSTA COMBINAVA COM O PRESIDENTE DOS ÁRBITROS AS NOMEAÇÕES PARA OS JOGOS DO FC PORTO E FICOU SEMPRE INTOCÁVEL”


  1. 1 raul gomes
    Maio 5, 2012 às 7:01 pm

    Contra o saldo e do Benfica? É obra para um homem só.

  2. Maio 5, 2012 às 8:54 pm

    Lucas Carré:

    Incrível como a imparcialidade é imediatamente conotada com ” snobismo”, “dor de cotovelo”, “é da outra cor”, “é da oposição” e, neste caso, “é do Benfica”, como se não houvesse mais clubes de futebol em Portugal e no resto do mundo, (porque não?), para se ser adepto.
    E, pergunto eu, e tal é o meu caso, teremos forçosamente que gostar de futebol?! Não, claro que não! O mundo até é “uma bola”, mas gira demasiado em torno duma: a deste desporto-rei(?) e, parece-me que, a não existir, ou a entrar em “crise à séria” (sim… se deixasse de envolver tanto dinheiro e tantos interesses…) o nosso país parava vezes demais. Não para assistir a jogos na TV, mas… por falta de interesses que o mova. Era o cabo dos trabalhos. Abençoado sejas, portanto, F2!
    A este ‘post’ seu (e continuo a felicitá-lo pela enorme coragem que revela! Não é para qualquer um “mexer” assim com “cães grandes!”) resta-me apenas acrescentar:
    Na minha terra natal (sou transmontana de gema, parola e atrasada, portanto), sempre que há um ajuntamento enorme (de gente, perdoem a redundância, mas é importante especificar) ou uma quase multidão costuma dizer-se, em tom jocoso, sem má-fé, no entanto, “Eh, pá! Tanto burro por metro quadrado!” Chaves não é uma cidade muito pequena, mas enfim…
    Este caso, do nosso “amantíssimo” Pinto da Costa, é só mais um a adicionar a tantos outros. Já quase podemos dizer: “Eh, pá! É muito intocável por metro quadrado!”
    E eles existem, resistem e persistem… Segredos de “quem sabe viver”, quem sabe?!

    Um abraço

    Celeste

  3. Maio 7, 2012 às 2:53 pm

    Era sempre em frente….sempre em frente….

  4. 5 francisco
    Outubro 26, 2014 às 2:46 pm

    amigo mas a capa nao tem nada haver com o conteudo.. quem vir esta capa parece que o pinto da costa combinou algo com o arbitro do guimaraes benfica.. quando o combinado foi algo para a final da supertaça entre porto e leiria.. e foi um arbitro combinado pelos dois presidentes em conjuntos. pc disse a pinto de sousa que axava que deveria ser escolhido o que ia em primeiro na lista de melhores arbitros, mas se ele quisesse escolher outro por ele estava ha vontade.. isto chama se tentativa de difamaçao


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