02
Maio
12

A CAMPANHA DO PINGO DOCE FOI UM CASO DE POLÍCIA E UMA VERGONHA NACIONAL

O que se assistiu ontem, com a campanha de 50% de desconto para compras superiores a 100 euros nos supermercados Pingo Doce foi  um espectáculo degradante a fazer lembrar cenas de fome no Biafra, do Haiti, ou do Burkina Fssso. É verdade, estamos na Europa desenvolvida mas estas cenas são sintomas da crise, de um estado de pré caos social que cada vez mais se avizinha com o recrudescer da crise e dos casos de miséria e fome entre os portugueses. Esta manobra de marketing – o grupo de Soares dos Santos com uns patacos gastos na venda global dos seus produtos economizou grandes somas em acções de publicidade – traduziu, acima de tudo, um caso de polícia.

A ASAE  pondera investigar se o Pingo Doce cometeu um crime de «dumping» – venda abaixo dos preços de custo…curioso que a ASAE tenha dúvidas …se fosse um pobre dono de uma mercearia de bairro o estabelecimento era logo encerrado – ou de publicidade enganosa – poderá ter havido produtos com venda inflacionada a par de  os supermercados do Grupo não terem acautelado a segurança dos seus cliente Houve senhoras com bebés agredidas  …a pontapé e deixadas prostradas no chão, casos de vandalismo nas prateleiras, roubos descarados, desmaios…

Segundo fontes dos Comandos Metropolitanos de Lisboa e do Porto da PSP, registaram-se um total de 40 ocorrências, 32 das quais na área metropolitana da capital e as oito restantes na cidade invicta.

Fonte do Comando Metropolitano do Porto disse também à agência Lusa que um desentendimento entre dois clientes num estabelecimento comercial na Senhora da Hora provocou dois feridos, que foram transportados para o Hospital Pedro Hispano, no Porto.

De acordo com uma nota divulgada terça-feira pela PSP, «a maior parte das ocorrências tiveram como origem a dificuldade de estacionamento e de trânsito” junto aos supermercados Pingo Doce, o que obrigou a PSP a “mobilizar meios humanos e materiais para resolver os problemas».E, entretanto, esta «mobilização» em massa de agentes policiais fez com que,naturalmente, descurassem outros factores de segurança dos cidadãos neste dia feriado.Será que Soares dos santoas pagou a esses piquetres que tiveram de ser mobilizados à pressa paar os seuss supermercados perante a ameaça de caos iminente? Cremos que não…

A mesma nota refere que a PSP registou «ocorrências em quase todos os distritos do país» e que uma «elevada percentagem de situações» foram motivadas quando os clientes começaram a deparar-se com produtos esgotados.

Segundo o mesmo texto, foram registadas «agressões entre clientes», em Lisboa, em duas superfícies da Amadora, e uma em Loures, onde «houve a necessidade de conduzir um homem à esquadra para identificar e registar a ocorrência».

Segundo lemos, o caso foi tema de fundo de muitos jornais estrangeiros. É o país que cai na vergonha, uma imagem indigna, devido a estes merceeiros sem escrúpulos, que através de um golpe de marketing, colocam em causa a integridade dos clientes. Em qualquer país civilizado isto seria veementemente condenado. Não a promoção em si, que acabou por enganar as pessoas que foram levadas a comprar coisas a um preço que nem verificaram e a adquirir produtos desnecessários e alguns de qualidade duvidosa. O que custa a engolir é  que os milhões que esta unidade facturou com a esperteza do Dia dos Trabalhadores vão  parar direitinhos à sua sede na Holanda. A redução nos impostos ao transferirem a Holding para a Holanda permite que possam fazer descontos de 50% em cabaz de compras.

E pensamos nós que o sr. Soares dos Santos chegou a ser agraciado com uma medalha pelo presidente da República…Uma vergonha!


7 Responses to “A CAMPANHA DO PINGO DOCE FOI UM CASO DE POLÍCIA E UMA VERGONHA NACIONAL”


  1. 1 raul gomes
    Maio 2, 2012 às 12:26 pm

    Meu caro amigo
    O que me procupa não é que o dinheiro vá para a Holanda, mas sim a fome que se passa em Portugal.
    Ainda não vi nenhum pobre preocupado com este desconto.
    Será que o Senhor está?
    Quanto ganha?
    Boa tarde

    • Maio 2, 2012 às 2:08 pm

      Boa tarde o que esteve aqui em causa foi uma questão de oportunismo comercial e político, com a escolha apropriada do dia,e humilhação de gentes que passam dificuldades.É nos tempos de crise que surgem os «ratos de porão» à tona de água (Al Capone enriqueceu à custa da Lei Seca),com pézinhos de lã,«altamente» preocupados em promover acções de «solidariedade« que apenas buscam os seus próprios interesses.E ganho pouco,se quer saber,o suficiente para não embandeirar em arco com estas acções crapulosas.

      • 3 raul gomes
        Maio 2, 2012 às 8:20 pm

        A famosa ASAE saberá esclarecer a virtude da sua afirmação.
        Se Al Capone enriqueceu à custa da Lei seca, também os detentores do capital ideologico e económico o fazem.
        Triste é não haver empregos ou roubar.
        Crapulas foram todos aqueles que tem levado à ruína este país e não foram julgados.
        Como sempre, os crimes de “colarinho branco” são os que passam sem punição.
        Deixemos os patas rapadas pensarem que são remediados por um dia.
        Só consigo concluir, que as margens de lucro de alguns comerciantes são seguramente maiores do que aquilo que apregoam.
        Aliás, os saldos são a expressão disso mesmo.
        O dia de ontem mais não foi reificaçáo da sociedade do espectáculo com diria Guy Debord..

    • Maio 4, 2012 às 1:50 am

      Pois é, Lucas Carré… os “ratos do porão” surgem à tona, de mansinho, soltam até uns sorrizinhos contagiantes, sem dar muito nas vistas, vão-se ambientando suavemente, “reproduzem-se como martas”, revestem-se de grandeza e generosidade, mas conquistam exclusivamente o que lhes é favorável, manipulando, mas mantêm-se sempre com um pé “cá” outro “lá”, não vá a tempestade aproximar-se e “molhar-lhes as vestes” e, pior ainda, as poses! Como todos sabemos, em caso de naufrágio, são essas execráveis criaturas sempre as primeiras a abandonar a “embarcação”. Há, portanto, que estar alerta. E eles estão de sobre-aviso antes sequer de abandonar o porão. Pernicioso, não?!

      Não sei se me choca mais a constatação do facto de continuar a haver intocáveis neste país (como as “ilustres e iluminadas” entidades responsáveis pelo Grupo Pingo Doce), a agir como se dele e de meio mundo fossem donos, ludibriando os consumidores com publicidades enganosas, convencendo-os do quanto poupam (quando na realidade gastam muito mais e até se excedem), arrecadando lucros colossais, enchendo assim os seus já abarrotados cofres fruto dos saldos que o não são; se me choca mais o facto de ver a nossa gente deixar-se arrastar como que levada pela corrente, acreditando nestes “milagres” dos santos patronos do consumismo, acreditando, achando até “muito boa ideia”, julgando que, finalmente, “alguém ajuda, alguém está aí para “salvar a pátria”.
      Não tenho também a certeza se me choca menos ver alguém insurgir-se contra a denúncia de situações como esta, incrivelmente “engenhosas”, meticulosamente planeadas, como o fez o Sr. Raul Gomes ao comentar este ‘post’.
      Das duas uma: ou o Sr. Raul não sabe mesmo por que motivo o dinheiro vai parar à Holanda, ou é demasiado umbiguista para “querer saber”. Ou então desconhece a realidade e a mentalidade do país que temos / somos. Duvido muito que os pobres tenham ido fazer compras em qualquer Pingo Doce. Não é hábito de quem é pobre gastar tanto dinheiro de uma só vez. E 100 euros são muito dinheiro para quem ganha acima do salário mínimo nacional, quanto mais para quem tem rendimentos inferiores!!! (Abstenho-me de falar aqui de quem vive na miséria. Estes, também seres humanos e também cidadãos portugueses, para além de nem contarem para dados estatísticos, já nem hábitos têm, atrevo-me a afirmar.)
      Esta jogada de marketing do grupo Pingo Doce que há algum tempo se via em maus lençóis com a polémica gerada em torno da sua sede na Holanda, necessitando por isso de “limpar a imagem”, até seria de mestre se não fosse tão vergonhosa, desleal e sem qualquer tipo de escrúpulos. Só que génios vergonhosos, desonestos e mal-intencionados de génios nada têm. Nem tal conceito existe.
      Obviamente que o “comum dos mortais” não consegue fazer esta leitura: é levada pela maré mas, acima de tudo, pela muita ignorância e pouco pensar! E isto é de doer a alma a qualquer ser pensante, dotado de espírito crítico e analítico e que preze um pouco a dignidade do seu povo. Em primeiro lugar a de quem trabalha num dia 1º de Maio e deveria descansar. Principalmente porque o Dia do Trabalhador se celebra desde o século XIX e não é, ao contrário do que muita gente pensa, uma conquista de Abril. O 25 de Abril de 1974 permitiu, isso sim, que a comemoração do 1º de Maio voltasse a ser feita.
      E, de facto, no Pingo Doce fez-se. E em grande estilo! Espero (embora o meu cepticismo não me permita acreditar!) que os trabalhadores tenham sido devidamente gratificados por isso!!! E que continuem a cantar o “hino” diário do Pingo Doce, vestindo a camisola da casa… porque vale a pena! E não “porque vão ter um dia igual e este, só para eles!”
      Um presente envenenado! Brincamos ou quê?! Lidamos com gente, meus senhores! Não nos (lhes) atirem mais areia para os olhos!!! Magoa, sabem?! Querem experimentar? Ai não… JUlgam-se mais espertos que os outros, não é?! Pois… mas só mesmo mais espertos…
      Lamentável é que as acções da ASAE vão ser um mero pró-forma… Para uma entidade que hesitou para decidir tratar-se de um crime de “dumping” … Como pode?! Fosse o Sr. Joaquim da Mercearia da esquina a fazê-lo e não abriria mais as portas na vida. Mas o Sr. Joaquim é um homem honesto, não é rico, nem enriquecerá nunca. Por que será?! (…) Mesmo que o Pingo Doce venha a pagar a sua multa por estabelecimento, o montante em questão será uma ninharia. Valeu a publicidade de borla!!! Dias a fio não se fala em nada mais que não seja este “fantástico” fenómeno. Até já circulam no ‘facebook’ fotos dos acidentados, entre as quais uma de uma perna engessada (partida, presumo) com a assinatura “PINGO DOCE”!!!
      Lamentável é ainda mais que o poder político nada tenha de poder. Ou melhor: que o não exerça, porque não lhe convém. Foi suplantado pelo poder económico e, enfim, pelo que nem interessa pensar, quanto mais dizer.
      Pingo Doce, o “pai da Pátria”… ainda te vais tornar num pingo bem amargo…
      Só me resta acrescentar, lembrando uma canção antiguinha da Lena d’Água que assenta que nem uma luva a estes “benfeitores” do próprio umbigo: “Demagogia / feita à maneira / é como queijo / numa ratoeira.”
      Ao menos que o queijo ainda esteja dentro do prazo de validade!

  2. Maio 4, 2012 às 1:55 am

    Ah! Só mais uma coisinha:

    Essencial. Muitíssimo importante!

    Obrigada, Lucas Carré!

    Pelos seus posts que sigo com atenção e muita regularidade. Não tenho comentado; nem sempre há tempo ou disposição.

    Pela sua enorme coragem! Você sabe melhor que eu, que ninguém, que pisa muitas vezes em campo minado… Aqui fica a minha admiração e apreço; a minha força e apoio.

    Um abraço!

    Celeste.

  3. 7 Bruno
    Maio 4, 2012 às 8:47 am

    Em nada concordo com o que se tem dito sobre a Jeronimo Martins e esta operação de descontos no dia 1 de Maio.

    Como Portugal é uma terra de gente com mente pequena e de nariz empinado, na minha opinião é claro, sempre que alguém tem sucesso tem como sina ver os seus actos analisados sempre do pior ponto de vista.

    Nem vou discutir o teor demagogico de tudo que ouvi e li. Lembro-me em 1999 estar em Londres e ver o que era a abertura dos saldos na Oxford Street, e não li nem ouvi ninguem a falar sobre isso. Ou até aquilo que mais chega a esta terrinha que é a abertura dos saldos anual na Harrods. Mas nem vale a pena comparar.

    O que aconteceu é um espelho do que são os portugueses. E isso poderá ser uma vergonha. Ou podemos tentar ser menos snobentos e aceitar que é como estamos. E querer ser e ficar melhor.

    No mais, a Jeronimo Martins, for God sake, é hoje uma empresa bem sucedida fora de portas, com um ambicioso plano de avançar no mercado colombiano (amanha irão dizer que anda a traficar cocaina….).

    Na minha opinião esta operação foi também (claro que foi comercial e com sucesso) uma vingança contra todos que gozaram o slogan “sabe bem pagar tão pouco” aquando de uma movimentação estrategica e racional de um centro de negocios para a Holanda que visa a “tax-efficency”, algo que ainda não é crime.

    Muitas vezes crime é pagar impostos a um poder executivo que nos dá vergonha, por exemplo o de Socrates (pronto, acabei de fazer amizades neste blogue !!).

    Eu vi as filas, eu estive lá (mas não vi nenhum desacato, lastimo), eu comprei no dia 1, mas….gastei apenas 5 euros em fiambre e chocolates….fui muito burro pois se soubesse da promoção…..

    Termino: tal como diz o slogan, o Pingo Doce mostrou e explicou o que significa “SABE BEM PAGAR TÃO POUCO”. Shove it !

    Cumprimentos a todos, Bruno Guerra


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