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Abr
12

«CAMALEÃO« FREITAS VOLTA A FAZER NOVA «PIRUETA» NO CASO CAMARATE; EANES TAMBÉM APONTOU PARA ATENTADO

Em entrevista à TVI, Freitas do Amaral acredita que a confissão de Farinha Simões sobre o envolvimento no «caso Camarate» deve ser ouvida com atenção e que deve ser aberta uma nova comissão de inquérito por parte da Assembleia da República. Ver em:
http://www.tvi.iol.pt/videos/13618185

 

«A Assembleia da República já devia ter criado uma nova comissão de inquérito ao acidente de Camarate, porque na legislatura anterior foi criada uma comissão para realizar algumas investigações, que a própria Assembleia da República declarou que faltava fazer», disse o antigo governante.

Freitas era vice-primeiro-ministro na altura e acredita que a queda do avião que transportava Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa está relacionada com o tráfico de armas e munições para a guerra Irão-Iraque.

 Especialista em «piruetas» políticas , convém lembrar que em 12 de Dezembro de 1980,ou seja,uma semana depois do atentado,  uma nota oficiosa do governo presidido por Freitas do Amaral, dizia o seguinte:“Os resultados até agora obtidos constituem por si razões suficientes para justificar o acidente”.Em Novembro de 2010, Freitas publicou um livro no qual afirmava “Estão a encobrir algo sobre atentado de Camarate”. O interessante é que 30 anos depois uma pessoa que devia ter tido um papel decisivo, na altura, para o apuramento da verdade, era ministro e dirigente do CDS, venha agora levantar novamente o assunto pondo-se do lado da tese do «atentado».O que fez Freitas do Amaral ao longo destes anos para esclarecer o caso de uma forma cabal? Por que começou logo na altura da morte de Sá Carneiro a avançar com a tese de acidente,evoluindo,como os camaleões, para outras «nuances», acabando por se pôr ao lado daqueles que defendem que o antigo primeiro-ministro e o seu ministro da Defesa foram vitimas de um homicídio, como se veio agora a comprovar através da confissão de Farinha Simões ( ver neste blogue, um dos primeiros a revelar esse documento).

Também em 27 de Novembro de 1990, em entrevista ao semanário «O Diabo» ( uma entrevista realizada pelos jornalistas José Leite e Maria da Luz  que esgotou o jornal pela primeira e única vez na sua longa história), Ramalho Eanes já tinha levantado as suspeitas, ao afirmar: «Camarate pode ter sido mais do que um acidente», sublinhando não ter havido rigor nem seriedade nas investigações oficiais.Vejamos o que o antigo presidente da República, eleito em confronto directo com o candidato apoiado por Sá Carneiro, referiu sobre este tema, palavras de grande actualidade:

«Sempre entendi que as investigações deviam ser feitas o mais rapidamente possível e aprofundadas exaustivamente.Rapidamente,porquê?Entendo que a memória de Sá Carneiro pesa no imaginário nacional.Essa imagem deve ser tanto clara quanto possível e não deve estar sujeita a dúvidas.Por outro lado, acho que a imagem do sr. Sá Carneiro deve ser um elemento de união entre os portugueses e não de divisão.E a união não poderia ser conseguida enquanto subsistissem suspeitas sobre o que aconteceu em Camarate.A minha principal preocupação foi a de não ter qualquer interferência no inquérito, de nunca o comentar, nem comentar sequer telegramas que recebi em que os peritos se tinham deslocado a Portugal se recusaram a voltar.Sempre entendi ser negativa a exploração da morte de Sá Carneiro.É um morto de dimensão e prestígio nacionais e isso deveria ser devidamente salvaguardado.Na altura especulou-se sobre a quem aproveitaria a sua morte. Eu disse que havia pelo menos uma pessoa a quem não aproveitaria: era eu.O dr. Sá Carneiro era o meu principal adversário e quando se trava uma batalha eleitoral, com frontalidade e ardor, como era aquela campanha presidencial, ganhá-la sem ter o adversário principal é uma vitória sem brilho.Fui um dos indivíduos que mais pagou pela morte de Sá Carneiro, devido às insinuações que posteriormente foram feitas.Foram descabidas, desajustadas e injustas».

COLABORADOR DE EANES E HOMEM DA PJ «ENTALA« BALSEMÃO

Curioso que na altura em que foi presidente da República, em 1980, Eanes tivesse como um dos seus colaboradores  no palácio de Belém um  dos homens que Farinha Simões  acusa de envolvimento no atentado de Camarate: o major Lencastre Bernardo que exercia as funções de responsável pelas autarquias.Nessa entrevista a o Diabo, Ramalho Eanes chega a admitir que Bernardo mantivesse relações com elementos da PJ, ele que fora sub-director da corporação ( ver o que refere Farinha Simões  sobre o «papel« de Lencastre Bernardo na «conspiração»: «Em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta. Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequência».

É verdade.Mais de trinta anos depois da morte de Sá Carneiro,a investigação ( se é que a houve de forma rigorosa) morreu sem consequências,os responsáveis políticos levantam periodicamente o caso em busca de dividendos políticpos.Razão tem o antigo deputado do CDS, Narana Coissoró, que presidiu a uma comissão de inquérito sobre a tragédia de Camarate, ao afirmar: “Dá para fazer barulho, e tem, em certo sentido, aquilo que o povo gosta: as pessoas falam mal deste e daquele, o nosso desporto nacional”.

 
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