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Abr
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BILDERBERG CONSPIROU ATENTADO DE CAMARATE. «BALSEMÃO TEVE CONHECIMENTO ANTECIPADO»…

 Duas semanas depois de ter sido publicada neste blogue ( a 10 de Fevereiro)  a confissão de  Farinha Simões como operacional envolvido no Caso Camarate, as principais televisões e o «Correio da Manhã» de hoje, sábado, resolveram dar grande impacto ao testemunho. Provavelmente, depois de se ter dado como seguro que a Assembleia da República vai avançar com mais uma Comissão de Inquérito aos acontecimentos que culminaram na trágica morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa na noite de 4 de Dezembro de 1980.Essa confissão de cumplicidade na autoria do atentado foi obtida na prisão de Vale de Judeus  onde Farinha Simões cumpre seis anos e meio de prisão por agressões, ameaças à jornalista e sequestro da apresentadora da TV, Margarida Marante, com quem manteve uma atribulada relação. O texto da contrição foi passado ao amigo e cúmplice na operação de assassínio do então primeiro-ministro e dos que o acompanhavam no Cessna, José Esteves, bombista confesso, bruxo nas horas vagas, ex activista dos CODECO no Verão Quente de 75, antigo guarda costas de Freitas do Amaral, «and so on», que numa entrevista à extinta revista «Focus«, chegou também ele a confessar a autoria do atentado que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

Curiosamente, apesar de divulgarem nomes de várias individualidades alegadamente envolvidas na conspiração, as televisões e o «CM» passam em claro o nome daquele que Farinha Simões considera ser dos principais suspeitos no caso, Francisco Pinto Balsemão. No caso da SIC ainda se entende, dado Balsemão ser o «boss» da estação, mas o mesmo não se entende no que concerne à TVI e ao matutino, o qual, chega a citar as acusações feitas ao antigo embaixador dos EUA, Frank Carlucci, o responsável pela PJ militar, Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Principalmente, quando se sabe que Balsemão sucedeu a Sá Carneiro como primeiro-ministro  e quando, é Farinha Simões que o diz, «teria tido conhecimento antecipado do que estava a ser preparado, por via das suas ligações ao Grupo Bilderberg», dado que o então chefe do executivo e o seu ministro da defesa eram empecilhos aos planos em curso para incrementar o tráfico de armas à escara mundial, principalmente a países alvo de embargo, como era então o caso da Nicarágua, Irão e Iraque.

Eis a transcrição dessa parte da carta divulgada por Fernando Farinha Simões, cujo conteúdo integral pode ser visto no texto publicado neste blogue no passado dia 10 Fevereiro :

«José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que Francisco Pinto Balsemão lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer.( N do Crimedigoeu : num texto publicado pelo jornal «Público» em 4 de Outubro de 2002, Francisco Pinto Balsemão admite ter participado num almoço, em 1980, com o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, apesar de reiterar que não se lembra de o ter feito.«Depois de no início da semana — perante a comissão parlamentar de inquérito a Camarate — ter afirmado não se lembrar do encontro, hoje, em carta enviada aos deputados, Pinto Balsemão explica que, afinal, o encontro deverá ter-se realizado», refere o matutino, citando as palavras do antigo primeiro-ministro.Transcrevemos o que foi escrito pelo jornal:“Apesar de continuar a não me recordar de ter estado com ele, a minha mulher, que tem melhor memória do que eu, garante-me que voltámos do Alvor [onde ela me tinha acompanhado], no sábado, 15 de Novembro, a tempo de eu participar num almoço que o primeiro-ministro, dr. Francisco Sá Carneiro, oferecia ao dr. Kissinger”, lê-se na carta.

Na missiva, o antigo primeiro-ministro admite ainda ter estado no almoço “porque alguns jornais de então” — cujas cópias anexa à carta — mencionam o seu nome “entre os convidados”.

Na terça-feira, o actual patrão da SIC (que em 1980 era ministro-adjunto de Francisco Sá Carneiro) disse não se lembrar da sua participação num encontro com Kissinger, Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

Em anteriores audições na comissão de inquérito, o antigo espião da CIA (serviços secretos norte-americanos) Oswald Le Winter afirmou que, “aos olhos de Henry Kissinger”, Francisco Sá Carneiro “era um inimigo”, embora tivesse também adiantado não ter provas sobre o envolvimento do ex-secretário de Estado norte-americano na tragédia de Camarate.

Le Winter chegou mesmo a afirmar que a oposição de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa a que Portugal fosse um ponto de passagem para o fornecimento de armas dos EUA para o Irão terá estado na origem da morte de ambos na noite de 4 de Dezembro de 1980.

Pinto Balsemão começou por dizer, no início da semana, que não se lembrava da vinda de Henry Kissinger a Portugal, tendo pedido aos deputados que especificassem a data e o âmbito da visita.

Os parlamentares adiantaram que o encontro se deu no Alvor (Algarve) a 15 de Novembro de 1980 numa cimeira sobre Defesa e assuntos internacionais.

Balsemão disse ainda lembrar-se do encontro mas voltou a afirmar não se lembrar da presença do ex-secretário de Estado norte-americano no mesmo)».

Mas voltemos ao relato confessionário de Farinha Simões,«cacha»que o «Correio da Manhã» descobriu hoje, sábado, duas semanas depois de aqui a termos divulgado :«Disse-lhe ainda que podiam estar sossegados quanto a Camarate, pois não havia problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências ( n. do Crimedigoeu – como efectivamente veio a acontecer, apesar das investigações da PJ, que envolveram a vinda a Portugal de renomados peritos mundiais para analisar os destroços do avião e apesar de terem sido criadas nove comissões de inquérito parlamentares, a última das quais concluiu pela ocorrência de um atentado, sem consequências penais ou judiciais para os implicados dado que os factos tinham prescrito).  

Mas prosseguindo o relato de Farinha Simões: «No restaurante Foucher´s, em Paris, Kissinger tinha-me dito, por alto, que o futuro primeiro ministro de Portugal será Pinto Balsemão. É importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do Grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização. Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1980, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, como o que tinha ouvido em Paris, em 1980.Tive também esta informação mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg ( n. do Crimedigoeu:Hasselberg era  o responsável da CIA em Portugal, o elo privilegiado dos americanos com as entidades nacionais) em Lisboa, quando este me confessou de que o Pinto Balsemão estava a par de tudo».

Farinha Simões reporta, umas linhas mais à frente, os documentos que Adelino Amaro da Costa transportava numa pasta na fatídica noite e que, segundo ele, depois de ser recuperada praticamente intacta dos destroços, foi entregue pela PJ na embaixada americana em Lisboa. Nas duzentas folhas constavam nomes de personalidades portuguesas envolvidas no atentado – que teria como alvo principal Adelino Amaro da Costa, mas que à última hora, devido à «intervenção» de um homem da segurança pessoal do primeiro-ministro, contou com a presença no avião de Sá Carneiro. De entre essas personalidades figurava Francisco Pinto Balsemão como elemento de ligação ao Grupo Bilderberg e a Henry Kissinger. Diz Farinha Simões que Francisco Pinto Balsemão pertence à loja maçónica «Pilgrim», que é anglo-saxónica e dependente do Grupo Bilderberg.

Com a criação da X Comissão de Inquérito Parlamentar a Camarate, legitimada pela maioria PSD/CDS, espera-se que esta confissão de Farinha Simões venha à baila. Esperemos que, como aconteceu no passado, assim como aconteceu com o comparsa José Esteves, o operacional não seja dado com o maluquinho e que as personalidades por ele visadas, ao contrário do que aconteceu em comissões de inquérito anteriores, sejam interrogadas de forma a explicarem as suspeitas de que foram alvo. Curiosamente, depois das TV e do «CM» terem publicado a contrição de Farinha Simões, apenas o antigo Conselheiro da Revolução, Canto e Castro, respondeu às acusações de que é alvo, sublinhando que a carta de Simões «só pode ser um caso complicado de esquizofrenia»…embora acrescente que, pelos seus conhecimentos aeronáuticos da Força Aérea, ache que Camarate foi um atentado. Vejamos o «veredicto» de mais esta comissão de inquérito… e se a mesma não foi criada para branquear certas figuras e figurões que continuam a passear-se por aí impunes…

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1 Response to “BILDERBERG CONSPIROU ATENTADO DE CAMARATE. «BALSEMÃO TEVE CONHECIMENTO ANTECIPADO»…”


  1. Julho 6, 2013 às 7:34 am

    Entretanto, a propósito de Balsemão ter levado Portas e Seguro à reunião Bilderberg de Junho em Inglaterra, enviei-lhe algumas perguntas. Mandou resposta pela secretária. Espreite aqui: http://perguntasinofensivas.blogspot.pt/2013/07/bilderberg-as-minhas-perguntas-balsemao.html


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