18
Abr
12

EXCLUSIVO: ESPIÕES EM BISSAU RECAMBIADOS PARA LISBOA ANTES DO GOLPE DE ESTADO

Não admira que Portugal tenha sido apanhado com as «calças na mão» face aos desenvolvimentos em Bissau depois do regresso extemporâneo de duas «antenas».O narco-Estado pode continuar a desencadear, com o apoio das élites tribais militares, «ad eternum», a sua guerra lamacenta, quando Lisboa descura as questões ligadas às «informações»…e logo num país que foi sua antiga colónia e que petence ao mundo da lusofonia.

 

Como comenta o blogue Inteligência Económica, «parece haver por esta Lisboa uma enorme incompreensão sobre o golpe de Estado na Guiné-Bissau e até quem tenha sido surpreendido por ele. Quando um ‘golpe’, cuja dinâmica era visível a olho nu, há cerca de um mês, surpreende alguém é mesmo porque esse alguém gosta de ser “surpreendido”. Esta “surpresa” que chega de Bissau só é explicável pela imensa lacuna de “inteligência” que reina em Lisboa…».

Com efeito, soube Ocrimedigoeu junto de fontes credíveis ligadas aos serviços de Integência, que essa «lacuna» terá chegado ao ponto das duas únicas «antenas» (termo usado pelos Serviços para designar elementos ligados à espionagem) que se encontravam destacadas para trabalhar na antiga colónia portuguesa e que «funcionavam» junto à embaixada,  terão sido dispensadas e recambiadas para Lisboa no principio deste ano  devido aos famigerados cortes orçamentais.

Voltando a citar o blogue Inteligência Económica, «este caso da Guiné Bissau é exemplar de uma certa tristeza portuguesa: temos excelente informação armazenada mas somos incapazes de a alcançar e ainda menos de a transformar em “inteligência das coisas”… Por exemplo, o Prof. J.J. Gonçalves fez uma tese de doutoramento, com muito trabalho no terreno, sobre as estruturas tribais (e o islamismo) na G-B… Ele sabe também como e que tribos extravasam (e para onde) da G-B. E também sabe qual a única tribo que é estruturalmente incompatível com o regime do PAIGC e que (paradoxo!) foi a que deu a vitória militar sobre Spínola ao PAIGC… com que se incompatibilizou definitivamente no ‘day after’ da vitória».

Esta tese  (e a sua preciosa informação) foi muito consultada pelo comando militar português de Bissau, durante o consulado guineense de Spínola, onde pontificavam Carlos Fabião e mais alguns que sabiam o que ler. Claro que, hoje, tanto no gabinete de Passos como no de Portas ou Aguiar Branco não ninguém que a tenha lido ou sequer conheça a sua existência».

Pode ser que as tais duas «antenas» não tivessem a arte e o engenho necessários para descortinar estas coisas que relevam das ligações ancestrais entre colonizador e colonizado, e que não tivessem tido a perspicácia de «adivinhar» que estaria para ser desendeado mais um golpe de estado militar.Mas cortar o mal pela raiz, ou seja, afastá-los do cargo sem os substituir por gente provavelmente mais eficiente, dá uma ideia da ligeireza com que são tratados pelo governo português estes assuntos da «inteligência« em países da lusofonia, fragilizados e pressionados pelo crime internacional, cujos reflexos desestabilizadores para a segurança interna podem estender-se ao continente europeu.Daí estas surpresas e estes «remendos» atabalhoados de mandar meios aéreos e navais com os elevados custos inerentes, para dar uma ideia que, afinal, vale a pena não cortar a sério nos orçamentos das FA, de que temos forças militares prontas a intervir em qualquer cenário de guerra ( há até qem diga que o anúncio do envio desta força militar terá desencadeado a fuga apressada de dezenas de portugueses que se encontravam em Bissau para terras do Senegal, temendo represálias).Os gastos do envio desta força bélica davam perfeitamente para manter em Bissau duas ou três «antenas», com capacidade para prever e reportar  os próximos capítulos num narco-estado em permanente ebulição.Será que não haverá em Portugal uma cabecinha pensante que releve a importância estratégica da Guiné-Bissau como placa giratória do tráfico de droga e de seres humanos para a Europa, cuja elite militar busca a preponderância política sobre os civis, de forma a poder manter, de forma impune, os seus negócios opacos e corruptos?…

Razão tem o  ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, ao dizer hoje que a Guiné-Bissau se pode tornar num “Estado falhado” admitindo “situações de violência descontrolada” num país que conhece uma “situação de risco”.

«É o problema de uma estrutura militar da qual a população e a sociedade guineense continuam a ser refém, que não tem outro objetivo que não seja continuar a exercer o poder à margem das regras fundamentais pelas quais se rege um Estado normal na comunidade internacional”, sublinhou Luis Amado. Estas declarações foram feitas   antes do anúncio do acordo assinado em Bissau entre os partidos da oposição guineense e o Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado, que dissolve o parlamento e cria um Conselho de Transição para marcar eleições num prazo de dois anos.

E convém sublinhar mais uma vez que a existência de um «Estado falhado» só convém ao crime organizado à escala global que encontra neste território um palco acessível e seguro para as suas malfeitorias, seja o tráfico de droga, de seres humanos ou de armas.Não será para reportar estas coisas, que podem ter graves implicações em Portugal, que foram criados os Serviços de Informação, pagos pelo erário público?

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