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Mar
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COMO O MAJOR ENREDA A JUSTIÇA: O CASO DA QUINTA DO AMBRÓSIO

 

Desde os tempos da guerra colonial, onde chegou a ser cognominado «Capitão das Batatas» por causa de um negócio turvo quando era responsável da Manutenção Militar na Guiné, que as «trapalhadas» perseguem o Major. Até agora, escapou incólume à Justiça e até tenciona tornar-se  uma espécie de mártir do pós 25 Abril, ao anunciar que vai escrever em livro sobre este negócio da Quinta do Ambrósio onde não faltarão capítulos sobre as «perseguições« de que tem sido alvo… No horizonte de Valentim loureiro poderá estar uma candidatura à Cãmara do Porto… 

 

Paulo Morais, representante em Portugal da Tansparência Internacional, órgão de denuncia e luta contra a corrupção, antigo vereador da Cãmara do Porto com o pelouro do Urbanismo e Construção Civil ( cargo que deixou devido ao lodaçal em que se viu enredado…) pôs o dedo na ferida num artigo que publicou no «CM» sobre a impunidade de que gozam os poderosos deste país nos processos em que são enredados, citando o caso paradigmático do Major Valentim Loureiro, recentemente absolvido no julgamento da venda da Quinta do Ambrósio: CM 7 de Fevereiro de 2012

No Jornal de Notícias,  de 9 Fevereiro de 2012, numa crónica intitulada  Valentim, o inocente», o jornalista Daniel Deusdado pormenoriza este negócio.Com  a devida vénia, publicamos esse artigo bem elucidativo dos caminhos que o Major sabe trilhar na sua fuga a complicações com a Justiça num negócio que envolveu muitos milhões…

«As 162 páginas do acórdão do caso “Quinta do Ambrósio” mostram ao detalhe como o “clã Valentim” aproveitou a venda de um imóvel de Gondomar para montar um grande negócio cujo dinheiro público foi parar integralmente a offshores. O “major” vai entrar na história: impossível de apanhar. É muito mais esperto que os tribunais e a Polícia Judiciária juntos. Tudo simples. Ora vejam: 1. Ludovina Silva, com 80 anos, decide vender a “Quinta do Ambrósio”, em Fânzeres. Uma das filhas consegue marcar uma reunião com Valentim Loureiro, em Junho de 2000, para lhe perguntar se a Câmara de Gondomar estaria interessada. O “major” diz que não, mas perante a aflição, encaminha-a para o seu vice-presidente, José Luís Oliveira, grande proprietário gondomarense e habitual negociador imobiliário. 2. É já em Outubro que o vice-presidente de Valentim, José Luís Oliveira (comparsa de muitas aventuras, entre as quais as do Apito Dourado) acorda verbalmente com a filha da viúva a compra da Quinta por pouco mais de um 1 milhão de euros. 3. Aqui entra Laureano Gonçalves, advogado, ex-inspector das Finanças e especialista em “estruturas fiscais”. É comparsa de Valentim nas questões desportivas (Boavista, Federação Portuguesa de Futebol) e passa a ser ele a face destas operações, além de sócio de José Luís Oliveira. Entretanto, pouco tempo depois, ambos convidam o filho de Valentim, Jorge Loureiro, para fazer parte do negócio. 4. A STCP andava à procura de um local para uma nova estação de recolhas de autocarros em Gondomar (está no Plano de Investimentos tornado público em 1999). A STCP aceita comprar a Quinta do Ambrósio. Por quanto? 4 milhões de euros. Quatro vezes mais do que havia sido combinado pagar à viúva poucos meses antes. 5. Laureano monta então uma estratégia, através de empresas offshore nas Bahamas e Ilhas Caimão, para camuflar os quase 3 milhões de lucros da futura venda à STCP com a maior discrição e menos impostos possíveis. 6. Oliveira Marques e Gonçalves Martins, na altura, respectivamente, presidente e administrador da empresa de transporte STCP, dão luz verde à compra da Quinta do Ambrósio apesar de não terem qualquer avaliação independente sobre o real valor do imóvel. Exigem também à Câmara de Gondomar que faça por desafectar a “reserva agrícola” que impendia sobre parte da quinta. A CCDRN e os organismos de Agricultura e Ambiente não param o progresso de Gondomar – as autorizações surgem ainda durante o ano de 2001. (Um parêntesis: nunca chegou a haver qualquer estação da STCP na Quinta do Ambrósio). 7. Laureano fica entretanto com “plenos poderes de procurador” da viúva. É já ele quem trata do contrato-promessa, em Março de 2001, em nome de Ludovina, à STCP (e depois concretiza a escritura final, em Dezembro de 2001). 8. Ludovina recebe um milhão de euros na conta do BCP (o combinado com o “vice” de Valentim), enquanto os restantes quase 3 milhões de lucro extra vão parar a uma conta no BPN que Laureano criou em nome da viúva. É este fiscalista quem os envia em nome de Ludovina para contas offshore a fim de se dividirem depois pelo filho de Valentim (Jorge), pelo “vice” de Valentim (José Luís Oliveira) e por ele próprio. Obviamente, cada um deles, com contas offshore (BPN-Caimão e Finibanco-Caimão) Conclusão 1: depois de centenas de milhares de euros gastos em investigação policial e tribunais, vai tudo preso? Não. Nada. Além disso, o negócio só foi descoberto por acaso durante o “Apito Dourado”…. Outra dúvida: por que pagaram os administradores da STCP uma verba irreal por um terreno duvidoso? Quem os pressionou? Por fim: qual a decisão do tribunal quanto ao filho de Valentim, ao vice-presidente da Câmara, e ao amigo advogado? O tribunal condenou-os apenas por branqueamento de capitais em um ano e dez meses de prisão… com pena suspensa. That’s all folks!!! Conclusão 2: com tão notável serviço público ficamos agora à espera que a filha (e vereadora) de Valentim tome o lugar do pai em Gondomar e o “major” avance sem medo para a Câmara do Porto. Como não falta dinheiro nos offshores do clã, não deve ser difícil pagar a oferta de electrodomésticos aos eleitores e obter vitórias retumbantes. O populismo é filho da miséria, incluindo a moral».

Desde os tempos da guerra colonial, onde chegou a ser cognominado «Capitão das Batatas» por causa de um negócio turvo quando era responsável da Manutenção Militar na Guiné, que as «trapalhadas» perseguem o Major. Até agora, escapou incólume à Justiça e até se vai tornar uma espécie de mártir, ao anunciar que vai escrever em livro sobre este negócio da Quinta do Ambrósio onde não faltarão capítulos sobre as «perseguições« de que tem sido alvo…

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