23
Mar
12

A INVESTIDA POLICIAL NO CHIADO E A «GUERRA SURDA» EM CURSO TELEGUIADA DE PALCOS DISTANTES

Polícias bateram também em jornalistas na dia da Greve Geral? É mau para a democracia, para a imagem da corporação, cujos responsáveis deveriam estar cientes  que o caso seria empolado pelo facto de algumas vítimas estarem ligadas aos media, diabolizando-se assim, ainda  com mais retumbância, a carga policial. Apesar de se saber nos media ( pelo menos aqueles que já tiveram experiências semelhantes), que os profissionais da comunicação deveriam respeitar algumas regras tendo em vista preservar a sua integridade física. Expor-se no lado dos protestantes, trajando à desportiva como eles, sem elementos identificadores visíveis ( por ex, um colete) sem previamente terem dado uma indicação aos polícias que estavam ali a trabalhar, é uma imprevidência que se paga cara – nos meus tempos de jovem, a coisa era mais dura, «eles» investiam de forma cega, a cavalo, à espadeirada e a tiro, eu próprio assisti a uma dessas cenas no final de uma intervenção de Humberto Delgado no velhinho Liceu Camões. Comparado com o que se passava no Estado Novo os acontecimentos do Chiado foram uma brincadeira de crianças e traçar agora comparações com o «fascismo» não deixa de ser patético…

Os jornalistas foram assim tornados vítimas colaterais de uma guerra surda que há muito está a ser «cozinhada, em Portugal, na Grécia ou em Espanha. No grupo da chamada Plataforma de jovens indignados pode haver gente bem intencionada, aqueles que querem reeditar aquilo que leram sobre os tempos do «Make Love not war», que se indignam com o desemprego, com a falta de oportunidades, com o poder que os manda emigrar, com a exploração de que são alvo por algum patronato miserável que aproveita a crise para ter mão de obra barata e jovem, que passa fome, e que se indigna por isso mesmo. Mas no meio da turba exaltante, há gente a soldo de interesses obscuros, que manobra seguindo pârametros vindos exterior, com centros decisores  em palcos longínquos, mas que servem os mesmos objectivos de levar o caos e a desordem ao Ocidente…o terrorismo faz-se por várias vias, desde aquela que foi protagonizada pelo assassino de Toulose  – veja-se como as acções terroristas passaram a ter um desempenho individual, levada a cabo por indivíduis aparentemente socializados pelo meio em que vivem, que agem  individualmente de forma eficaz e mortal, sempre, sempre teleguiadas por gente radical que os doutrina para serem um mujahedin ( guerreiros de Deus) a soldo do Islão.

A Polícia c onhece isso, tem os seus próprios canais  de informações. E nestas situações de conflito, em que está a ser apedrejada, a levar com petardos e a ser insultada, os agentes da autoridade devem agir. Afinal, eles são feitos da mesma massa humana, a crise, com todos os seus expoentes, mesmo aqueles que são atentatórios dos mais elementares direitos humanos, toca a todos. Mesmo sabendo que o principal fito dessa gente é provocar vítimas, desorganizar um sistema que vive já no fio da navalha. Mas não agir, seria dar uma demonstração de covardia, de ineficácia, de falta de autoridade. Daria uma imagem de fraqueza para aqueles que manobram no meio dos jovens ingénuos e bem intencionados. Houve vítimas inocentes? Pois houve, mas não as há em todas as guerras? E esta é uma guerra surda, silenciosa, que corrói o tecido da sociedade, aquela que vivemos nos dias de hoje.

E, já agora,a hipótese de ter havido um agente provocador (não,não era da polícia…) na carga policial do Chiado, é bem aqui esmiuçada e retratada no blogue do jornalista Frederico Duarte de Carvalho.Vejam bem: http://paramimtantofaz.blogspot.pt/

Anúncios

4 Responses to “A INVESTIDA POLICIAL NO CHIADO E A «GUERRA SURDA» EM CURSO TELEGUIADA DE PALCOS DISTANTES”


  1. Março 23, 2012 às 9:31 pm

    É uma pena este site ser tão obviamente, um site da polícia…

  2. Março 24, 2012 às 8:50 am

    O seu post agradou-me bastante, apesar de nada haver de “agrado” no seu conteúdo.
    Mas não temos que (nem devemos) escrever só e apenas sobre o belo e o que nos traz afago. Lirismos e discursos demagógicos dispensam-se, também. Já temos de sobra. Parece-me até ser o que de melhor se sabe fazer neste rectângulo decadente.
    Premente se torna, isso sim, neste país adiado e amorfo, que pouco pensa e muito dispensa, assumir responsabilidades pessoais e consciências sociais, acusar menos e querer saber mais e melhor. Imperioso é também desenvolver a capacidade de formar opiniões isentas, válidas, objectivas, embora saiba que a luta pela sobrevivência por que a maior parte dos portugueses atravessa, o dispensa e adia, mais uma vez.
    Este não foi, porém, o seu caso. Sabendo do que fala, apresentou a questão sob vários ângulos, com sentido crítico e opiniões próprios e agradeço-lhe por tê-lo feito! Só não o valorizarão mentes mais delicadas que, eventualmente, venha a perturbar com algumas verdades “incómodas”…
    De lamentar é que este post e outros como este não tenham maior projecção. E com isto quero dizer (embora julgue que já me entendeu) que um certo elitismo “nos” caracteriza e reveste. Podemos dar-nos ao luxo de dedicar algumas horas a estas e outras deambulações mentais. A maior dos nossos compatriotas, contudo, não o pode nem seria capaz. Com certeza que não por sua exclusiva “culpa”, mas porque a vida não lhe permitiu mais nem melhor! A ignorância impera e esse é um mal terrível!
    Permita-me só que faça uma ligeira observação ao seu texto… É só uma questão de ponto de vista (um preciosismo, quiçá, que eu sou dada a estas palermices…)
    Quando o Lucas Carré afirma, na última frase do 1º parágrafo, ” Comparado(… )e traçar agora algumas comparações com o fascismo não deixa se ser patético…” ; em vez de “e traçar (…)” eu escreveria: ” mas traçar (…)”. Tem mais lógica, segundo o raciocínio que fiz. O patético parece-me residir no facto de se estarem sempre a estabelecer comparações com o passado, quando era suposto termos evoluído e muito, tendo os contextos (históricos, políticos, económicos, sociais, psicológicos, até) em que vivemos em linha de conta, quando “analisamos” e “avaliamos” os acontecimentos.Na leitura que fiz das suas palavras (e ouve-se muito esse tipo de discurso) é como se continuássemos a desvalorizar o presente, bem como as dificuldades que também existem, as ordens cegas que têm que ser obedecidas, sem sabermos a mando de quem, nem em prol de quê. Fazemos uma pequena ideia, apenas. E…será assim tão natural que tenham que haver vítimas inocentes numa simples manifestação?! Desde que não morram, não é? E desde que não sejam os nossos filhos, “tá-se…”
    Acrescento apenas (e perdoe-me se o interpretei mal) que ainda bem que não está presente (não pode) ninguém da Idade Média, nenhum escravo comprado em África e levado para os Brasis… Então não sei que comparações se fariam!
    (…)
    Por outro lado, e apesar da revolta e indignação que se compreende, também as manifestações são o reflexo da sociedade que temos: respeito quase zero; humildade pouca; formação esquisita embora a educação de muitos até seja superior; arrogância q,b. ou mais que isso; os pais ainda os protegem! Pobres pais!; ainda não perceberam que, por muito que custe, o curso que tiraram foi uma mais-valia e um investimento pessoal, cultural, naquilo que ninguém lhes pode tirar. Ainda não perceberam que hoje nada é seguro. E que não é vergonha sujar as mãos só porque se tem um curso superior. Os meninos dos Papás sabem muito pouca coisa!
    Esta não é a regra dos manifestantes. Mas é a quase regra dos que mais se lamentam. De barriga cheia, sendo sanguessugas dos progenitores.
    (…)
    Lanço-lhe ainda esta questão, não sendo para si pois tenho a certeza que já pensou nisto e já teve respostas diferentes em períodos diferentes da sua vida: serão as guerras REALMENTE inevitáveis?!
    Pode(m) rir-se da minha ingenuidade e meus sonhos utópicos. Não me importo nada. Aos 42 anos luto para que o mundo “não me mude a mim”, como Manuel António Pina.
    Bem sei o que motiva os “Senhores da guerra” a torná-las necessárias. Mas a mim não me convencem! A menos que o primeiro de entre eles vá para a linha da frente e se entregue, em nome da pátria. E por ela dê a vida.

    Perdoe-me. Alonguei-me demais! Acho que foi o entusiasmo…

    Um abraço

    Celeste

    • Março 24, 2012 às 12:42 pm

      Obrigado pelas palavras e não tem de pedir desculpa por se alongar…este é um espaço de liberdade de expressão,aberto a todas as sensibilidades,mesmo as mais entusiásticas…como diz ser o seu caso.De facto, este é um tema de grande actualidade e há que alertar certas consciências, principalmente as mais jovens, para as manipulações de que possam ser alvo em nome da indignação.Infelizmente, compartilho com aquilo que diz de as guerras serem inevitáveis.Como é que poderia resistir a indústria do armamento se elas não eclodissem? Mas,tamém como diz, há que lutar por um mundo melhor e folgo saber que esse é o seu caso, por uma questão de consciência, de cidadania,e, por que não, de boa utopia. Abraço


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: