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CONTRA ATAQUE DE SÓCRATES LEVANTA CASO DAS ESCUTAS A BELÉM

É óbvio que o contra ataque Socratiano às criticas de Cavaco contidas no prefácio do seu livro Roteiros IV, em que o presidente acusou o antigo primeiro ministro de deslealdade, não se fez esperar. No dia em que, curiosamente, jornalistas do «CM» ( ou espiões a «soldo« do jornal, ver artigo neste blogue)  detectaram em paris o antigo primeiro ministro em contactos frenéticos com Lisboa por telemóvel,  Silva Pereira, o antigo ministro do governo PS e homem de confiança de Sócrates, em entrevista a um canal de TV lembrou o episódio das escutas a Belém e a «deslealdade» então cometida por um assessor do Presidente… ao que parece, com o apoio tácito deste. Sublinhe-se que o «DN» publicou um  artigo referindo que um’E-mail’ denunciou que Fernando Lima, assessor de Cavaco, entregou ao ‘Público’ um ‘dossier’ sobre as suspeitas de espionagem do Governo de José Sócrates.

As suspeitas de escutas por parte do gabinete do primeiro-ministro à Presidência da República foram levantadas por Fernando Lima, assessor de imprensa e homem de confiança de Cavaco Silva. Lima terá, segundo documentos  a que o jornal teve acesso, procurado o jornalista do Público, Luciano Alvarez, segundo este último, em nome do próprio Presidente.
 
Num encontro, que terá decorrido em Abril de 2008, “num café discreto da Av. de Roma”, o assessor de Belém entregou a Luciano Alvarez um dossier sobre Rui Paulo de Figueiredo, adjunto jurídico de José Sócrates, cujo comportamento levantou suspeitas aquando da visita de Cavaco Silva à Madeira. Lima estaria convencido que este adjunto de Sócrates integrou a comitiva para “observar, o mais dentro possível, os passos da visita do Presidente e o modo de funcionamento interno do staff presidencial”.

Todas estas informações constam de um e-mail enviado por Alvarez ao correspondente na Madeira, Tolentino de Nóbrega, no qual relata o encontro com Fernando Lima e sugere que até seria bom que a história viesse da Madeira, para que o ónus não recaísse sobre a Presidência: “O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para o início do trabalho (até porque a eles também interessa que isto comece na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim).”

Este e-mail é apenas um dos  vários documentos a que o DN teve acesso, cujo conteúdo se refere a questões internas do jornal.
 
Contactado  pelo DN, o editor do Nacional do Público nega a existência do mail. “É tudo forjado”, disse Luciano Alvarez. Já Tolentino de Nóbrega não quis comentar “assuntos internos do jornal”. Mas o DN verificou a autenticidade da correspondência junto de um dos envolvidos .

Nesse e-mail de 23 de Abril de 2008, Alvarez refere-se ao assunto – que prefere tratar via net porque “nem os homens do Presidente da República arriscam a falar por telefone” – como a possível bomba atómica, se a história for confirmada. Admitindo que tudo não passe de “paranóia dos do PR e do Lima”, faz questão de frisar que “não deixa de ser grave que o PR pense isto e que ande a passar informação ao Público, manifestando grande vontade da história vir a público.”
 
Desde que o diário então dirigido por José Manuel Fernandes divulgou o caso não houve qualquer desmentido da Presidência da República. Nem depois de Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, ter dito na reportagem da SIC “Como nunca os viu” que a fonte das escutas é Fernando Lima . Dos envolvidos nas alegadas escutas, só Sócrates comentou o assunto, para o classificar de “disparate de Verão”.

Tolentino de Nóbrega respondeu ao mail de Alvarez a 5 de Maio de 2008. Nessa mensagem deita por terra as desconfianças de Belém: “Conforme disse em contacto telefónico, feito na semana passada, julgo que tudo isto não passa, como admitiste, de paranóia do PR & Lima”. O correspondente no Funchal descreve, depois, exaustivamente, os passos que deu para tentar confirmar a que título e como Rui Paulo de Figueiredo esteve presente nas cerimónias da visita do Presidente da República à região autónoma.
Quase um ano e meio depois, o jornal publica a manchete a dar conta das alegadas escutas por parte do gabinete de Sócrates a Belém, sustentando, um dia depois, notícia da véspera com as suspeitas à volta da presença de Rui Paulo de Figueiredo no Funchal.
 
O  tema foi objecto  de um artigo crítico do Provedor dos Leitores do ‘Público’, Joaquim Vieira, no qual se ficou a saber, pela primeira vez, que Tolentino de Nóbrega tinha informado o editor do jornal que não conseguira confirmar qualquer das informações, inclusive num contacto pessoal com o assessor de Sócrates.

Fernando Lima explicou-se, mas…acabou posto na prateleira

O antigo assessor do Presidente da República  quebrou o silêncio sobre este caso das alegadas escutas ao  afirmar num artigo de opinião publicado no jornal Expresso que tudo não passou de “uma teia bem urdida pelo fértil imaginário dos criadores de factos políticos”, com o objectivo de “envolver o Presidente da República no palco da luta eleitoral que então decorria”.

No artigo de opinião intitulado “A minha verdade”, Fernando Lima acrescenta que “essa intriga não teve escrúpulo de tentar sacrificar o meu direito ao bom nome profissional, construído durante uma vida, e que me cabe defender e honrar”.

“O episódio chega mesmo a ser invocado recorrentemente, sempre que a conveniência política e determina”, frisa o ex-assessor da Presidência da República.

“A luta política estava no seu auge e era preciso desviar as atenções do que podia esclarecer os portugueses ou informá-los sobre a real situação do país”, acusa o ex-assessor do Presidente da República.

A história do alegado e-mail

Recordo que a 18 de Setembro, o Diário de Notícias afirma que Fernando Lima teria sido a fonte do Público, na sua manchete de Agosto, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo.

O DN transcrevia um alegado e-mail trocado entre dois jornalistas do Público – Luciano Alvarez e o correspondente do jornal na Madeira, Tolentino da Nóbrega – com instruções para seguir pistas fornecidas pelo então assessor de imprensa do Presidente da República, quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.

“Foi então que surgiu num diário concorrente do Público a publicação de um estranho e-mail – resta saber por que caminho terá ele chegado – tão estranho que não deveria ter suscitado mais do que um impulso de rejeição enojada por parte de todos os profissionais de jornalismo e actores políticos”, refere Fernando Lima.

“O suposto e-mail era datado de há um ano e meio atrás, ou seja de Abril de 2008 e assinava-o um jornalista do Público que se dirigia a outro jornalista do Público numa correspondência de rotina profissional privada”, escreve Fernando Lima que acrescenta que no referido e-mail “se relatava, em tom de cordial confiança próprio entre colegas da mesma casa, uma suposta conversa que o autor do e-mail teria tido comigo e cujo teor teria sido o comportamento de um assessor do primeiro-ministro durante uma visita presidencial à Madeira, em Abril de 2008”.

“Dessa conversa, que o autor do e-mail sublinhava como secreta e confidencial, tinha surgido indicações de haver matéria suficientemente interessante para que o colega da Madeira, procedesse a averiguações, destinadas a confirmar factos que poderiam ver a ser noticiados pelo Público”, sublinha o ex-assessor de Cavaco Silva.

“Nem na altura, nem durante o ano e meio que se seguiu, nem nunca mais, houve qualquer desenvolvimento de notícias decorrentes da suposta conversa referida no e-mail. No entanto, o diário concorrente dá honras de capa à publicação do e-mail – insisto trocado entre dois jornalistas do Público um ano e meio antes, ao qual sou, como é óbvio, absolutamente alheio e sem correspondência à realidade”.

“Ao longo da minha actividade profissional, nunca revelei a ocorrência ou o teor das conversas com jornalistas. Do mesmo modo, e para que não restem dúvidas, nas minhas conversas jamais evoquei o nome do Presidente da República sobre algo que não decorresse de intervenções públicas”, frisou Fernando Lima.

O que se sabe é que Fernando Lima foi afastado do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação Social do Palácio de Belém, a 21 de Setembro. No entanto, mantém-se em Belém como assessor da Casa Civil de Cavaco Silva. E a sua sombra ainda continua a fazer estragos…E a «estória» serve de «arma de arremesso» dos socratianos contra o PR. Cá se fazem cá se pagam…

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