09
Mar
12

CASO FREEPORT: SÓCRATES E BELMIRO TAMBÉM SE VIRAM ENREDADOS NUMA ALEGADA TENTATIVA DE SUBORNO

O processo relacionado com o licenciamento do outlet de Alcochete, que começou a ser investigado por suspeitas de corrupção e levou à acusação de sete pessoas, chegou ontem, quinta feira, a julgamento apenas com dois arguidos: Charles Smith e Manuel Pedro, acusados de um crime de extorsão na forma tentada.

Com Zeferino Boal, o antigo autarca em Alcochete afecto ao CDS e ex-candidato à presidência do Sporting, dado como sendo o autor de denúncia do escândalo, a tornar público um comunicado  que reproduzimos)  onde mostra a sua indignação pelo facto  de alguns «crimes terem desaparecido,  surgindo acusados apenas dois cidadãos, e da vastíssima lista de arguidos e de testemunhas ,não «existir um decisor político».

«Politicamente, o povo português descobriu a verdade e puniu! Infelizmente a investigação não extraiu  o esclarecimento total e cabal (…) não por falta de seriedade  e competência de alguns profissionais de investigação mas tão só por responsabilidades superiores», afirmou.

Zeferino que, estranhamente, deixou de ser assistente no processo, sabe do que diz. Houve muita gente de alto coturno com responsabilidades políticas e governamentais que escapou às malhas da investigação depois de os arguidos, intermediários do negócio, terem exigido ao grupo inglês Freeport, que os tinha contratado, o pagamento de cerca de 23,3 milhões de euros, verba essa destinada a pagar subornos para garantir a aprovação da construção do centro comercial. E duas testemunhas ouvidas ontem no Tribunal do Barreiro disseram terem ouvido da boca de um dos arguidos, Manuel Pedro, que pagou uma verba que não especificaram – não conseguiram determinar se foram  500 mil euros ou 500 mil contos – ao antigo ministro do  Ambiente, José Sócrates, para licenciar o empreendimento.

«O Crimedigoeu» está em condições de revelar que uma outra linha de investigação relacionada com alegadas luvas pagas a Sócrates que os investigadores não deram crédito foi o testemunho de uma funcionária da DRAOT (Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território), caso divulgado pelo Semanário Privado, entretanto, extinto, em 2009. Fernanda Guerreiro disse à PJ – e o jornal publicou esses autos de declarações à PJ –  que corria a “notícia” de que “Belmiro de Azevedo tinha pago ao Sócrates 500 mil contos para o processo não avançar”, apresentando como justificação o facto de este não querer “perder dinheiro” por o Freeport ser uma forte concorrência ao Centro Comercial Vasco da Gama (pertencente ao grupo Sonae), em Lisboa. Mais uma vez, não houve factos concretos, sendo justificado como algo que circulava pela DRAOT sobre uma alegada tentativa de «chumbo estratégico» Nada, portanto, que desse margem aos investigadores para acusarem Sócrates.

Zeferino Boal tem assim mais uma vez razão: a investigação poderia ter ido mais longe, mas não foi. E agora quem «paga as favas» são estes dois arguidos, pouco habilidosos e sem poder para serem acusados por esta «chafurdice de corrupção»… para utilizar um termo agora em voga por causa da «chafurdice política» do caso Lusoponte e dos pagamentos em duplicado na Ponte sobre o Tejo

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