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Mar
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25 ANOS DEPOIS DO MASSACRE DA «PRAIA DO OSSO DA BALEIA» – O «MATA SETE» CHEGOU A TORNAR-SE AJUDANTE DE SACRISTÃO

“Eliminar o mal, o pecado e o vício da Terra”.- escreveu Vitor Jorge no seu diário antes de iniciar a matança que o celebrizou

 

 

Cumprem-se  25 anos sobre a data em que ocorreu um dos crimes mais horrendos registados em Portugal: o chamado  “massacre da Praia do Osso da Baleia”, quando Vítor Jorge, contínuo de profissão, matou sete pessoas, incluindo a mulher e a filha mais velha.

Vitor Jorge, tentou suicidar-se por dez vezes depois de ter sido libertado em 2001 e ter emigrado para França.  A última tentativa ocorreu em 25 de Janeiro de 2008, em Nice.

Os factos ocorreram na noite de 1 para 2 de Março de 1987, na Praia do Osso da Baleia (Pombal) e na Amieira (Marinha Grande) quando este contínuo de profissão numa agência bancária e fotógrafo de casamentos e baptizados nas horas vagas, assassinou a tiro e à pancada cinco pessoas que tinham participado numa festa de anos na Guia, Pombal. Nas páginas do seu diário pessoal, Vítor Jorge  escreveu: “vou tentar assassinar de forma brutal duas ou três raparigas e em seguida as minhas filhas”. Fechou o caderno e levantou-se. Estava pronto para a missão, “eliminar o mal, o pecado e o vício da Terra”.
Saiu de casa, sozinho, em direcção à casa da mãe da sua amante.
Leonor, a amante, fazia anos e tinha convidado dois casais amigos. Beberam, conversaram e por volta da meia noite foram passear à Praia do Osso da Baleia. No areal, um dos amigos de Leonor terá dado o primeiro passo rumo a uma sessão de sexo em grupo.
Vítor Jorge aproveitou a euforia e foi ao carro, uma carrinha Citröen branca. Da mala retirou uma caçadeira e uma faca. A tiro matou a amante, os quatro amigos e depois esquartejou-os a todos com uma faca. Dois dos cadáveres foram levados na maré. Os outros ficaram  na areia.
O bancário virou então a fúria para a própria família. Já em casa, acordou a mulher e pediu-lhe que o acompanhasse. Disse-lhe que tinha atropelado uma pessoa e que precisava de ajuda. Carminda não desconfiou de nada. Num pinhal ali perto, Vítor apanhou a mulher pelas costas e cravou-lhe cinco facadas.
Sem tempo a perder, foi a casa e fez o mesmo à filha mais velha, Anabela. Exausto, mas determinado, regressou e trouxe ao mesmo local a filha mais nova.
Sandra percebeu que muita coisa estava mal naquele sitio e terá dito “pai,não me mates que sou tua filha”. Vítor Jorge não a matou. A miúda fugiu por entre os pinheiros. O assassino foi apanhado quatro dias depois. Acompanhado de uma mão cheia de investigadores regressou à praia para a reconstituição do crime.
O autor confesso do múltiplo homicídio tinha então 38 anos e começou em Novembro de 1987  a ser julgado, por um tribunal de júri, que o condenou, em cúmulo jurídico, a 20 anos de prisão, que era a pena máxima prevista no Código Penal.

O réu chegou a pedir aos juízes para que o isolassem numa instituição psiquiátrica, por sentir que «um dia podia matar  mais gente”. Um relatório do conceituado psiquiatra Eduardo Luís Coentrão, entretanto falecido em 1991, descrevia Vítor Jorge como «doente  mental perigoso, um alto risco para a comunidade”, o que a ser reconhecido pelo tribunal da Marinha Grande, podia fazer com que o acusado ficasse internado para o resto da vida. Mas não foi. O tribunal de júri, presidido pelo juiz Gregório Simões, preferiu aceitar a opinião de um psiquiatra local de que o arguido era um homem mentalmente saudável e condenou-o à pena máxima de 20 anos de cadeia, enquanto criminoso comum.

Depois de cumprir pena na penitenciária de Coimbra de forma exemplar, onde até ajudava à celebração da missa, Vítor Jorge beneficiou de várias amnistias e foi libertado em cinco de Outubro de 2001, apenas 14 anos depois de ter sido encarcerado, quando o normal teria sido cumprir pelo menos 16.Um facto que chocou o país e levantou a velha questão da brandura dos nossos códigos penais.E na localidade da Amieira houve mesmo quem receasse que Vitor Jorge poderia reincidir no crime, depois de ter feito várias ameaças no sentido de que a  sua  lista  sangrenta ainda incluiria mais alguns nomes.Vigtor Jorge regressou a Portugal na Páscoa de 2008, mas não foi bem recebido pela maioria dos familiares e amigos, referiu ao CM uma prima.“As pessoas estão assustadas”, porque o ex-bancário  tentou-se matar e enviou mensagens desesperadas por telemóvel, no início do ano. Por isso, “foram poucos os que lhe abriram a porta”.
A viver em França desde que saiu da prisão, em 2001, esta foi pelo menos a terceira vez que Vítor Jorge veio a Portugal. Nas anteriores esteve em Calvaria, Porto de Mós, onde nasceu, e na Marinha Grande. Nessas alturas, foi bem recebido, até por amigos que fariam parte da lista de pessoas que quis abater. Alguns convidaram-no para jantar em suas casas. O regresso na Páscoa de 2008 terá sido motivado pela necessidade de renovar o Bilhete de Identidade e a recepção foi diferente. “Andou por aqui duas semanas, mas ninguém o recebeu como da última vez”, concluiu a prima do assassino.

 O seu «recolhimento» definitivo em Inglaterra onde  vive com familiares,desconhecendo-se pormenores sobre o seu modo de vida, sossegou os espíritos.

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