01
Mar
12

AS ESCUTAS A SÓCRATES E A DESCREDIBILIZAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO

O «Correio da Manhã», por Sónia Trigueirão, continua a publicar as escutas telefónicas das conversas do antigo reitor da Universidade Independente, Luís Arouca, com José Sócrates, incluídas no processo sobre a gestão da Universidade, com relevo para o caso da polémica licenciatura que obteve naquele estabelecimento o ex-primeiro-ministro.

O assunto já tem barbas, nada de novo se levanta nas páginas e páginas que o matutino tem dedicado ao assunto o qual, sublinhe-se, foi encerrado pelo Ministério Público. O que se pergunta é se haverá aqui interesse público e patriótico em se dar a conhecer que um primeiro ministro de Portugal pode ser escutado – pelo SIS? Pela PJ? –  no âmbito de um processo «lateral» ( aqui não se estava a investigar Sócrates mas a UI) e que trechos pormenorizados dessas conversas possam vir mais tarde a ser tornados públicos, depois de levantado o chamado segredo de justiça.

Ora, à primeira vista, parece que o «fantasma do antigo primeiro-ministro, a viver uma espécie de exílio sebático em França,  ainda incomoda muita gente. E logo numa altura em que é dado como putativo candidato do PS às próximas presidenciais. O caso da sua licenciatura já foi arquivado pelo Ministério Público, mas volta agora à ribalta num período em que o PS vive uma luta interna, com Seguro a sentir-se cada vez menos seguro, incapaz de descolar nas sondagens, «entalado» entre as várias sensibilidades que espreitam pela oportunidade de saltar para o «poleiro», desde os socratianos aos ferristas. E ressuscitar o caso da «licenciatura» poderia ter, como efeito, afastar qualquer hipótese de avanço presidencial por parte de Sócrates.

Numa outra linha estratégica, poder-se ia também pensar que o actual governo de Passos Coelho, através das «segundas linhas de «comunicadores e marqueteiros» ( se é que eles existem de facto…),aposta em criar cenários alternativos a uma evidência que nos cerca diariamente, ou seja, a derrocada social e económica em que Portugal vive atolado desde que a «troika» por cá pousou, desviando as atenções para o governo anterior, o mau da fita e com o seu principal o responsável enredado nas velhas questões polémicas às quais não consegue escapulir…nem estando longe, sentado numa qualquer esplanada parisiense, absorvido na leitura de livros sobre Ciência Política.

Há uma terceira hipótese, de contornos  mais kafquianos: dar a conhecer à opinião pública que um primeiro ministro pode ser escutado pela polícia como um vulgar criminoso e que o registo dessa conversa foi passado ao papel e, mais tarde, tornado público através da Comuniucação Social, só descredibiliza e envergonha o chamado Estado de Direito, e suscita interrogações sobre o papel de um serviço secreto no actual contexto, desvirtuando o objectivo para que foi  criado, ou seja, de prevenir as ameaças a Portugal …ou então, talvez se entenda que Sócrates e a forma pouco clara como concluiu o curso podem  constituir uma ameaça séria à Nação valente e imortal.

Inclinamo-nos mais para esta última hipótese, pois há muito que vimos sustentando estar em marcha uma campanha surda de aniquilamento dos serviços e informação.

Anúncios

0 Responses to “AS ESCUTAS A SÓCRATES E A DESCREDIBILIZAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: