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Fev
12

RTP «LAVA» MAIS BRANCO – Ó Herman,Ó Herman, Paco à vista…

Canal público pago escandalosamente pelos impostos do contribuinte, «esmera–se» em privilegiar entrevistas com «figurões» a contas com a justiça  

Voltamos à carga sobre a RTP 1,indignados que estamos com recentes critérios  editoriais ( se é que os há…) que nada têm a ver com o serviço público : nos últimos dias, assistimos ao branqueamento da imagem de indivíduos a contas com crimes graves. Com lágrima ao canto do olho, Afonso Dias, o suspeito de raptar o menor Rui Pedro, de Lousada – e que escapou por uma unha negra de ser linchado pela turba que o esperava à saída do tribunal que o ilibou surpreendentemente desse crime – aproveitou a oportunidade dada pelo canal público, para, na presença do advogado, reiterar a sua inocência, sublinhando que até era amigo da «madrinha», mãe do menor desaparecido, que compreendia a sua dor, que nada sabia do paradeiro do jovem que supostamente terá levado a uma prostitutas que julga estar vivo ( era bom que explicasse a razão de ser desta sua suposição). Naturalmente uma «cacha» televisiva, que, esperemos, possa ( e deva) ser complementada também com uma entrevista à mãe, que saiu do tribunal lavada em lágrimas e que teve de ser internada no hospital horas depois e  que há catorze anos espera por justiça, talvez a divina, pois a humana há muito que deixou de acreditar… logo a partir do dia em que o filho desapareceu e em que a Polícia Judiciária revelou graves incúrias e desleixo em seguir as pistas imediatas que estiveram ao seu dispor e que descurou.

Ainda mal refeitos desta entrevista lamechas a um indivíduo que luta contra a pressão social que o diaboliza, eis que no sábado à noite tivemos Paco Bandeira como figura central no programa do Herman ( esse que também luta contra a inevitabilidade de cair no ocaso mediático, pois há muito que deixou de ter graça, curiosamente a partir da altura em que se viu enredado no processo Casa Pia).

Como se sabe, o cantor do «Ó Elvas, ó Elvas…» está a ser julgado num processo por violência doméstica perpetrada contra a ex-companheira. acusado também de posse de arma proibida. Na origem do processo está uma denúncia feita não pela ex-companheira – que terminou a relação em Abril de 2009, depois de 12 anos de vida conjunta – mas por uma assessora do Gabinete de Apoio à Vítima de Lisboa, que data de Abril de 2009.

Na base da denúncia estão relatos de insultos e ameaças de morte (algumas feitas por escrito por Bandeira nas paredes da casa onde o casal vivia, em Oeiras), que levaram a que o Ministério Público ordenasse buscas à residência e automóveis do músico. Durante essas buscas, a polícia apreendeu duas armas de fogo (uma delas com licença caducada) e algumas munições – uma dessas armas será a que a primeira mulher do cantor usou para cometer suicídio, em 1996, um caso que volta agora à baila, pois a família da suicida(?) tenta reabrir o processo. Na memória deste articulista surge avivada uma cena que teve lugar nos anos noventa na casa de Sintra de Paco, dias depois da morte da mulher, a tentar explicar, em tom meio ameaçador, as motivações que terão levado a mulher a pegar numa pistola (será uma das armas agora apreendidas ao músico?) providencialmente deixada na mesa de cabeceira ao lado da cama onde desferiu o tiro fatal. Isto depois de ser ter visto devastado pelas criticas do irmão da vitima residente em Elvas, o qual nunca deu, nem continua a dar, muito crédito à tese do suicídio. Como os amigos são para as ocasiões, já tinha sido assim com Carlos Cruz, o bom do Herman tudo fez para lavar a imagem e a alma do músico a braços com uma situação complicada com a justiça, publicitando as suas músicas e até um livro de que foi autor. Guardo de Paco Bandeira, com quem me cruzei várias vezes ao longo dos últimos anos, a ideia que se trata de uma figura algo enigmática, misteriosa, com dupla personalidade, ora afável, ora ríspido e truculento. No programa do Herman, aquilo que ressaltou foi a figura de mais um injustiçado – uma palavra ali usada por várias vezes, incapaz de matar uma mosca – veja-se o cuidado de Paco em dizer, em tom irónico, que não interferia na educação dos netos, pois isso poderia se interpretado como violência. De vómito, sem dúvida, ver um canal público, pago pelos impostos do contribuinte, a servir interesses esconsos, opostos ao serviço público que deveria nortear a sua existência Quem se segue na lista dos «branqueáveis? Aposto que vai ser Bashar al-Assad, talvez para explicar que o genocídio em curso na Síria é uma medida profilática visando implantar a democracia.

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2 Responses to “RTP «LAVA» MAIS BRANCO – Ó Herman,Ó Herman, Paco à vista…”


  1. 1 José Cardoso
    Fevereiro 28, 2012 às 1:51 am

    Concordo em absoluto com TUDO o que escreveu…Muito discernimento e TOTAL imparcialidade.
    Parabéns.

  2. Abril 25, 2012 às 4:52 pm

    Excelente!

    Fantástica lucidez, espírito crítico (aliás o já habitual!) e, acima de tudo, uma admirável coragem! E esta (você sabe bem melhor que eu) não é para todos!
    Simplesmente brilhante!

    Um abraço de admiração e apreço.

    Celeste


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