20
Fev
12

VARA E A ATRACÇÃO POR EMPRESAS SUSPEITAS DE PAGAR «LUVAS»

 

 

O ex. ministro do PS é o «Big Boss» em África de uma construtora investigada no Brasil por corrupção de políticos e que «namora» a Ana – Aeroportos de Portugal

 

Pagamento de luvas, corrupção e lavagem de dinheiro – estas são as suspeitas que recaem sobre a segunda maior construtora brasileira, a Camargo Corrêa, com múltiplos e vastos interesses em Portugal ( é accionista maioritária da Cimpor) e que tem como uma das suas principais referencias o  antigo ministro socialista, Armando Vara, nomeado responsável máximo para os negócios em África. Uma ligação que a maioria dos media tem ignorado numa altura em que o antigo homem forte do PS está a ser julgado no âmbito do processo Face Oculta. Um dos mais chorudos negócios em curso e que Vara tanto se empenhou, respeita à construção da nova barragem Mphanda Nkuwa, no Rio Zambeze, Moçambique, no valor de 1,75 mil milhões de euros, situada muito perto de Cahora Bassa, duplicando dessa forma a produção de electricidade no país.

Mas não se pense que Vara só se interessa pelos negócios africanos. Depois de ter abandonado o cargo de vice-presidente do Millennium BCP, no seguimento da sua alegada implicação no processo Face Oculta, o influente militante socialista chegou mesmo a fazer lobbying junto das autoridades portuguesas para demonstrar o interesse do grupo brasileiro na privatização da Ana – Aeroportos de Portugal, empresa gerida por Guilhermino Rodrigues, antigo secretário de Estado no Governo PS de António Guterres.

Curiosa esta atracção do militante socialista por empresas metidas em «molhos de bróculos» e que actuam por «baixo da mesa», ou seja, pagando luvas a gente ligada ao aparelho governamental ou chegada ao poder instituído, no Brasil ou em Portugal, como se está a provar no processo Face Oculta, em que um sucateiro era um autêntico «mãos largas a distribuir prebendas ( que iam desde cestos de robalos… ) para concretizar as suas negociatas.  

 «Castelo de areia»

No Brasil, a Camargo Corrêa  foi investigada pelo Ministério Público de São Paulo que oficializou 14 investigações, por suspeitas de sobre – avaliação de obras públicas e utilização de dinheiros extra para pagar a deputados, senadores e membros do aparelho judicial. Em Dezembro de 2009,foi apurado o pagamento de luvas a políticos de 7 partidos e investigadas 14 obras que custaram mais do que o previsto: o metro de Fortaleza teve um desvio de 53,2 milhões de euros sem razão aparente, segundo apurou o Tribunal de Contas do Brasil. Escutas telefónicas, análise de financiamentos partidários e a análise de uma «pen» contendo uma lista de beneficiários fizeram tremer esta empresa brasileira, quando, em 2009, foram feitas buscas na sua sede (na foto um pormenor dessa operação) com a detenção de 3 directores ligados aos sectores de obras públicas.

A polícia Federal brasileira baptizou de «Castelo de Areia», a operação desencadeada sobre a Camargo Corrêa, numa alusão ao desmoronar um grande esquema criminoso. Em Março de 2009, a Polícia revirou a sede da empresa e a casa de altos funcionários . Objectivo: descobrir as relações entre grandes empreiteiras detentoras de obras públicas, a  Caixa Dois e doações ilegais para campanhas eleitorais de políticos.

Num extenso dossier  de 54 páginas  apreendido no escritório da casa de Pietro Francesco Giavina Bianchi, executivo da Camargo Corrêa, constavam “tabelas e planos» de «ataque» com nomes de instituições, obras, partidos políticos e deputados, apontando-se os valores a atribuir a cada um deles em dólares e reais.

A Polícia Federal enviou ao MPF dois relatórios que resultaram em duas denúncias formais. Na primeira delas, a procuradora da República, Karen Louise Jeanette Kahn, acusou três executivos da construtora  por fraude em operação financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo a procuradora, a investigação da Polícia Federal apresentou uma “farta gama de provas que comprovou a existência de uma articulada e sofisticada organização criminosa operada por doleiros e diretores da empresa”.

Numa outra denúncia, também baseada nas investigações decorrentes da operação «Castelo de Areia», o MP acusou dois executivos da Camargo Corrêa e dois da construtora Andrade Gutierrez, por formação de cartel e fraudes em licitação das obras do Metro na cidade de Salvador, Bahia. A concorrência pública aconteceu em 1999. As obras, que receberam financiamentos da União Europeia e do Banco Mundial, foram iniciadas em 2000, mas não foram concluídas até aos dias de hoje. As denúncias estão na mesa do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

As luvas pagas pela Camargo a políticos já identificadas somariam R$ 30 milhões. Até agora, já foram citados nomes de peso, como o do deputado Michel Temer,o actual vice-presidente do Brasil e que viu o seu nome ser citado 21 vezes nas listas apreendidas da contabilidade paralela da empresa. Também foi citado o secretário paulista, Aloysio Nunes Ferreira, pré- candidato ao governo de São Paulo, e o do ex-director da Eletronorte, Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Todos negaram as acusações.

«Uma infâmia», disse Temer. Como consequência da operação «Castelo de Areia», o ex-presidente Lula da Silva sugeriu ao PMDB que indicasse uma lista tríplice para vices de Dilma, sugerindo que Temer não era bem-vindo no elenco gvernamental. Não foi atendido…

Com 60 anos de vida, a Camargo é hoje um império sem rosto – e sem voz. Mas é também um enigma. Um grupo que se conseguiu  diversificar e apresenta receitas anuais de 16 bilhões de reais, actuando em áreas tão diversas, como engenharia, cimento ( a Camargo Corrêa detém 32,6% da Cimpor, sendo o seu maior accionista; a também brasileira Votorantim tem 21,2% do capital da cimenteira portuguesa, mas vota com 30,8%, por via de um acordo com a CGD, que tem 9,6% ; o empresário luso, Manuel Fino e o fundo de pensões do BCP são os outros accionistas de referência da Cimpor) calçados, estradas, saneamento e siderurgia e que aposta concorrer à privatização da Ana- Aeroportos de Portugal. E que também possui grandes marcas, como as sandálias Havaianas, que são produzidas pela Alpargatas.

Vara recebeu voto de confiança

O presidente da Camargo Corrêa Cimentos, José Edison, ao inaugurar a sede da empresa em Lisboa, desvalorizou, por outro lado, as polémicas à volta da contratação de Armando Vara (acusado no processo de corrupção Face Oculta). O antigo ministro socialista  tem utilizado toda a sua influência política e empresarial para colocar a ANA – Aeroportos de Portugal na rota da brasileira Camargo Corrêa na altura em que o Governo de Passos Coelho decidir pela sua privatização, já em 2012. Mas com os socialistas fora da órbita governamental, essa tarefa augura-se bem dificil. Só se o chamado «centrão político» dos negócios e dos interesses ressuscitar em toda a sua plenitude…

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