17
Fev
12

«Monstro» de Beja matou-se ( ou mataram-no?) e a tranquilidade regressou à sociedade – até quando?

O «monstro» de Beja,Francisco Esperança, deve ter tido um momento de lucidez na loucura que o levou a chacinar a mulher, a filha e a neta: hoje de madrugada enforcou-se com  os lençois da cama na sua cela no Estabelecimento Prisional de Lisboa, para onde tinha sido transferido em segredo. O Ministério Público já abriu um inquérito para apurar as circunstâncias em que ocorreu a morte do ex- bancário: suicidou-se ou «suicidaram-no»?  (uma tipologia de crime contra crianças e mulheres que é muito penalizada pelo «código de honra» das prisões e que leva a este tipo de soluções finais, ficando por saber os motivos pelos quais  um indivíduo com óbvio desequilibrio mental ficou assim deixado à sua sorte no interior do  cárcere, embora a Direcção Geral dos Serviços Prisionais refira que a cela era sujeita a várias rondas e que os corredores de acesso tinham câmaras de vigilância).

Ontem à noite, numa entrevista à TVI 24, o psiqiuiatra Carlos Amaral Dias apontou para a  propabilidade de Francisco Esperança atentar contra a própria vida, um desfecho que considerou normal neste tipo de crimes bárbaros, cometidos debaixo de uma loucura insana e com muito álccol à mistura. Será que o «monstro» não aguentou os remorsos ? Ou será que alguém, pela calada da noite, na prisão, terá feito justiça pelas próprias mãos, como se fosse o «justiceiro« a aplicar a pena imposta pela opinião pública que clamava pela «execução» do homicida, que não sentia aparentemente qualquer tipo de remorsos pelo facto de ter degolado à catanada a mulher, a filha e a neta…

Pode ser que muita gente tenha respirado de alívio face a este epílogo… mas quantos mais Franciscos Esperanças não haverá por aí espalhados pelo país,quantas casas não albergam  estes «monstros» que atentam contra a família,que abusam das próprias filhas e netas,que agridem a mulher de forma bárbara,acreditando que os seus crimes jamais serão descobertos, se as vítimas nunca reagirem, se calarem par sempre esses crimes por causa da pressão e vergonha sociais.É uma das imagens deste Portugal europeu e «desenvolvido», da «troika» e das agências de «rating»,  que guarda dentro de si práticas medievais, dos tempos em que os senhores feudais detinham todos os poderes…até o de decretarem a  vida ou morte sobre os seus súbditos.

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