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Fev
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O TRIPLO HOMICÍDIO EM BEJA: OS «MONSTROS» VIVEM ENTRE NÓS

Media levantam de novo o «fantasma» da pena de morte

Porquê tamanha crueldade? É a pergunta que se formula sobre os motivos que levaram um bancário reformado, 60 anos, de Beja a esquartejar a família, matar o cão e cortar uma das patas a um gato que foi encontrado vivo na habitação, convivendo com os cadáveres das vítimas durante dias, até ser detido, meio desnudado, pela PSP. No interior da casa, o cenário era de terror: a mulher, Benvinda, estava deitada na cama com o corpo coberto por um lençol. A filha, Cátia, e a neta, Maria, estavam abraçadas na cama da criança, cobertas por um pano.
Todos conheciam Francisco Esperança e a sua família e nada parecia indicar este desfecho sangrento, apesar do cadastro criminal do homicida, tendo cumprido dez anos de cadeia por ter desfalcado um banco em cerca de 130 mil euros.
Já depois de consumado o crime, Francisco fora visto nas ruas da localidade passeando tranquilamente, correspondendo aos cumprimentos dos vizinhos, dizendo que a mulher, a filha e a neta estavam bem. Como se o bárbaro crime que cometera fosse a coisa mais natural do Mundo, espantando os demónios que certamente povoariam a mente afectada por metástases e muito álcool à mistura.
Um caso que releva outros bárbaros assassínios do passado, tendo também por protagonistas  pacatos  cidadãos, queridos e insuspeitos no meio social onde se inseriam, e que, de um momento para o outro, se transformam nos mais terríveis dos criminosos Como o famigerado Rei Ghob, que está a ser julgado num tribunal de Torres Vedras. Durante semanas, Portugal inteiro andou fascinado com os desvarios e maluquices deste homicida esotérico que possuía no Youtube vídeos onde mostrava seus poderes paranormais (com recurso a vídeos toscamente produzidos) enquanto tecia considerações sobre o fim do mundo. As pessoas achavam piada àquele homem “excêntrico” que vivia numa casa meio acastelada e que mantinha umas amizades estranhas com alguns jovens da zona. Mais tarde, alguns destes jovens acabaram por desaparecer, transformando esta história banal num caso de polícia.
Ou do Cabo da GNR de Santa Comba Dão, António Costa, que, entre 2005 e 2006, violou e matou três raparigas. Tinha um perfil clássico do homem de bem, simpático, bondoso, educado, casado, religioso e honesto – sobre o qual jamais recairiam quaisquer suspeitas. E mais: tal como em inúmeros outros casos, o ex-cabo vivia muito próximo das vítimas e até era conhecido das mesmas. Porém, por detrás deste homem magro, baixo e religioso (com fotos do Papa João Paulo II espalhadas pela casa) residia uma outra figura capaz de crimes violentos provocados por impulsos horríveis.
Recuando mais atrás no passado, aos anos sessenta, encontramos ainda o assassino em série que dava pelo nome de José Borrego, impelido por Nossa Senhora a vir para Lisboa com o objectivo de acabar com o pecado – leia-se: os homossexuais. Fez ao todo cinco vítimas. Sempre com o mesmo método: seduzia um homem, levava-o para uma pensão onde estrangulava a vítima, esquartejava-a e depois lançava os pedaços do corpo para o rio. Na prisão fez amizade com um guarda que lhe pediu que não voltasse a matar. Zé Borrego já há algum tempo lhe havia dito que faltava matar apenas duas pessoas (dois guardas que o tinham espancado). Ao aceitar o pedido do amigo, e sendo um homem de palavra, suicidou-se na sua cela.
Ou Francisco Jorge, o assassino da Praia do Osso da Baleia, culpado do massacre que teve lugar em 1 de Março de 1987, ao matar cinco jovens (a quem tinha dado boleia) a tiro e à pancada. Depois foi para casa e matou a esposa e a filha mais velha de ambos. O crime chocou o país e o réu pediu para ser internado para o resto da sua vida. Tinha medo de voltar a matar. Foi condenado a 20 anos. Cumpriu 14. Foi libertado em 2001 e ao que parece, hoje vive em França.

Reacender a pena de morte

Beja sobressaltou-se com um crime bárbaro, num cenário improvável, fora da «panela de pressão» das grandes urbes. Um caso que leva também a levantar velhos «fantasmas», como é o caso do inquérito – vídeo que o «Correio da Manhã» promoveu, questionando várias pessoas sobre se a pena de morte deveria ser restabelecida. Uma prática dos media sempre que a sociedade é sobressaltada com estes casos terríveis, como forma de espicaçar os sentimentos mais terríveis de vingança e de justiça terrena que os cidadãos interiorizam. Provavelmente a «pena de morte» para o ex-bancário será a de  passar o resto dos seus dias num qualquer hospital psiquiátrico, expiando os seus tormentos e vivências obscuras, na certeza, porém, que o arrependimento nunca o há-de sobressaltar. A imprevisibilidade do comportamento humano nunca é um dado adquirido. Por vezes, no apartamento ao lado, na pacatez da família que ouvimos rir, brincar, num quadro normal de tranquilidade, alberga um «monstro» como Francisco Esperança. Basta que uma pequena faísca deflagre para desencadear os seus instintos mais animalescos.

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