09
Fev
12

PROCESSO CASA PIA: A MANIPULAÇÃO EM CURSO COMO ARMA DE ARREMESSO DOS ARGUIDOS

O processo Casa Pia tem hoje, quinta feira, 9, um novo capitulo com o inicio de apreciação por parte do Tribunal da Relação do recurso interposto pelos arguidos .Há uma certeza. Seja qual for a decisão dos juízes desembargadores, o processo não termina aqui e pode arrastar-se por mais uns anos, com a possibilidade de os recursos se estenderam ao Supremo e ao Tribunal Constitucional. Numa entrevista à RTP, Carlos Cruz, o arguido mais mediático, já anunciou esse propósito, afastando a hipótese de ser seu interesse fazer com que o caso prescreva, impedindo assim que cumpra os sete anos de cadeia a que foi condenado.
Outra certeza: houve outros pedófilos de renome que escaparam às malhas da justiça. Na memória deste articulista ficou a reacção expressa por uma vítima feminina, Teresa, ela alvo de abusos no processo paralelo das «meninas abusadas da Casa Pia» e que nunca veio à baila, a qual sempre que passava defronte do Palácio de Belém entrava em pânico…ou como um  renomado humorista escapou de ir a julgamento devido a uma discrepância no calendário quando gozava os calores de Copacabana, Brasil; ou como, sabe-se lá por que sortilégios, depois de referenciados por miúdos abusados na famosa casa dos RRs, no Restelo, Jaime Gama e Ferro Rodrigues livraram-se de apuros, ficando por explicar as verdadeiras razões que levaram a que o Euro , de que Cruz foi um dos personagens mais relevantes nessa «conquista» que arruinou muitos clubes de futebol actualmente com estádios às moscas, aportasse em Portugal quando se soprava nos bastidores de que um dos elementos mais graúdos da UEFA era um inveterado pedófilo e que exigia «meninos» sempre que vinha a Portugal tratar dos assuntos do Campeonato.
Inicialmente, «O Monstro» – como era adjectivado Bibi – dominava as manchetes e a abertura de noticiários televisivos. O desconhecimento sobre a matéria – até ali pedofilia era coisa remota na cabeça dos jornalistas – e a figura do «culpado conveniente» – um obscuro e miserável motorista – catapultaram para o «exclusivo» noticioso alguns espertalhaços que dormitavam à sombra das redacções e tinham por mister fazer «investigação» alapados nas cadeiras das secretárias, mendigando favores a «fontes bem informadas» e «agentes ligados à investigação» que haviam conhecido em cafés e bares de alterne da capital. Felícia Cabrita era das poucas excepções à regra. Interessando-se pelo caso de «Joel» que apresentara queixa contra Carlos Silvino, teve o mérito de destapar a tampa de um escândalo que viria a adquirir proporções inimagináveis.
Com o surgimento de Carlos Cruz, Jorge Ritto e Paulo Pedroso, os zelosos jornalistas de serviço – também com uma ou outra honrosa excepção – começaram a acantonar-se no terreno de quem lhes garantia mais «informação fidedigna» ou, numa modalidade mais canalha, a sentarem-se no regaço de quem lhes pagava melhor ou poderia abrir portas…( e abra-se aqui um capitulo para referenciar que na campanha em curso para descredibilizar o processo, jornalistas, blogues e canais de Tv surjam como «armas» potentes ao serviço da manipulação a soldo dos arguidos e de gente que continua na sombra, deles se servindo para veicular informações enviesadas e falsas, levando em muitos caso algumas das vitimas a desdizer aquilo que referiram à Polícia e aos tribunais de 1ª instância.

 

Atente-se a este propósito no que revelou em entrevista à TVI Dias André, ( na foto) o inspector da Policia Judiciária que investigou o processo Casa Pia. Afirmou à jornalista Ana Leal não ter dúvidas que as vítimas que surgiram em público a dizer que mentiram em tribunal, foram subornadas ( ver Casa Pia: «Vítimas foram subornadas», > Sociedade > TVI24 http://www.tvi24.iol.pt) acrescentando que o suborno foi de 15 mil euros, apontando o dedo de forma clara ao jornalista Carlos Tomás ( que até chegou a criar no Facebook um Grupo –« Notícias sem Censura» – de defesa de Carlos Cruz sendo co-autor de um livro sobre o apresentador ) de ser um dos instigadores dessa estratégia.
Pelo meio, sobravam alguns profissionais sérios e um ou outro ingénuo que engolia as patranhas de figuras, figurões e figurantes emergentes…
Não subsiste nenhuma dúvida: a personagem central do imbróglio é Carlos Silvino, condenado a 18 anos – o Bibi, que numa entrevista a Carlos Tomás referiu ter mentido em tribunal, que fora «seduzido» para acusar Cruz e outros arguidos e que todos eles estavam inocentes.
A plêiade de advogados que, não se sabendo ainda hoje muito bem como, se alinharam para a sua defesa levanta sérias dúvidas sobre as histórias contraditórias mil vezes repetidas. Por exemplo, como se explica que um advogado de Elvas – Hugo Marçal, arguido, pronunciado e condenado no processo a seis anos de prisão – seja chamado à defesa de um cliente de Lisboa com processo a correr nesta cidade? Ainda mais sabendo-se que o sujeito já se havia candidatado ao cargo de director de um dos colégios da Casa Pia… Mera coincidência? Por outro lado, de que modo se pode entender que um auto-denominado «especialista em Direito de Trabalho» – Dória Vilar -, aparentemente sem nenhuma relação de amizade com Silvino, se preste a ser mandatário de uma área não sendo da sua especialidade? Advogado esse que, como primeiro acto público, vem exibir uma alegada declaração assinada por Bibi afirmando não conhecer Carlos Cruz… E, logo a seguir, apresenta-se o nebuloso José Maria Martins, personagem de tristes figuras… que, sem dúvida, vindo dar um certo colorido ao processo, se percebe hoje ter tido papel importante nas trapalhadas que provocaram alguns dos esquemas dilatórios e, de um momento para o outro, se calou quando Bibi resolveu «contar a verdade» para contentamento dos outros arguidos.
O «Escândalo Casa Pia», para bem da descoberta da verdade – oculta por personagens obscuras -, merece ser tratado com todo o rigor, e não pode, sob pena de se transformar numa peleja entre apoiantes deste ou daquele, seguir a linha ínvia de editar e publicar por razões meramente mercantilistas. O tema, só por si e independentemente do rigor ou demérito da prosa, vende bem. E isso, naturalmente, atiça a vontade de alguns em ganharem uns cobres e/ou fazerem favores a «respeitáveis senhores».
Passada a agitação destes tempos de manipulação, não raras vezes confundida com «jornalismo de investigação», ao tema voltaremos em breve, para que a «nossa verdade» possa dar contributo para a compreensão do que tem estado em causa – assim consigamos ter o mérito de expressar com clareza a nossa experiência e, se for caso disso, avançar algumas pistas nunca seguidas pelos «especialistas» …

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