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Jan
12

O caso do Estripador – ou o descrédito do jornalismo de investigação

O caso do Estripador – ou das incidências que rodeiam as revelações feitas por um operário da construção civil natural de Aveiro que referiu à jornalista do «Sol», Felícia Cabrita, ser o famigerado assassino em série de prostitutas dos anos noventa – tornou-se um caso patológico e descrédito da imprensa de investigação e, concretamente, de uma profissional considerada de referência.
Face aos últimos desenvolvimentos, já não restam dúvidas que José Guedes, que se encontra actualmente detido em Aveiro, terá feito essas bombásticas revelações que, entretanto, passou para um diário, com a finalidade de favorecer o filho, Pedro Joel, que terá usado esse «segredo» para entrar num «reallity show» de um canal de TV.
O próprio Joel, num site que acabou de criar na «net», refere que a jornalista do «Sol» «sabia de todos os detalhes que não batiam certo e que tudo não passava de uma brincadeira» e que ela lhe terá respondido «então brincamos os dois».
Sabemos que a PJ terá comparado a impressão palmar encontrado num pacote de leite com sangue junto ao cadáver da terceira vítima do Estripador, Maria João, assassinada em Loures a 15 de Março de 1993 – e concluiu que Guedes terá mentido, pois não havia qualquer correspondência.
Uma outra incongruência detectada pela polícia respeita ao facto de José Guedes ter referido à jornalista que na altura dos crimes ia para Lisboa de boleia com colegas com quem trabalhava em Alenquer e que, após cometer os crimes, voltava sempre no último autocarro, que partia da capital às 00h35.Ora, esse horário também não correspondia ao horário que a PJ tem para o último crime: uma prostituta garantiu que ouviu a vítima gritar por volta da 01h00.
Suspeito de ter sido o autor do assassínio de uma mulher em Cacia cometido em 2000 – e é à conta desse processo que se encontra detido preventivamente – José Guedes não se livrou de uma sova infligida pelos companheiros de cárcere, encontrando-se agora numa cela individual.
Uma brincadeira fatal: para o Guedes que vê o «sol aos quadradinhos» pela basófia; e para a jornalista do «Sol», que ergueu um currículo invejável à custa de investigações rigorosas e criteriosas (como foi o despoletar do processo Casa Pia, e, mais recentemente, do caso Duarte Lima ),e que agora «borrou a pintura», descredibilizando-se. Diz-se que no melhor pano cai a nódoa; mas há nódoas que custam a extirpar, mesmo na tentativa de fazer vender um jornal em queda de vendas.Até parece que alguém plantou, de forma deliberada, uma casca de banana no caminho da Felícia…

PS- Fala-se que as criticas surgidas principalmente no interior da PJ ao trabalho desenvolvido pela jornalista sobre o Caso do Estripador e que tiveram eco no jornal « Correio da Manhã» poderão estar relacionadas com uma tentativa de «aniquilamento» profissional da mesma, sobretudo por causa das raivinhas surgidas no despoletar do processo Casa Pia, no qual Felicia Cabrita teve um papel fundamental na revelação do mesmo – se bem que com a juda de terceiros, como foi o caso de Pedro Namora.Sublinhe-se que nada nos move contra Felícia Cabrita, antes pelo contrário.Mas os factos aqui relatados falam por si,aos quais se poderá acrescentar outros pormenores que nos foram divulgados na altura dos assassínios  pelo chamado «Médico da Morgue», José Sombreireiro, que fez a autópsia aos cadáveres das prostitutas e detectou – e disse-nos isso com profunda convicção –  que os mesmos teriam sido retalhados e retirados os orgãos por alguém com conhecimentos em anatomia, por exemplo, um médico.Será que o José Guedes, um operário da construção civil, teria esses conhecimentos? Se houve de facto esse complot ( Maçonaria? Pedófilos do Processo Casa Pia ?,etc) contra Felícia Cabrita, pode ganhar foros de alguma razoabilidade a tese que alguém colocou no seu caminho, de forma deliberada, uma «casca de babana» na tentativa de a descredibilizar, o que custa a acreditar, dada a experiência profissional da jornalista, talhada na investigação de casos complicados.

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