16
Jan
12

O «CLû DUARTE LIMA E O «POLVO » DEMOCRÁTICO EM TONS LARANJA

1- A partir de 2008 torna-se evidente que a operação Face Oculta foi redireccionada pela investigação e pelos Media para passar a visar principalmente Sócrates. Era preciso derrubar Sócrates e mudar de governo ( é bem verdade que o ex-primeiro ministro também se pôs a jeito enredado em vários escândalos, alguns de carácter pessoal que nunca conseguiu explicar cabalmente…), porque havia gigantescos interesses em jogo e, em particular, o caso BPN prometia dar cabo do PSD e provocar «estilhaços» em Cavaco Silva, com a divulgação que ele( ou familiares) venderam acções que tinham na instituição meses antes do escândalo estoirar.
2. Das fraudes do BPN ignora-se ainda hoje a maior parte. Trata-se de uma torrente de lama inesgotável, que todos os nossos Media evitam tocar. Oliveira e Costa surgiu como o «arguido providencial» para camuflar responsabilidade de outras sumidades que conseguiram sacudir a água do capote, como foi o caso de Dias Loureiro.
3. O agora falado caso IPO/Duarte Lima, de que Isaltino também foi uma peça fulcral, nem foi sequer abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN , inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é sabido.
A táctica então escolhida pelo «polvo laranja», com a conivência de certa comunicação social controlada pelo poder PSD, ávido de ascender ao poder face às sondagens então divulgadas, foi desencadear um inquérito parlamentar paralelo, para averiguar se Sócrates estava ou não a «asfixiar» a comunicação social ! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e desviar as atenções.
4. Mas é interessante examinar como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo.
5. Enquanto Lima filho,o ex-deputado social-democrata Raposo e Cia. criavam um fundo com dezenas de milhões , amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras. Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a «cedê-los generosamente» ao Estado para lá construir o IPO. Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço podia ser ajustado entre os amigos vendedores e compradores, quiçá com umas comissões a transferir para a Suíça.
6. Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética (!) do IPO entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todos os assuntos e tinha óptimas relações para propiciar o negócio. Além disso, construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o companheiro do PSD Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse como interessado no negócio.
7. Em Junho de 2007 Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos terrenos em causa estavam “em fase de conclusão” (só não disse nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o ministro da Saúde: “Se se der uma mudança de opinião do governo, o cancelamento do projecto não será da responsabilidade do município de Oeiras.”
8. Como assim, “mudança de opinião do governo”? Na verdade, Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade, para esse efeito. Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam realizar-se pouco depois, em Julho de 2007.
10. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa, anunciou que ia disponibilizar um terreno municipal para a construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas, Lisboa. Foi assim que se lixou o projecto Lima-Isaltino: o ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da Saúde do PSD teria tudo sido muito diferente. E os Limas e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do amigo Isaltino.
11. Sabemos como, alguns meses depois deste desfecho, o ministro Correia de Campos foi criticado por Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de Janeiro de 2008. Desgostado com as críticas malignas do vingativo Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse mês. Não sabemos o que terá levado Cavaco a visar dessa maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais competentes. Que Cavaco queria a pele de Correia de Campos, foi bem visível. Ele foi a causa do fracasso do projecto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clã do seu amigo Duarte Lima e ao polvo laranja (ª). É bem possível que essa tenha sido a razão.

A «oitiva» – ou como o desconhecimento do Procurador poderia «eclipsar» caso Duarte Lima

No ano de todas as crises, em que a política e a economia sufocaram (literalmente) a sociedade, a justiça seguiu as pegadas do País e manteve a sua atracção pelo abismo. Os casos em torno de Duarte Lima, o alegado assassino que acabou apanhado por lavagem de dinheiro, deram um empurrãozinho – e são um exemplo cristalino dos males que nos afligem.
Se nos pedissem para resumir o Portugal de 2011 numa única palavra, eu escolheria esta: ‘oitiva’. ‘Oi… quê?’, pergunta o caro leitor, já preocupado com o estado da sua cultura geral. Não se aflija. É perfeitamente natural que não saiba o significado de ‘oitiva’. O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, também não sabia o que ela queria dizer quando recebeu do Brasil um pedido de ‘oitiva a Duarte Lima’ a propósito da investigação à morte de Rosalina Ribeiro. Vale a pena conhecer esta história exemplar.
Desde 2010, as autoridades brasileiras solicitaram às portuguesas uma série de diligências, entre as quais a ‘oitiva’. Todas essas diligências deram em nada. Confrontado com a falta de empenho do Ministério Público na resolução do caso, Pinto Monteiro deu esta desculpa ao semanário ‘Sol’: por causa de tão complexo pedido, havia sido obrigado a efectuar “uma diligência informal prévia com vista a esclarecer o sentido da palavra ‘oitiva’, a qual não foi conclusiva por se tratar de terminologia antiga e que mesmo as autoridades brasileiras são dissuadidas de utilizar”. O pedido ficou por cumprir.
À falta de dicionários da língua portuguesa, o procurador-geral da República poderia ter ido ao Google. Escrevia ‘oitiva’ e logo na primeira entrada (a Wikipédia) teria lido isto: “Comummente utilizada no meio jurídico. Oitiva significa audição, no sentido de ouvir. Exemplo: A oitiva da testemunha é obrigatória.” A polícia brasileira queria – imagine-se – que Duarte Lima fosse ouvido. O Ministério Público perdeu-se na tradução.
Será que Pinto Monteiro estava a ironizar com a história da “diligência informal prévia”. Estaria a contar uma anedota de brasileiros ou a praticar sarcasmo judicial? Em 2011, a Procuradoria foi confrontada com o alegado assassínio de uma cidadã portuguesa por um cidadão português e decidiu que a atitude certa não era colaborar com as autoridades do Brasil, mas sim fazer «piadinhas» de mau gosto.
Eis a razão por que deve, caro leitor, fixar para todo o sempre a palavra ‘oitiva’ – ela mostra de forma exemplar como a Justiça portuguesa está virada do avesso, preferindo entreter-se com rodriguinhos de treta em vez de se preocupar com aquilo que está em causa. Afirmou um polícia brasileiro que trabalhou no caso Rosalina: “A Procuradoria levou quatro meses para responder a um e-mail. É mais tempo do que o Cabral levou a vir para o Brasil.” Isto, sim, é uma boa piada – embora dê mais para chorar do que para rir. Outro polícia acrescentou: “Aqui estamos preocupados em esclarecer o crime hediondo praticado contra uma senhora indefesa de 74 anos. Em Portugal, o formalismo sobrepõe-se à vida.” Não nos poderia ter descrito melhor.

OFFSHORE DA JUSTIÇA

Independentemente da culpa (ou não) de Duarte Lima, o desleixo e desinteresse com que as autoridades portuguesas acompanharam o homicídio de uma cidadã nacional em quase dois anos é sintomático da forma como quem tem poder é tratado neste País. Vivemos num offshore da Justiça: a trafulhice circula sem pagar imposto e quem conhece as regras do jogo tem probabilidades de passar pelos pingos de chuva sem se molhar.
Duarte Lima seria mais um a ficar enxuto se a sua história pessoal – o homem pobre que vira rico, o barão do PSD caído em desgraça, o benfeitor da leucemia suspeito de um bárbaro homicídio – e os pormenores do crime – as provas reunidas (e divulgadas) pela polícia brasileira são avassaladoras – não fossem tão fascinantes para jornais e televisões. A Procuradoria preferia certamente estar a apanhar banhos de sol numa praia do nordeste brasileiro, mas o País abria a boca de espanto diante da possibilidade de Lima ficar toda a vida sem ter de responder por indícios tão fortes.
Era chato. E como era chato, a justiça justiceira acordou. Numa daquelas coincidências tão grandes que mereciam um lugar no Guinness Book, eis que Duarte Lima é apanhado nas malhas do processo BPN, acabando detido no âmbito de uma investigação de branqueamento de capitais que envolve a compra de terrenos na zona de Oeiras destinados à construção (depois suspensa) das novas instalações do IPO (local, recorde-se, onde Lima ajudou a salvar gente suficiente para alcançar o Céu).
O homem que corria o risco de continuar a sua vida a passear alegremente por Portugal, mesmo que fosse condenado à revelia no Brasil, por causa da falta de acordos de extradição entre os dois países e de bizantinas dificuldades na transposição de sentenças, é subitamente apanhado em casa devido um processo paralelo.
A justiça, como bem sabemos, é suposto ser cega. Mas a portuguesa gosta de espreitar por debaixo da venda. E assim, Duarte Lima acaba transformado na nossa versão manhosa de Al Capone, o mafioso de Chicago que acabou preso por fuga ao fisco. Pode tudo isto ter sido um mero acaso e a esta minha conversa não passar de má-língua travestida de teoria da conspiração? Poder, pode. Mas o facto do caso BPN andar a arrastar-se há anos sem efeitos visíveis e a comunicação social ter sido convocada para assistir ao circo da detenção só adensa as suspeitas.
Os caminhos da justiça portuguesa são como o da Democracia portuguesa – Uma farsa!!!

CADEIAS A ABARROTAR; O CRIME VIOLENTO ESTÁ A «DEMOCRATIZAR-SE»

Outro sinal do estado calamitoso da Justiça, respeita ao facto de o número de reclusos ultrapassar a barreira dos 12 mil, pela primeira vez desde as novas leis penais criadas em 2007 – precisamente para fazer diminuir o número de presos nos estabelecimentos prisionais. Refere o «Correio da Manhã» na edição de segunda-feira, 16, que segundo os dados mais recentes dos Serviços Prisionais, a 31 de Dezembro de 2011 havia nas cadeias 12 448,número só atingido em 2006, antes da revisão penal.
O que significa que as alterações produzidas na lei não travam o surto de criminalidade, principalmente a de carácter violento, fruto da desagregação económica, multiplicando-se os crimes de furto que estão na origem da maioria das detenções ( cerca de 2500), seguindo-se os crimes contra as pessoas, como homicídios e violações ( 2400), estupefacientes ( 2400).
O panorama é negro, demasiadamente negro: em 2011, verificaram-se 72 roubos em gasolineiras, 149 farmácias foram atacadas, foram assaltadas 900 caixas multibanco e só no distrito de Lisboa há um assalto á mão armada a uma ourivesaria ou a uma loja de compra e venda de ouro usado. E o que faz o governo? Anuncia com todo o estrondo reuniões tendo em vista concertar as polícias tuteladas pelos vários ministérios, sem esclarecer se vai providenciar um dos factores primordiais no combate à criminalidade, ou seja, o facto dissuasão, com a prática caída em desuso, que é pôr mais policias e viaturas nas ruas, reforçar os meios de policiamento de proximidade, pagar-lhes de forma condigna…mas se os carros estão parados por estarem avariados, se os policias estão desmoralizados por que lhes cortaram salários, se as leis penalizam mais a conduta de policias que reprimem com um pouco mais de dureza os meliantes ( desde o 25-A que se inculcou na sociedade a ideia de que os policias reprimem e que os criminosos, coitadinhos, são vitimas da sociedade que os ostraciza e violenta, uma «estado de espírito» propagado pela maioria dos media),receamos que a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz e os seus pares têm uma difícil tarefa a desenvolver. É difícil concertar polícias quando elas estão mais do que … desconcertadas e desmotivadas .
Pelo menos, assiste-se a um fenómeno curioso: o crime violento está a «democratizar-se» … atinge desde as camadas mas baixas às altas. O assalto milionário ao futebolista Quaresma – vitima de três encapuzados que lhe furtaram diamantes e oito mil euros em notas quando o futebolista estacionou a sua luxuosa viatura numa rua da zona J – é um exemplo dessa «democratização».Só que aqui, contrariamente ao que acontece em outros casos em que os cidadãos vítimas são anónimos, os larápios foram logo apanhados.

Anúncios

2 Responses to “O «CLû DUARTE LIMA E O «POLVO » DEMOCRÁTICO EM TONS LARANJA”


  1. 1 Alexandre de Sa Nogueira
    Janeiro 16, 2012 às 10:15 pm

    A justiça portuguesa, herdeira da inquisição, companheira da PIDE, persegue os pobres e proteje os ricos. Até quando????

  2. Abril 4, 2012 às 10:07 pm

    Esta é uma história verdadeira…

    … ao contrário daquelas que têm circulado na imprensa e nalguns blogs.

    Apesar do que tem sido dito, o Dr. Isaltino Morais não exerceu qualquer pressão para que o IPO fosse deslocado para o concelho de Oeiras. Foi o Ministério da Saúde que tomou a iniciativa de contactar o Município de Oeiras à procura de terrenos para instalar o referido complexo hospitalar. E o Município de Oeiras prontamente se disponibilizou para colaborar com o Ministério da Saúde tendo proposto uma série de alternativas. Foi o Ministério da Saúde que escolheu a hipótese de Leceia.

    Só que durante o decorrer deste processo o executivo da CML demitiu-se levando à realização de eleições autárquicas antecipadas. É então que o Dr. Correia de Campos, ministro da Saúde à época, telefona ao Dr. Isaltino Morais dizendo que o seu colega de partido, Dr. António Costa, não concorda com a decisão de transferência do IPO para Oeiras. E nesse sentido, a decisão de implantar o IPO em Oeiras fica sem efeito.

    Fica portanto provado que o Dr. António Costa exerceu uma pressão ilegítima sobre o Dr. Correia de Campos para evitar que o IPO fosse transferido para Lisboa. Com agravante de que quando chegou à presidência da CML, o Dr. António Costa disponibilizou um terreno para o IPO que implicava custos de aquisição a suportar pelo Ministério da Saúde. De notar que o terreno em Oeiras seria oferecido pela CMO.

    Ou seja, todos estes dados permitem concluir que o Dr. Isaltino Morais agiu sempre de boa fé neste processo. O que não se pode dizer do Dr. António Costa que exerceu uma influência ilegítima e que viola claramente as regras da ética republicana.

    Actualmente o IPO continua na Praça de Espanha e não existem perspectivas para que possa ter instalações novas num futuro próximo. Se a decisão de construir o IPO em Leceia tivesse sido mantida provavelmente este já estaria a funcionar em novas instalações. António Costa é o responsável. Boicotou o interesse público e causou graves prejuízos ao país. Isto é o que acontece quando os interesses particulares se sobrepõem ao interesse público.

    Tenho dito.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: