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Secretas sob suspeita, ou a estratégia de liquidação de um Serviço de defesa da República

O PSD terá apagado do relatório preliminar sobre as audições relativas aos serviços secretos, realizadas na 1.ª comissão parlamentar, as referências que indiciavam ligações de titulares de cargos de chefia e de direcção da Intelligence à Maçonaria. Esta a grande questão da actualidade, divulgada pelo «Expresso» e prosseguida pelo «Público», numa estratégia bem montada de liquidação dos serviços de Inteligência, ao que se sabe, promovida do seu interior, desde que Jorge Silva Carvalho, o ex-director do SIED, transitou para a Ongoing, tendo sido acusado de passar informações privadas do serviço para essa empresa – nomeadamente sobre o passado e o perfil de uns empresários russos…

Júlio Pereira, o secretário geral do SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa) exonerou, entretanto, três funcionários dos Serviços, considerados os «garganta funda» das fugas de informações para o Expresso, (facto, ingenuamente, confirmado por Ricardo Costa em declarações na SIC…) sobre alegadas instrumentalizações dos serviços, colocando-os em ligação com a Loja Mozart, apresentada como a mais influente loja maçónica do mundo empresarial em Portugal e à qual estarão ligados Jorge Silva Carvalho e Luis Montenegro, líder parlamentar do PSD.

Não pondo em causa o Direito à Informação constitucionalmente consagrado, pode-se, porém, questionar se os media, ao andarem tão encarniçados em revelar pormenores sobre a vida interna dos Serviços de Informação, estarão a prestar um bom serviço à Nação ao revelarem, por exemplo, um dos «pecados» cometidos por um seu ex-responsável, no caso Jorge Silva Carvalho, de tentar obter informações sobre empresários russos interessados em investir em Portugal… Não tem sido essa uma prática seguida pela CIA perante a ameaça do ex-bloco soviético de tentar «encharcar» o sistema financeiro e económico americano de forma a produzir o seu colapso? Não tem sido essa a prática principal da CIA nos últimos 20 anos? E não o é ainda hoje e, certamente, amanhã…? Bem sabemos também como o capital russo tem sido gerado e desenvolvido à custa do desvio e da lavagem de dinheiro por acção de várias máfias…

Importa saber que interesses moverão esses media, eles próprios controlados por empresários com alguns «telhados de vidro», agora travestidos em arautos da transparência e dos bons costumes… E nós bem sabemos quais são esses telhados.

Os media querem – e bem – escrutinar a vida da República (dentro dos limites que a Lei impõe). Mas e quem escrutina os media, seus agentes (que nem sempre são muito impolutos…) e seus patrões (que nem sempre são “flor que se cheire”…), quem os escrutina? Alguém tem de o fazer e os media não só não o podem levar a mal como até o devem agradecer… Quem escrutina os escrutinadores é, pois, uma das questões candentes que esta cascata de “casos” coloca com grande pertinência.

Desde a I República que a Maçonaria influencia os destinos do País e que tem os seus ramos bem instalados nos vários poderes – já tivemos Presidentes da República a ela ligados (até o marechal Carmona… bem como o médico pessoal de Salazar e seu grande amigo, o doutor Bissaia Barreto), temos juízes, advogados, banqueiros, políticos, autarcas, jornalistas «and so on»… E isto ocorre há decénios.

Qual, portanto, o grande escândalo ao se tornar público que um responsável do SIED está ligado a essa organização pretensamente secreta – tão secreta, que se sabe onde os seus elementos efectuam reuniões, cuja sede tem lugar reservados de estacionamento no Príncipe Real e que os jantares para os quais são convocados surgem escarrapachados nos jornais…? A verdadeira questão só pode pois ser outra…

Ou seja, e em conclusão, assiste-se a um processo de liquidação dos Serviços de Informação, sabe-se lá com que intuitos de «proteger» outras questões, essas sim, certamente de grande relevância para o País… Como arma manipuladora, recorre-se aos media para «filtrar» determinados factos, propagandeando-os segundo os interesses de determinadas forças de pressão ou até de elementos instalados no interior dos Serviços, apostados em marcar posições e defender as suas “quintas” e aumentar a sua capacidade de influência na reformulação dos quadros e até na orgânica do SIRP.

Ora, esta prática de interesses privados é assassina do interesse nacional: depois destes meses de balbúrdia mediática, a República está cega e surda. Não vê e nem ouve nada do que se passa à sua volta, não tem a informação necessária à boa e acertada decisão. E isso, se é bom para alguns, trama ainda mais a vida de todos os outros Portugueses.

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