09
Jan
12

O «Conde» e a exploração dos media – ou o novo «ópio» do povo

O «caso das orgias» que decorre no Tribunal de Famalicão que conta por intervenientes um empresário, a mulher que o acusa de violência sexual e  José Castelo Branco (filmado numa dessas acaloradas sessões a manter sexo coma mulher e o empresário, imagens que surgiram na imprensa, ou não fosse o «marchand» uma figura pública com direito a capas de revistas cor-de-rosa e convidado para protagonista em reallity shows)), traz à liça o papel dos media num mercado cada vez mais concorrencial em que os vícios ( ou taras) privados se tornaram públicos. Personagens menores, com passado duvidoso em clubes de travestis, de comportamentos extravagantes, são alcandoradas a figuras públicas pelos media ávidos de sensações fortes, enquadrando-se naquilo que Ignacio Ramonet ( no livro «A Tirania da Comunicação») apelida de novos «ópios do povo», distraindo os cidadãos e desviando-os da actividade cívica e dos problemas do quotidiano. Nesta nova época da alienação, no momento da world culture  ( cultura global) e das mensagens planetárias, as tecnologias das comunicação desempenham,  mais do que nunca, um papel ideológico fulcral. Agora que a democracia e a liberdade parecem triunfar num planeta em grande parte liberto dos regimes autoritários, paradoxalmente, as censuras e as manipulações, sob diversas formas, regressam em força, sublinha Ramonet. A juntar a este «lixo» noticioso da propagação dos vícios privados de figuras eleitas pelos «media» como celebridades, o cidadão é confrontado com imagens pornográficas de três pessoas a fazer sexo num quarto, imagens que nunca deveriam passar do crivo dos tribunais. Para além do voyeurismo das situações – anuncia-se que esta semana o «conde» vai explicar em tribunal a sua participação nas orgias – não há nesta história nada de gratificante para o mundo em que vivemos. E os exemplos sucedem-se, até do chamado «telelixo», em que o telespectador visiona cenas de sexo ao vivo em reallity shows. Depois de ter sido durante muito tempo, sinónimo de libertação pela difusão do saber e do conhecimento, actualmente a comunicação revela uma nova faceta: transformada em ideologia opressora da «comunicação total» – grande superstição moderna – parece que ela atingiu e ultrapassou o seu zénite, para entrar numa era em que todas as suas qualidades se transformaram em defeitos, as suas virtudes em vícios.

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